Adélio Cândido e Ruben Amorim no Manchester United (foto: IMAGO)
Adélio Cândido e Ruben Amorim no Manchester United (foto: IMAGO)

Adjunto de Amorim quebra silêncio: «As nossas ideias não eram aplicadas na totalidade»

Adélio Cândido fala da saída do Manchester United

Quase dois meses depois da saída de Ruben Amorim do Manchester United, surge a primeira declaração de um elemento da equipa técnica. Em declarações recolhidas por A BOLA em Angola, Adélio Cândido fala do período de trabalho nos red devils e da relação com o treinador principal. O luso-angolano revela ainda o sonho de treinar os Palancas Negras.

Que balanço faz da experiência no Manchester United? O que gostou mais e o que gostou menos?

A experiência é sempre experiência, sendo o balanço bom ou mau, saímos sempre com aprendizagem. Em Manchester gostei muito da cidade e da forma como os adeptos vivem o futebol, mais focados no projeto do que no resultado imediato. O que gostei menos foi, sem dúvida, sentir que as nossas ideias não eram aplicadas na totalidade.

Como é que uma equipa técnica ainda tão jovem lidou com a pressão levada ao limite no United e em Inglaterra?

Penso que o facto de sermos jovens nos ajudou a lidar com a pressão, tivemos sempre um dia a dia positivo no trabalho. Com a pressão existente é normal que as pessoas se chateiem mais do que o normal numa equipa técnica, e não foi o nosso caso.

Saída foi precipitada ou Ruben Amoim sentiu que ainda podia entrar no eixo?

Só o futuro dirá se a saída foi má para a nossa carreira ou não.

Como é lidar com críticas violentas, como algumas que foram feitas em Inglaterra?

Honestamente, não acompanho opiniões fora do grupo de trabalho. Acaba sempre por chegar alguma coisa através das redes sociais mas eu não ligo mesmo a nada disso.

O que lhe reserva agora o futuro? Continuar com Amorim ou apostar num outro projeto a solo? Portugal ou estrangeiro?

Neste momento estou a aproveitar o tempo livre com a família sem pensar muito no futuro, mas sei que o quando o telemóvel tocar o Ruben vai falar comigo.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar com Ruben Amorim?

Eu comecei muito cedo no futebol e o Ruben acabou por começar a carreira no Casa Pia, onde eu já estava como adjunto. Daí saímos juntos e continuamos até hoje.

Quais as principais características de personalidade de Ruben Amorim e como é trabalhar com ele?

O Ruben tem uma relação de irmão mais velho comigo e com isto temos tudo característico de uma relação de irmãos, muitas discussões e muitas manifestações de carinho.

Porque escolheu a área do treino ainda tão jovem? Esperava ter chegado onde chegou tão cedo?

Eu decidi que ia ser treinador muito cedo e sempre tive muita confiança na minha forma de trabalhar e nas minhas ideias. Em relação ao tempo que poderia vir a demorar para chegar ao nível a que cheguei, penso que foi tudo fluindo e nunca parei para pensar se ia demorar mais ou menos, foquei-me sempre só no próximo jogo e fui lá parar de forma natural.

Que lugar ocupa Angola no seu coração e na sua personalidade?

Angola tem um significado enorme para a definição do meu Eu. Sem Angola e as vivências que tive neste país tenho a certeza que não seria a pessoa que sou hoje. Este país deu-me a possibilidade de conhecer várias realidades e diferentes tipos de pessoas, e isso desenvolveu muito a minha capacidade de compreender o ser humano e por consequência o jogador.

O que mais gosta de Angola?

O nosso povo é único, a nossa abordagem cómica ao nosso quotidiano permite-nos ter uma felicidade própria de quem nasceu e cresceu nesta terra. A caricatura do dia a dia é sem dúvida algo que nos caracteriza a todos como angolanos.

Admite ter um papel ativo, se surgir a oportunidade, na construção do futuro do desporto em Angola?

Claramente, desde muito novo que a minha maior preocupação é ser parte ativa do desenvolvimento do nosso país, de todas as formas que me sejam permitidas.

Ser selecionador angolano, o que lhe diz?

É algo que me enche o coração, um sonho a realizar.

É cedo para pensar em assumir tão grande responsabilidade, se surgir o contive para os Palancas Negras?

Penso que seria difícil recusar tal convite se tivesse a certeza que tinha todas as condições para aplicar a minha forma de pensar na nossa seleção.

O que falou com Alves Simões, presidente da FAF, quando esteve de visita?

Falamos um bocado sobre futebol e o presidente congratulou-me pela minha carreira até então.