Maxi Araújo é um dos jogadores mais influentes do Sporting (Foto Miguel Nunes)
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Sporting: Maxi recorda quando chovia dentro da sua casa

Esquerdino do Sporting relembrou os tempos de dificuldades financeiras na juventude e o ano em que esteve quase sem jogar no México

Antes da afirmação no futebol europeu e na seleção do Uruguai, a vida de Maxi Araújo foi marcada por carências extremas. Em entrevista aos canais oficiais da federação uruguaia, o esquerdino do Sporting recuou às origens no Montevideo Wanderers para recordar o dia em que chegou atrasado a um treino da equipa principal. Repreendido pelo treinador de então, Jorge Giordano — atual diretor de seleções da federação —, o jovem acabou por confessar o motivo do atraso.

«Chovia dentro da minha casa e tínhamos de acordar ao amanhecer. A chuva não parava há vários dias», lembrou. Perante o desabafo, o técnico passou das palavras aos atos e assumiu pessoalmente os custos da reparação do telhado da habitação da família. «Quando o vi arranjado, foi uma das sensações mais bonitas da minha vida. Comecei a chorar», confidenciou Maxi, explicando que, nessa altura, o salário que auferia mal chegava para as despesas essenciais. Mais de uma década passada, o gesto permanece bem vivo: «Agradeço-lhe sempre. Levarei essa atitude comigo até ao fim da vida.»

As provações, contudo, não se ficaram pela infância. Já no México, ao serviço do Puebla, o jogador passou quase um ano sem jogar e chegou a ponderar o regresso ao Uruguai. «A vida deu-me outra oportunidade. Foi aí que tudo começou», sublinhou.
A partir daí, a carreira deu um salto qualitativo. Assumiu a titularidade, impôs-se e concretizou o sonho de vestir a camisola da seleção principal do país. «Muitas vezes dormia com a camisola vestida», confessou, recordando a presença na Copa América e a afirmação na fase de qualificação e no próprio Mundial.

Um dos momentos mais marcantes ao serviço dos charruas aconteceu quando marcou um golo frente a Cabo Verde (2-2) e o dedicou ao seu ídolo, Luis Suárez: «Quando o focaram nos ecrãs do estádio, todos começaram a gritar. Olhei para a imagem e senti algo incrível. Convivi com ele e tratou-me como um filho», revelou.

Atualmente ao serviço da seleção uruguaia na digressão pela Ásia — que culmina na próxima terça-feira num particular diante da Índia —, Maxi Araújo abordou também a sua realidade no Sporting e as diferenças táticas entre o clube e a seleção.
«O novo selecionador, Diego Forlán, pede-me para jogar solto e para aparecer em diagonais da esquerda para o meio, a fim de visar a baliza», explicou o camisola 20 dos leões, estabelecendo o paralelo com a posição de lateral-esquerdo que habitual e maioritariamente desempenha em Alvalade.

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