Declarações do presidente do FC Porto no âmbito das comemorações do 133.º aniversário do clube
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Samu recorda «pesadelo» e desabafa: «Não conseguia ver os jogos do Mundial»

Avançado do FC Porto assume que «voltou a sentir-se futebolista». Falou do processo em torno da lesão, elogiou De La Fuente e revelou convite espanhol durante Campeonato do Mundo

Samu voltou a desfrutar dos relvados depois de ultrapassada a grave lesão no ligamento cruzado do joelho direito, problema físico que lhe custou a presença no Mundial 2026. Em declarações prestadas ao programa El Larguero, o avançado do FC Porto, que voltou a jogar no clássico diante do Benfica, desabafou sobre o período de recuperação e admitiu que o processo foi doloroso a nível psicológico.

«Este pesadelo já passou. O mais importante é que voltei a sentir-me futebolista», começou por referir o jogador, recordando o momento em que soube da gravidade da lesão: «Antes da lesão sentia-me muito bem. Quando me disseram, a primeira coisa em que pensei foi no Mundial. Era um objetivo que tinha traçado há bastante tempo, quando nem era futebolista profissional. Quando estava na equipa secundária do Granada coloquei a mim próprio a meta de jogar o próximo Mundial. Vê-lo tão perto e fugir por uma desgraça foi muito duro para mim.»

O impacto emocional levou mesmo o avançado a afastar-se do ecrã durante as primeiras partidas da competição. «Não vou mentir, não conseguia ver os jogos. No primeiro jogo estava em casa, a minha mãe tinha a televisão ligada em baixo e eu estava em cima. Foi muito duro. Não conseguia ver nenhum, não apenas os de Espanha. Psicologicamente era muito duro. Até os meus amigos me diziam para ir a minha casa ver os jogos e, ao princípio, dizia-lhes que não podia. Com o passar do tempo fui assimilando e a partir de Portugal já comecei a ver», confessou.

Ainda sobre a prova, Samu revelou o convite que recebeu para assistir ao encontro decisivo: «Convidaram-me para ver a final em Nova Iorque. Não estava à espera. Encontrava-me em estágio com a equipa em Inglaterra e ligaram-me depois do treino. Fiquei muito nervoso, nem queria acreditar. Terem esse gesto demonstra muito sobre a Federação.»

Samu também fez questão de elogiar o selecionador De la Fuente pela proximidade manifestada durante a paragem: «Agradeço-lhe por se ter preocupado comigo. Ligou-me um par de vezes para saber como as coisas estavam a correr. É um gesto que se agradece.» Já sobre a experiência de integrar o conjunto espanhol, o avançado não escondeu o fascínio: «Fazer parte daquela seleção é um privilégio. Muitas vezes penso nisso, parece que estás a jogar Ultimate Team, parece que estás no FIFA. Quando vou fico um pouco nervoso, porque estar com todos aqueles jogadores é incrível.»

Na mesma conversa, Samu abordou a mudança para o Atlético Madrid, onde acabaria cedido ao Alavés, e a rápida ascensão na carreira: «Muitas vezes dou-lhe o devido valor, mas talvez não tanto quanto tem. Mudou a minha vida. Foi um dia inesquecível. Estrear-me na Primeira Divisão e marcar foi algo que nunca vou esquecer. Foi uma semana de loucura. Ao fim de três dias já estava em Madrid. Para mim e para a minha família foi difícil assimilar, porque estavas em baixo e de repente sobes ao topo do futebol europeu.»

O percurso pessoal e a ligação à família também mereceram destaque, em particular o papel materno, justificação para a alteração do seu apelido. «A figura da minha mãe foi muito importante para mim. Ela lutou muito para que a minha irmã e eu tivéssemos tudo. No fundo, poder dar-lhe agora uma vida melhor é a minha maior conquista. Foi um sofrimento quando éramos pequenos. A vida não era fácil. A minha mãe tinha de se fazer à vida. Fui criado em Sevilha, vivíamos num bairro humilde, onde também há muitos imigrantes como nós que procuram a vida», explicou, rematando: «Honrar a minha mãe é aquilo que tenho de fazer. Tudo o que ela fez por nós não tem preço.»

Por fim, questionado sobre a atribuição da Bola de Ouro, Samu não hesitou na escolha: «O Lamine merece. Tem de ser um espanhol. O Lamine faz a diferença. