Roberto Martínez dá indicações a Cristiano Ronaldo durante o Portugal-Dinamarca (Foto: Miguel Nunes)
Roberto Martínez dá indicações a Cristiano Ronaldo durante o Portugal-Dinamarca (Foto: Miguel Nunes)

Vem aí companhia para Cristiano Ronaldo e Ramos: «Precisamos de três pontas de lança»

Roberto Martínez anuncia que haverá mudanças na composição da convocatória para o Mundial

Ao contrário do que aconteceu no Europeu 2024 e do que tem sido habitual nas convocatórias mais recentes de Portugal, Roberto Martínez está a contar levar três pontas de lança ao Mundial que se disputa no verão nos EUA, México e Canadá.

A celebrar três anos à frente da Seleção, Roberto Martínez concedeu neste domingo uma entrevista à agência Lusa e revelou sentir a necessidade de trazer sangue novo para a frente de ataque que tem contado apenas com Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos como opções.

«A porta da seleção está sempre aberta, mas a competitividade que existe faz com que a dificuldade em entrar seja grande. Mas, neste momento, achamos que precisamos de um terceiro ponta de lança e que essa será uma posição importante para Mundial», disse, deixando em aberto que pode haver novidades já para a próxima convocatória, ainda que sem revelar nomes ou perfis de jogadores que possam entrar na lista.

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«Temos vários perfis e o estágio de março vai ser muito importante nisso», acrescentou sobre o momento em que Portugal vai atravessar o Atlântico para participar em jogos particulares frente ao México e aos EUA, nos dois países que recebem a competição do próximo verão.

«Este Mundial vai ser complexo e exigente para as seleções europeias. Por isso, este estágio vai ser muito importante para primeiro jogarmos em altitude, no México, e depois num estádio fechado, que será com os EUA. Achámos que devíamos experimentar isso antes do Mundial e para nós é a preparação perfeita», defende.

O treinador espanhol que teve como ponto alto desta caminhada a conquista da Liga das Nações em 2025, defende que a Seleção «terá pela frente o maior desafio», mas conta com a experiência que também já tem como selecionador para guiar a equipa das quinas até o mais longe possível na competição, sublinhando que o mais importante é fazer os jogadores acreditarem que podem sair da prova como campeões do Mundo.

«Vai ser o meu terceiro Mundial e aprendi que ninguém chega como uma equipa campeã. É preciso crescer durante os primeiros três jogos e fazer tudo para que os nossos jogadores estejam confortáveis durante o torneio. Não temos história em Mundiais e isso faz parte da nossa preparação psicológica. Ir passo a passo e fazer os jogadores acreditarem que podemos realmente ganhar o Mundial».

Recorde-se que Portugal vai disputar o Grupo K, que terá sede em Houston e em Miami, e arranca o torneio frente ao vencedor do play-off intercontinental, que será conhecido em março (Jamaica, Nova Caledónia ou República Democrática do Congo), seguindo-se duelos com o estreante Uzbequistão e a Colômbia.

O peso de Cristiano Ronaldo o «barulho» pós-eleições

Quando se fala de Seleção há um tema recorrente: o peso de Cristiano Ronaldo, que em fevereiro celebra o 41.º aniversário, e que continua a ser indiscutível na equipa como capitão e habitual titular.

Ainda assim, e questionado sobre o episódio que em 2022 fez com que Fernando Santos colocasse Ronaldo no banco a meio da competição, Martínez assegura que a história do melhor marcador de sempre em seleções não pesa no momento em que o selecionador tem de tomar decisões.

«O que acontece à volta do Cristiano é um aspeto histórico. É um ícone do futebol mundial, mas isso não condiciona ou limita o nosso trabalho. O Cristiano está muito tranquilo e muito focado no dia-a-dia e isso é uma fórmula simples. Quando o Cristiano Ronaldo está bem, é muito importante para a seleção», aponta.

O técnico espanhol, de 52 anos, assumiu ainda que não passou completamente ao lado do ruído provocado pela entrada de Pedro Proença para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol, pouco antes da final-four da Liga das Nações que viria a conquistar, mas que até as notícias sobre o seu possível afastamento ajudaram a unir a equipa.

«Senti o barulho de fora. É normal, mas senti um foco especial da equipa. Um foco total. Ganhar a Liga das Nações na Alemanha, no formato mais exigente do futebol internacional foi um momento chave para nós. A perceção das outras seleções em jogar contra Portugal mudou», acredita.

De resto, Martínez termina contrato após o Mundial, mas garante que isso não o inquieta.

«Essa não é a minha preocupação agora. O meu foco é o Mundial. Estou muito satisfeito com o trabalho que estamos a fazer e com o apoio da federação. Todos estamos juntos para o próximo desafio. O objetivo é o Mundial2026 e depois falaremos do futuro. Adoro Portugal e adoro trabalhar com a seleção. O meu trabalho e o meu foco são fazer história para que se falem dessas conquistas nos próximos 15, 20 anos», conclui.