Há empates que sabem a pouco e há empates que valem ouro. Para Angola, o 0-0 frente ao Egito na primeira jornada da qualificação para o CAN 2027 pertence claramente à segunda categoria. 

Do outro lado estava uma seleção que ocupa o 24.º lugar do ranking FIFA, mais de 60 posições acima dos Palancas Negras (87.º), com Mohamed Salah no onze. No fim, ninguém marcou, e os angolanos saíram com a sensação de dever cumprido.

O Egito teve a bola durante quase todo o jogo (66% de posse), trocou-a com paciência (478 passes certos, 86% de acerto) e somou 15 remates e 10 cantos. Os números impressionam menos quando se olha para o essencial: apenas dois remates enquadrados e nenhuma grande oportunidade. 

Grande parte do mérito é da organização angolana. Com cinco homens atrás e uma linha de quatro no meio-campo, Angola fechou o corredor central e obrigou o Egito a jogar por fora. 

Gaspar foi o rosto dessa resistência, bem acompanhado por Sambu e por um Hugo Marques seguro entre os postes. Aliás, o guarda-redes do Petro de Luanda foi eleito homem do jogo.

Com menos bola (34%), Angola ainda conseguiu 10 remates e igualou o adversário nos remates à baliza (2-2), o que mostra que não foi apenas para se defender.

Para o Egito, fica o aviso: dominar não chega e, nesta fase de qualificação, cada ponto perdido em casa pode pesar mais tarde. Para Angola, fica a confiança. Pontuar diante de um dos gigantes do continente logo na estreia é o tipo de resultado que une um grupo e dá força para o que falta percorrer.

Hugo Marques falou no final do desafio e não escondeu a satisfação: «Estou muito orgulhoso de pertencer a este grupo e, como mais velho, peço que apoiem esta equipa, mesmo quando as coisas não correrem bem.»

Hugo Marques tem sido alvo de críticas dos adeptos do Petro de Luanda e até da Seleção Nacional, mas mereceu a confiança de Cissé, que perdeu no clube (perdeu a titularidade para Neblú).

«Vão ao 11 de Novembro apoiar-nos, para que no fim dessa dupla jornada a gente tenha quatro pontos», apelou.

O segredo da exibição bem conseguida foi manter o foco: «O treinador puxou muito por nós, pediu muita concentração, união e entrega», concluiu.O caminho até ao CAN 2027 ainda é longo, mas os Palancas Negras deram o primeiro passo da melhor forma: de pé, juntos e sem perder.

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