Internacional austríaco abriu o ativo na Pedreira com uma autêntica obra de arte
Internacional austríaco abriu o ativo na Pedreira com uma autêntica obra de arte

Toque de classe no reforço da candidatura a Istambul (crónica)

Nota artística de Florian Grillitsch — de calcanhar! — deu vantagem aos bracarenses. Cucho Hernández, de penálti, empatou para os sevilhanos. Eliminatória em aberto e sonho da grande final, na Turquia, é real

A probabilidade de a eliminatória não se decidir na Pedreira e ficar totalmente em aberto para o La Cartuja — casa emprestada ao Betis enquanto decorrem as obras no Benito Villamarín — era elevada. Bastante, até. A previsão assentava no equilíbrio entre as duas equipas. Ainda que ambas adotem estilos de jogo completamente diferentes: o SC Braga a privilegiar mais a posse em meio-campo ofensivo, o Betis a explorar de forma letal as transições. E foi tudo isto que aconteceu.

Com uma Pedreira efervescente, o SC Braga entrou de forma afirmativa e, logo aos três minutos, Ricardo Horta testou a atenção de Pau López. Não foi à primeira... foi à segunda. Mas não foi de qualquer maneira: foi com nota artística.

Ao minuto 5, e na sequência de um pontapé de canto batido por Diego Rodrigues, à direita, Florian Grillitsch pintou a manta e desvio de calcanhar (!) para o fundo das redes da baliza contrária. Que momento sublime do internacional austríaco. É daqueles que é para ver e rever — que merecia, por si só, valer a vitória: uma delícia!

Mas a vantagem da turma portuguesa despertou a fúria do conjunto espanhol. A partir desse momento e até bem perto do intervalo, os andaluzes colecionaram várias situações de finalização, mas nunca conseguiram selar o empate. E nessa fase agigantou-se Lukas Hornicek. Que está destinado a (outros) grandes voos europeus.

Já depois do golo anulado a Marc Bartra (7'), o capitão dos forasteiros cabeceou ao poste esquerdo (24'). E, logo depois, valeu novamente Hornicek, após tiro de Abde Ezzalzouli (26'). Os guerreiros estavam, por esta altura, a passar mal...

Gabri Martínez quis devolver algum protagonismo aos donos da casa, mas o extremo espanhol não conseguiu dar o melhor seguimento ao passe de Ricardo Horta, permitindo que Marc Bartra impedisse males maiores para a sua baliza.

O verde e branco voltou a intensificar-se, mas Cucho Hernández (37' e 44') e Pablo Fornals (41') foram também vítimas de Hornicek.

Ainda que contra todas as expectativas nesse momento, os comandados de Vicens podiam ter aumentado a contenda antes do intervalo: João Moutinho viu Bartra estar (novamente) no sítio certo e Pau Víctor atirou a rasar o poste.

A etapa complementar foi menos pródiga em situações de perigo, mas Florian Grillitsch queria mais: belo remate em arco (56'), para não menos vistoso voo de Pau López. E quando uns não marcam... estão outros desertos. Na resposta, Gorby foi obrigado a recorrer à falta para travar Ezzalzouli, no interior da área, e Cucho Hernández, chamado à conversão do castigo máximo, não perdoou. A partir daí, domínio quase absoluto dos minhotos, mas... inconsequente.

O Betis só voltou a aparecer na compensação, com um remate cruzado de Antony a deixar a Pedreira sem ponta de sangue...

Tudo em aberto para a segunda mão. O SC Braga tem todas as condições para ser feliz em Sevilha. Se assim for, o sonho da chegada à final de Istambul ficará ainda mais vivo. A candidatura está feita.