Altimira e os primeiros três meses no Sporting: «Aqui, um empate sabe a derrota»
Sergi Altimira passou em revista os primeiros três meses com a camisola do Sporting. Em declarações prestadas aos canais de comunicação do emblema leonino, o médio espanhol, de 25 anos, salientou a rápida integração na equipa, o nível de exigência em Alvalade e a determinação em recuperar os pontos perdidos recentemente no campeonato.
O camisola 5, que se assumiu como o jogador de campo mais utilizado até ao momento, e lidera as recuperações de bola na Liga portuguesa, fez um balanço bastante positivo do arranque de época sob as ordens do treinador Rui Borges, tanto nas provas internas como na UEFA Champions League.
«Foram três primeiros meses muito bons, muito intensos, de adaptação. É um clube novo, um país novo, mas estou muito feliz com a forma como as coisas têm corrido. Agora, é continuar a trabalhar, porque a temporada é muito longa», referiu o centrocampista, reforçando a rapidez do processo de adaptação: «Sinto que estou totalmente adaptado já há algumas semanas, por isso estou muito contente com a forma como estamos a jogar, com a maneira como as coisas estão a correr e também com a minha adaptação ao clube.»
Altimira enalteceu ainda o acolhimento caloroso em Alvalade: «Surpreendeu-me o ambiente familiar que existe no clube. Todas as pessoas que trabalham no clube estão muito próximas do jogador e disponíveis para qualquer coisa de que necessitemos. Para um jogador como eu, que chega, é algo que se agradece sempre.»
Estou a jogar numa posição que costuma ser mais defensiva. Tenho essa qualidade, esse instinto para roubar bolas e isso é muito importante nessa posição. Também tenho vindo a melhorar pequenos aspetos de posicionamento e sinto que estou a evoluir muito
Proveniente do Betis e com experiência na LaLiga, o médio comparou as realidades competitivas entre Espanha e Portugal, vincando a especificidade dos desafios encontrados em solo nacional.
«É uma Liga muito diferente. Os relvados são diferentes, há adversários muito físicos e que se fecham muito quando jogam contra o Sporting CP, porque querem tirar-nos pontos. É complicado e isso faz com que seja uma Liga muito difícil, mas não deixa de ser também muito competitiva. Temos de continuar a melhorar, sobretudo no campeonato, para recuperar os pontos que perdemos ultimamente», explicou.
Assumindo um papel preponderante na zona intermediária, muitas vezes comparado a um polvo pela capacidade de desarme, o jogador justificou o rendimento no setor mais recuado do miolo: «Estou a jogar numa posição que costuma ser mais defensiva. Tenho essa qualidade, esse instinto para roubar bolas, e isso é muito importante nessa posição. Também tenho vindo a melhorar pequenos aspetos de posicionamento e sinto que estou a evoluir muito. Estou contente e agora é continuar a mostrar este nível ou elevá-lo ainda mais.»
Concorrência de peso
No que concerne às dinâmicas do meio-campo, onde tem partilhado minutos com Issa Doumbia, Pedro Lima, Silas Andersen e com o regresso iminente de João Simões, Altimira destacou a margem de crescimento da equipa ao longo do calendário.
«Há muitas mudanças no meio-campo, muitos jogadores novos. Temos de continuar a tentar e acho que nos vamos entender cada vez melhor naquilo que o mister pretende. Felizmente, ainda falta muito campeonato pela frente», concluiu o espanhol, sublinhando que durante a paragem de três semanas o grupo mantém a bitola elevada: «Acima de tudo, temos de ser exigentes connosco próprios e continuar a treinar ao máximo.»
A paragem competitiva para os compromissos das seleções serviu para reajustar processos e recarregar baterias em Alvalade. Numa fase de menor número de atletas disponíveis devido aos trabalhos internacionais, o foco do Sporting tem estado totalmente direcionado para a máxima exigência no treino, por forma a traduzir esse rendimento na retoma do campeonato.
Com várias caras novas no plantel leonino esta temporada, a mensagem sobre a dimensão do emblema verde e branco foi rapidamente assimilada, na sequência do trabalho de integração mencionado por João Simões. «Somos muitas caras novas, mas já todos percebemos a grandeza e a exigência deste clube, tanto dentro do balneário como fora dele, e aquilo que as pessoas esperam de nós. Aqui, um empate sabe a derrota e isso diz muito sobre o clube e sobre a exigência que existe. Estamos todos conscientes disso e de que temos de dar o máximo por este clube», destacou o jogador leonino.
«Temos várias coisas a corrigir, principalmente nos dois últimos jogos»
O início de época trouxe desafios e alertas logo na jornada inaugural da Liga, com o empate a duas bolas diante do Estrela da Amadora (2-2), após vantagem de 2-0, seguindo-se igualdade caseira com o Arouca (2-2).
«Temos de estar sempre alerta. Podemos vencer todos os jogos da pré-época, mas a competição é diferente. São adversários complicados, que competem, lutam e dão o máximo para somar os três pontos. Percebemo-lo logo na primeira jornada. Depois disso, a equipa melhorou bastante. Agora temos várias coisas a corrigir, principalmente nos dois últimos jogos», assumiu, sublinhando que a pausa de três semanas «veio numa boa altura» para «fazer um reset» e regressar com energias renovadas.
Ao serviço dos leões, as estreias foram marcadas por momentos memoráveis, desde logo o triunfo na UEFA Champions League perante o Galatasaray (3-1) e a estreia a marcar em Alvalade, na vitória suada frente ao V. Guimarães (3-2).
«Vinha do Betis, onde só tinha marcado fora de casa, por isso não sabia o que era marcar um golo diante dos próprios adeptos. Acabei por chegar aqui e marcar logo. Foi muito especial poder ajudar a equipa com um golo. Não sou propriamente um jogador que marque muitos, mas, sempre que puder ajudar, melhor», recordou.
O próximo compromisso no horizonte é uma deslocação exigente a Braga, adversário que na época anterior impôs dois empates aos leões e que o jogador já defrontou na época passada pelo Betis. O objetivo traçado é claro: regressar às vitórias fora de portas.
Para esse desafio, a equipa contará novamente com o apoio fervoroso dos adeptos, um fator amplamente elogiado: «A verdade é que me receberam muito bem. Sinto muito o seu carinho, tanto em casa como fora. Parece que jogamos sempre em Alvalade. Estamos muito gratos por isso (...) Espero que essa ligação entre adeptos e jogadores não se perca e que continuemos juntos.»
Após um último encontro que terminou com sentimento de profunda frustração, foi deixada uma garantia aos adeptos leoninos para a restante temporada, sublinhando a consciência de que é imperativo melhorar o rendimento.
Com a época ainda numa fase em que restam muitos encontros por disputar, a mensagem é de empenho total e confiança na recuperação: «Podemos prometer que vamos dar o máximo. Terminámos o último jogo com muita frustração e sabemos que temos de melhorar. Ainda vamos a tempo e isso é o mais importante: falta muita temporada, faltam muitos jogos. Podemos prometer que vamos dar o máximo em todos os jogos.»