«A jogar 10 minutos, é difícil Schjelderup mostrar o que tem, eu passei por isso»
Tiago Gouveia, extremo cedido pelo Benfica ao Nice, elogiou Schjelderup, pelo modo como se tem vindo a afirmar no Benfica, mas lembrou os entraves vividos pelo norueguês, dizendo que passou pelo mesmo tipo de problemas no emblema da Luz.
«O Schjelderup jogava 10, 15 minutos, depois não jogava, depois jogava 5, depois jogava 10. Não estou a dizer isto para criticar a decisão e a opção do treinador. Que deveria jogar o Shjelderup e não jogar o Fredrik [Aursnes] ou o Sudakov à esquerda. Estou a falar da realidade dos factos», afirmou o jogador no programa Zona Frontal, do V+.
Para o extremo, a qualidade do norueguês é inquestionável, mas a falta de ritmo competitivo impede a afirmação: «A chave, para mim, é a continuidade. E a continuidade engloba muita coisa. Engloba a confiança. A jogar 10 minutos, 15 minutos, é muito difícil mostrar tudo o que ele tem. E eu passei por isso. E, portanto, sei perfeitamente o que isso é.»
«Vou dar o meu exemplo porque é igual ao dele. Em 10 minutos ou em 15 minutos, sempre tive aquele dilema. Ok, eu jogo simples e caio nas gracinhas. E ok, ele jogou simples, não perdeu as bolas, está tudo bem e é confiável. É um jogador confiável para a equipa. Ou vou assumir os riscos e se calhar em duas bolas que eu tenho em 10 minutos, perco as duas a tentar assumir riscos e eles depois cortam porque eu em duas bolas não consegui passar por ninguém», explicou.
E acrescentou: «Isso foi um dilema com o qual me deparei durante muito tempo. E era algo que me comia a cabeça porque eu não sabia muito bem o que fazer. Porque, lá está, a minha vida para mim dependia sempre daqueles 15 minutos, 10 minutos, em que entrava em campo, porque ou eu fazia alguma coisa de especial para poderem olhar para mim de maneira diferente, ou não fazia nada e também não olhavam para mim de maneira nenhuma», confessou.
O jogador lamentou ainda uma lesão que, na sua opinião, travou uma possível mudança na sua trajetória no clube: «Acredito muito e quero muito acreditar que isso poderia ter mudado a minha vida no clube e a forma como olhavam para mim.»
No caso de Schjelderup, destaca que, com o tempo, o norueguês conseguiu ganhar confiança e, consequentemente, margem para errar. «Ele continua a errar no um para um, continua a errar remates, continua a errar passes de ligação, mas depois ele erra duas ou três ou quatro vezes, mas depois acerta seis, sete ou oito», analisou.
«Nessas seis, sete ou oito, dá a vitória em Barcelos, marca o golo contra o Real Madrid e por aí adiante, não é? Teve espaço para errar e saber que não ia sair prejudicado. A partir daí mereceu e merece todo o sucesso que está a ter e eu estou muito feliz por ele, porque é um jogador fantástico e que é uma pessoa incrível também», concluiu.