Silvino Louro deixou-nos aos 65 anos - Foto: José Luís/A BOLA
Silvino Louro deixou-nos aos 65 anos - Foto: José Luís/A BOLA

Silvino: a última entrevista que deste para A BOLA

Há dois anos respirava felicidade: tinha-se convertido ao islamismo por amor à nova companheira

Com Silvino sucedeu-me o mesmo que com Alfredo Di Stéfano: através de mim ambos concederam, para o nosso jornal, a última entrevista antes de nos deixarem, casualidades feitas honra que preferiria mil vezes nunca ter tido. Di Stefano já tinha a sua idade, mas 67 anos não é idade para morrer, mas sim para desfrutar a vida como o fazia Silvino antes da chegada da maldita doença.

Quando há dois anos o entrevistei, Silvino respirava felicidade, tinha encontrado o amor e, por amor à sua jovem companheira, tinha-se convertido ao islamismo e procurava aprender os preceitos da sua nova religião para poder responder aos braços abertos como foi recebido na sua nova família. «Sinto-me um pouco como Muhammad Ali, haverá quem não compreenda, mas estou imensamente feliz pela decisão que tomei», disse ele que também reconhecia a satisfação que lhe dava jogar à bola com o neto mais velho.

Embora nessa altura estivesse sem trabalho, negava-se a dar por terminada a sua carreira de preparador de guarda-redes, notei-lhe uma certa mágoa por já não fazer parte da equipa de Mourinho, mas da sua boca não ouvi uma única palavra em contra do que tinha sido seu chefe, bem ao contrário, não escondia o seu agradecimento pela oportunidade que lhe tinha dado de poder trabalhar com ele, no fundo alguma esperança tinha de que voltassem a encontrar-se, a amizade entre ambos continuava intacta e quando recentemente esteve em Madrid com o Benfica, Mourinho teve o bonito gesto de ir ao hospital dar um último abraço ao seu velho amigo.

Eu não tive oportunidade de o fazer, íamos falando pelo telefone, mantendo viva uma amizade nascida nos seus tempos no Real Madrid até chegar a péssima noticia do seu adeus. Deixa-nos um senhor do futebol e uma grande pessoa a quem o Destino castigou cedo de mais e sem o merecer. Até sempre, amigo Silvino.