Vice-presidente de Trump pede ao Papa para ter «cuidado ao falar de teologia»
As críticas do Papa Leão XIV ao bombardeamento norte-americano contra o Irão levaram o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, a aconselhar o pontífice a ter «cuidado ao falar sobre questões de teologia». A troca de palavras, que também envolve o presidente Donald Trump, evidencia as tensões entre a religião e a política externa norte-americana.
A polémica teve início quando o Papa afirmou que «qualquer discípulo de Cristo nunca estará do lado daqueles que antes empunhavam a espada e hoje lançam bombas».
God does not bless any conflict. Anyone who is a disciple of Christ, the Prince of Peace, is never on the side of those who once wielded the sword and today drop bombs. Military action will not create space for freedom or times of #Peace, which comes only from the patient…
— Pope Leo XIV (@Pontifex) April 10, 2026
Em resposta, durante um evento do grupo Turning Point USA na Universidade da Geórgia, JD Vance, que é católico, fez uma analogia histórica para rebater as críticas.
Vice President JD Vance said Pope Leo should be careful when talking about theology, days after the pontiff emerged as a growing critic of the US-Israeli war on Iran pic.twitter.com/oNS7MIehFn
— Reuters (@Reuters) April 15, 2026
«Como se pode afirmar que Deus jamais está do lado daqueles que empunham a espada? Estava Deus do lado dos americanos que libertaram a França dos nazis? Estava Deus do lado dos americanos que libertaram os campos do Holocausto? Claramente acho que a resposta é sim. Da mesma forma que é importante para o vice-presidente dos Estados Unidos ser cuidadoso ao falar sobre políticas públicas, acho que é muito, muito importante que o Papa seja cuidadoso ao falar sobre questões de teologia», referiu.
Apesar do tom crítico, Vance procurou suavizar a sua posição. «Tenho muito respeito pelo papa. Gosto dele e admiro-o, já o conheci um pouco», afirmou, acrescentando: «Não me incomoda quando fala sobre questões do momento, francamente, mesmo quando discordo de como ele aplica determinado princípio».
O presidente Donald Trump descreveu há dias o Papa, numa publicação nas redes sociais, como «fraco no combate ao crime» e «péssimo em política externa», ao mesmo tempo que publicou - e apagou - uma imagem de inteligência artificial em que aparecia como Jesus.
Por sua vez, o Papa Leão XIV não recuou, mantendo a sua oposição ao uso da força militar e declarando que «não tem medo do governo Trump». Noutra ocasião, o pontífice afirmou que «o coração de Deus está dilacerado pelas guerras, pela violência, pela injustiça e pelas mentiras».
Este confronto verbal ocorre num contexto delicado, marcado pela guerra com o Irão, um cessar-fogo considerado frágil e as dificuldades da administração norte-americana em manter o apoio político para uma intervenção militar.