A análise de Pedro Henriques à arbitragem do Portugal-País de Gales
Pedro Henriques, especialista de arbitragem de A BOLA, fez a análise à vitória de Portugal frente ao País de Gales, por 1-0, na 1.ª jornada do grupo A4 da Liga das Nações.
2' Pisão. Josh Sheehan tem uma entrada fora de tempo, acabando por falhar a bola e pisar, com o pé esquerdo, de sola, o peito do pé direito de Rúben Neves. Uma entrada negligente passível de cartão amarelo, que não foi mostrado.
32' Casual. Após a execução de um pontapé de canto a favor de Portugal, a bola bate no solo e vem de ressalto, de baixo para cima, e vai ao braço direito de Josh Sheehan, que o tem próximo do corpo, sem que tenha jogado o esférico de forma deliberada. Tudo legal e sem penálti.
Árbitro deixou jogar e privilegiou o contacto físico. Isso refletiu-se nas poucas faltas que foram assinaladas, apenas 22. Comportamento dos bancos.
45' O árbitro não deu nenhum minuto de tempo extra, recuperação de tempo perdido, pois não houve nenhum motivo para tal, de acordo com a lei 7 (a duração do jogo)
50' Sem penálti. A bola é colocada em profundidade para Brennan Johnson, que parte de posição legal. Depois, já na área lusa, cai sem que João Cancelo o tenha rasteirado ou cometido qualquer infração. Houve apenas um contacto lateral, corpo a corpo e sem falta.
59' Adiantado. No momento do passe de Bruno Fernandes para Cristiano Ronaldo, este estava adiantado em relação ao penúltimo adversário, Ben Cabango. O assistente validou o golo, mas depois o VAR, bem, reverteu a decisão. Intervenção correta.
Relvado em condições medíocres, a dificultar muitas ações técnicas individuais dos jogadores. A não amostragem de cartão amarelo a Sheehan.
71' Antidesportivo. Ben Cabango ia sair do terreno. De repente, sentou-se no relvado, para que o seu treinador pudesse continuar a dar instruções, com o objetivo de perder tempo e retardar o recomeço de jogo. O árbitro, depois de ele se levantar, advertiu-o.
74' Brennan Johnson dominou claramente, e de forma deliberada, a bola com o braço esquerdo. O árbitro nada assinalou e desse lance quase surgiu o golo galês, que seria anulado com intervenção do VAR. Esta bola foi dominada numa zona ‘fronteira’ entre o ombro e o braço. A lei definiu, com a finalidade de determinar com clareza as infrações de mão na bola, que o limite superior do braço coincide com o ponto inferior da axila.
83' Sem penálti. Apesar de Chris Mepham ter o braço esquerdo ao nível do ombro direito de Gonçalo Ramos, esse contacto não teve consequência nem impediu que o avançado luso conseguisse rematar à baliza adversária. Lance legal e sem infração para castigo máximo.
90' O árbitro deu cinco minutos de tempo extra, em virtude das seguintes incidências do segundo tempo: a mostragem de um cartão amarelo, com perda de tempo, na ocasião, por parte de Ben Cabango, pelo golo anulado a Cristiano Ronaldo, por fora de jogo, que teve intervenção VAR, e ainda tivemos seis paragens para substituições, em que entraram nove jogadores.
Das 12 faltas cometidas pela Seleção Nacional, cinco foram cometidas por Renato Veiga, que arriscou a mostragem de cartão amarelo, não pela natureza das infrações cometidas, mas sim por infringir com persistência as leis de jogo ao longo da partida. Há que relembrar, contudo, que a lei 12 (faltas e incorreções) na página 115, diz, a propósito do número de faltas, que «… não está definido um número ou padrão específico de infrações a partir do qual se possa considerar persistência» o que significa que fica ao critério do árbitro a decisão de mostrar amarelo em virtude de faltas cometidas num curto espaço de tempo ou ‘espalhadas’ ao longo do jogo, quando esse número é significativo.
Nota do árbitro: 6