Boavista-V. Guimarães: o fim da crise ou o prolongamento do estado de alma?
Estádio do Bessa é palco de um clássico do futebol português entre panteras e conquistadores. (Foto: Facebook Boavista)

ANTEVISÃO Boavista-V. Guimarães: o fim da crise ou o prolongamento do estado de alma?

NACIONAL16.12.202308:00

Panteras não vencem para a Liga há praticamente três meses, clube atravessa graves problemas financeiros e no banco já não estará Petit, o obreiro das campanhas das duas últimas temporadas; Conquistadores chegam ao Bessa com (largas) vistas europeias e em jornada de Sporting-FC Porto e SC Braga-Benfica até podem 'encostar' ainda mais à frente; vimaranenses vêm de três triunfos consecutivos, o último dos quais diante do... líder

Estejam as equipas como estiverem, um duelo entre Boavista e Vitória de Guimarães (ou vice-versa) será sempre um clássico do futebol português. Porque, afinal, estamos na presença de dois históricos do nosso campeonato.

E hoje é o dia de panteras e conquistadores medirem forças pela primeira vez na presente temporada. O embate, que vai ter como palco o não menos mítico Estádio do Bessa, tem início marcado para as 20.30 horas e promete ser escaldante.

E escaldante não apenas pela enorme dimensão dos dois emblemas ou pela incontestável paixão dos seus adeptos. Será escaldante também pelo momento por que passam Boavista e Vitória de Guimarães. Que estão, pode dizer-se, nos antípodas.

Não tanto ao nível classificativo - porque o Boavista vai conseguindo viver às custas de um sensacional arranque de época -, mas devido aos desempenhos recentes. E se não fosse a 'almofada' pontual que os axadrezados conseguiram nas primeiras jornadas da Liga, então, porventura, a diferença entre as duas equipas não seria 'apenas' de 10 pontos no final das primeiras 13 rondas do campeonato.

A questão central prende-se com a crise que se instalou no Bessa. Em contraste com o estado de alma que se vive em Guimarães. O Boavista está com graves problemas dentro e fora do campo, o Vitória parece estar numa curva ascendente difícil de travar.

BOAVISTA

Mas vamos, então, a factos. O Boavista, como é do domínio público, está inundado num mar de dificuldades financeiras. Há relatos de ordenados em atraso a jogadores e funcionários. E soluções, para já, nem vê-las. Esse foi também um dos motivos que levou à saída de Petit do comando técnico.

Costuma dizer-se na gíria futebolística que as pessoas vão e as instituições ficam, algo que não merece contestação, mas também não é menos verdade que há uns casos mais especiais que outros. É o... caso de Petit. Porque o antigo internacional português é (e continuará sempre a ser...) um 'homem da casa'. Afinal, foi no Bessa que Petit se formou, foi no Bessa que Petit viveu um dos momentos mais altos da sua carreira (e teve vários...) - fez parte da equipa do Boavista que se sagrou campeã nacional, na época 2000/2001 -, foi no Bessa que Petit terminou a sua carreira de jogador (2012/2013), foi no Bessa que Petit iniciou a sua carreira de treinador (nessa mesma temporada que abandonou os relvados) e foi no Bessa que Petit elevou ainda mais as suas capacitações técnicas nas duas últimas épocas. São precisas mais razões para justificar a relação umbilical de Petit com o Boavista? São precisas mais razões para se perceber a importância que Petit teve no (crescimento do) Boavista num passado recente? Talvez não sejam. O que será necessário é perceber qual será o futuro do Boavista sem Petit. Nenhum clube depende de um treinador, é um facto, mas o renascimento pode, neste caso, ser mais difícil do que noutras circunstâncias...

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Saída de Petit foi apenas um dos sintomas do momento tumultuoso que assola as panteras: problemas financeiros pairam como uma nuvem negra sobre o Bessa; dois meses de salários em atraso para a equipa principal e três para os funcionários; vaga de lesões expôs fragilidade do plantel e deitou por terra arranque fulgurante; continuidade de Vítor Murta à frente do clube é uma incógnita

O futuro próximo, no que concerne ao comando técnico, passa por uma dupla. Também ela da casa. Jorge Couto (elemento há muitos anos na estrutura e que possui o nível IV UEFA Pro) e Ricardo Paiva (treinador dos juniores) são os senhores que se seguem ao leme dos boavisteiros. Não se sabe, para já, se de forma transitória ou definitiva. Decisão que também poderá vir a depender dos... resultados. Financeiramente, a permanência de ambos no cargo não acarreta custos aos depauperados cofres do Boavista. Mas, e por outro lado, nenhum dos dois tem experiência a este nível. Se bem que tem sempre de haver um começo...

Mas os dirigentes da pantera têm estado a analisar vários nomes para a sucessão a Petit e, tal como A BOLA anunciou em primeira mão (e reitera), Filipe Gouveia é o mais desejado. As conversas entre as partes têm-se sucedido, mas ainda não foi encontrada uma plataforma de entendimento.

