João Cancelo: «Xavi quis sacrificar-se para que a equipa se soltasse mais»
João Cancelo apresentado no Barcelona

ENTREVISTA A BOLA João Cancelo: «Xavi quis sacrificar-se para que a equipa se soltasse mais»

INTERNACIONAL24.03.202407:00

Defesa português mostra-se confiante para o que resta da Liga dos Campeões; assume que a equipa está melhor desde o anúncio da saída do técnico espanhol; diz que o Barcelona é o clube no qual está a desfrutar mais de estar

Antes da paragem para os compromissos das seleções - por isso não se questionou sobre o exame cardíaco a que foi sujeito depois-, o defesa de 29 anos abriu o coração a A BOLA. Feliz no Barça, admitiu que entrou em rota de colisão com Pep Guardiola, falou da passagem pelos catalães, mas foram as juras de amor ao Benfica que se destacaram numa conversa em que recordou a convivência com Rúben Amorim na Luz

- O Barça está de volta aos quartos de final da Champions pela primeira vez desde 2019/2020. Como encara o confronto com o PSG?

- Na Champions todas as equipas são fortes. O PSG é uma equipa que tem grandes individualidades e um grande treinador, que aprecio muito. Vai ser um jogo muito difícil, mas vamos tentar. Somos o Barcelona e vamos tentar fazer o nosso jogo e tentar ganhar.

- Barcelona, PSG, Atlético Madrid e Dortmund estão, por assim dizer, no lado mais fácil da competição. Isto faz com que a Liga dos Campeões seja um sonho ou uma realidade?

- Desde que cheguei aqui, sonho sempre foi. Este clube tem cinco Champions, a última das quais em 2015. Vamos sonhar, temos todo o direito a fazê-lo. Somos uma equipa jovem, mas com grande futuro e eu acho que estamos no caminho certo. Dependerá muito dos nossos jogos daqui para a frente, da forma como vamos encarar cada um deles, mesmo no campeonato. Estou com um feeling que pode correr bem.

- Sente que jovens como o Lamine Yamal e Pau Cubarsí, entre outros, estão preparados para jogos desta dimensão, num clube como o Barcelona, que vive sob grande pressão?

- Sinto que o Barcelona é um clube muito difícil de jogar a nível mental. Os adeptos são muito exigentes até pelas equipas anteriores que tiveram e percebe-se o porquê de haver tanta exigência e isso é bom para eles. O Lamine, o Cubarsí, Fermin, Marc Guiu, Héctor...são jogadores que se treinam connosco desde o início da época e estão mais que preparados para encarar estes desafios.

- Do outro lado, estará Kylian Mbappé. É um nome que já assusta no balneário?

- Acho sempre que é um jogador a ter em conta. Neste momento é top 3 mundial.

Kylian Mbappé no Real Sociedad-PSG (Imago)

- Quem são os outros dois?

- Eu sou fã do Bernardo Silva. Punha também o Haaland, o Kevin De Bruyne e o Rodri.

- A equipa está mais liberta psicologicamente desde o anúncio da saída de Xavi?

- Não vejo por esse lado, até porque o treinador foi sempre uma pessoa corretíssima connosco. Acho que ele, se não for da nossa equipa aquele que mais ama o clube, estará entre um dos que mais ama. É uma lenda do Barcelona e às vezes as pessoas esquecem-se do que ele fez para estar aqui. Encarou o desafio do clube quando este não estava no melhor nível económico, de jogadores, e isso é de louvar. Não é só quando se ganha que tem de se dar valor. Já como jogador apreciava-o muito e, desde que tenho o prazer de o ter como meu treinador, aprecio-o ainda mais. O Xavi deu-nos esse alívio, porque ele mesmo quis sacrificar-se para que a equipa se soltasse mais.

- O João também sente que é, por vezes, 'tóxico' jogar no Barcelona?

- Eu tenho uma mentalidade muito forte, até porque a nível pessoal já passei muito e sempre olhei para a vida de uma forma positiva. Já passei por piores momentos na minha vida pessoal do que na vida desportiva. A pressão afeta mais a uns do que a outros. A mim não me afeta tanto porque eu criei uma barreira. A partir do momento em que perdi a minha mãe, fui obrigado a crescer muito mais rápido, a ter muito mais maturidade, a ser o líder da minha família. Nem todos são assim. O Barcelona é um clube difícil, mas é o clube da minha carreira em que estou mais a desfrutar, sempre quis estar aqui.

João Cancelo no Barcelona-Nápoles (Imago)