Abertura das clássicas marcado por quedas e lesões graves: a explicação
O arranque da campanha das clássicas da primavera ficou manchado por um número alarmante de quedas, com as provas Omloop Het Nieuwsblad e Kuurne-Bruxelas-Kuurne a revelarem-se particularmente perigosas. Vários ciclistas, incluindo líderes de equipa e figuras-chave, foram forçados a abandonar com lesões, engrossando uma lista de baixas que compromete a temporada de muitas formações.
Uma das equipas mais afetadas foi a Tudor, que viveu um cenário desastroso na Omloop. Stefan Kung, um dos principais nomes da formação suíça para as clássicas, sofreu fratura de fémur e será forçado a falhar toda a campanha. Na mesma prova, o colega de equipa de Kung, Rick Pluimers, partiu vários dentes numa queda ocorrida precisamente na subida onde se deu o ataque decisivo da corrida.
Molenberg chaos: Vermeersch attacks, Pluimers crashes in corner one! #OHNmen #OHN26 #FLCS pic.twitter.com/6dH3Adl3I2
— Omloop Nieuwsblad (@OmloopHNB) February 28, 2026
A UAE Emirates também sofreu uma baixa significativa. Tim Wellens fraturou a clavícula durante a Kuurne-Bruxelas-Kuurne e junta-se a Jhonatan Narváez na lista de indisponíveis. A ausência de ambos representa um duro golpe para o apoio a Tadej Pogacar na Milão-Sanremo, já que foram eles que prepararam o ataque na Cipressa no ano passado.
La caída y abandono de Tim Wellens en la Kuurne-Bruselas-Kuurne que puede poner en peligro su concurso en la temporada de clásicas.#KBK26 pic.twitter.com/JxjsuLRpX3
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) March 1, 2026
Outras equipas não escaparam ilesas. O veterano Ben Swift, da INEOS Grenadiers, sofreu uma lesão pélvica complexa que o deverá manter afastado da competição por vários meses. Vlad van Mechelen, da Bahrain Victorious, também fraturou a clavícula na Omloop Het Nieuwsblad, terminando precocemente uma campanha de primavera em que teria liberdade para procurar resultados pessoais.
O elevado número de incidentes, especialmente na Omloop, onde ocorreram cerca de uma dúzia de quedas na fase final, acentuou a preocupação com a segurança no pelotão. As quedas dividiram constantemente o grupo e influenciaram diretamente o desfecho da corrida, afetando tanto o ataque de Florian Vermeersch como a perseguição ao grupo de Mathieu van der Poel.
As reações a esta tendência não se fizeram esperar. José de Cauwer, comentador do Sporza, manifestou profunda inquietação. «Há simplesmente demasiadas quedas. Na Omloop ainda se pode dizer que era por causa da chuva, mas o nervosismo está mesmo dentro do pelotão. De alguma forma, é preciso trazer alguma calma para lá. Sinceramente, não sei como se deve fazer isso, mas isto está a ir na direção errada», afirmou.
Já o veterano italiano Matteo Trentin, terceiro classificado na Kuurne-Bruxelas-Kuurne, partilhou numa entrevista recente a preocupação, apontando múltiplas causas para o aumento das quedas. Segundo ele, a responsabilidade é partilhada. «Quem tem de mudar? Os organizadores? Sim, mas também os ciclistas com os seus diretores desportivos, porque por vezes correm-se riscos quando não há absolutamente nenhuma necessidade», declarou Trentin em fevereiro.