Possibilidades à parte, há um jogo para disputar esta noite. Com mais ou menos problemas, os jogadores do Boavista apresentar-se-ão no relvado do Bessa para dignificarem a camisola do clube. E tentarem, claro está, inverter o rumo dos acontecimentos. No plano desportivo, obviamente, Porque mais não podem fazer...

E o primeiro (ou o último?...) teste da dupla Jorge Couto/Ricardo Paiva é um teste de... fogo. Porque além da qualidade do adversário, deve também ser analisado o percurso do Boavista nos últimos tempos: seis jogos consecutivos sem ganhar (cinco derrotas para a Liga e uma para a Taça de Portugal - sendo que, neste caso, o desaire surgiu no desempate por penáltis). Foi, aliás, na prova rainha que as panteras conseguiram o último triunfo - 3-1 à Oliveirense, a 22 de outubro -, mas se nos centrarmos no campeonato, é preciso recuarmos praticamente três meses para constatarmos a derradeira vitória até à data: foi a 18 de setembro, diante do Chaves (4-1), jogava-se, então, a 5.ª jornada da Liga.

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Equipa provável (3x4x3): João Gonçalves; Chidozie, Rodrigo Abascal e Bruno Onyemaechi; Pedro Malheiro, Seba Pérez, Makouta e Filipe Ferreira; Salvador Agra, Robert Bozenik e Tiago Morais

Lesionados: César, Luís Henrique e Augusto Dabó

Castigados: -

Figura: Robert Bozenik

É o melhor marcador da equipa (oito golos) e o terceiro jogador mais utilizado do plantel (apenas atrás de João Gonçalves e Chidozie). Numa altura em que a equipa tanto precisa de 'salvadores' (e apesar de haver, literalmente, um, no caso, Agra), o internacional eslovaco perfila-se para estar na frente da lista de elementos com mais capacidades para reabilitar o Boavista. É um facto que um ponta de lança está maioritariamente dependente das ações do coletivo, mas a inteligência tática de Bozenik poderá ser um trunfo para fugir à marcação contrária e 'agredir' a baliza adversária.

VITÓRIA DE GUIMARÃES

No polo oposto. Assim está o Vitória em comparação com o Boavista. Porque os vimaranenses subiram bastante de produção com a entrada de Álvaro Pacheco para o comando técnico e aos bons resultados juntam também exibições de encher o olho.

Não é por acaso que os conquistadores estão confortavelmente instalados no 5.º lugar da tabela classificativa, a apenas quatro pontos do SC Braga, a cinco do Benfica, e a seis da dupla que segue na liderança, no caso, o Sporting e o FC Porto. Sendo que, acrescente-se, nesta jornada há (outros) dois clássicos: SC Braga-Benfica e Sporting-FC Porto. Ou seja, em caso de triunfo no Bessa, o Vitória de Guimarães ganhará sempre pontos a dois dos quatro adversários que vão à sua frente e, num cenário ainda mais atrativo, ganhará pontos a todos eles (caso os duelos de Braga e Alvalade terminem empatados)!

Os minhotos chegam à cidade portuense à boleia de três vitórias consecutivas: 4-1 ao Lank Vilaverdense, para a Taça de Portugal, 2-1 ao Farense e 3-2 ao Sporting, ambos para a Liga. Sendo que este último triunfo, diante do conjunto leonino, ajudou, por certo, a reforçar (ainda mais) a confiança. Que estará, por esta altura, nos píncaros. Ou, pelo menos, muito perto disso.

Ainda que não seja necessário, deduz-se, acrescentamos outro dado que pode aumentar ainda mais a motivação dos vimaranenses: em caso de triunfo sobre o Boavista, o Vitória de Guimarães iguala a melhore série de vitórias seguidas (4). Tal feito foi conseguido no mês de outubro: 3-2 ao Estoril (ainda com Paulo Turra no comando técnico), 3-1 ao Famalicão (na estreia de Álvaro Pacheco), 3-1 ao Moncarapachense, para a Taça de Portugal, e 5-0 ao Chaves.

Equipa provável (3x5x2): Bruno Varela; Jorge Fernandes, Borevkovic e Tomás Ribeiro; Miguel Maga, Tomás Handel, Tiago Silva, João Mendes e Ricardo Mangas; Jota Silva e André Silva

Lesionados: Mikel Villanueva e Telmo Arcanjo

Castigados: -

Figura: Jota Silva

O desequilibrador. O elemento que a qualquer momento arranca e dificilmente é travado. O extremo/avançado encaixa que nem uma luva na estratégia vimaranense e além de andar quase sempre em excesso de velocidade tem também uma qualidade técnica acima da média, algo que lhe permite ter vantagem nos duelos individuais. Depois, e como se já não bastasse, também tem golo. Já chegou à mão cheia esta época e, neste particular, é apenas superado por André Silva (7), o seu cúmplice perfeito no ataque. Sendo que neste espaço também poderiam pontificar Tiago Silva. Ou João Mendes. Dois criativos que potenciam ao máximo a dupla da frente.

O que disse Álvaro Pacheco na antevisão à partida: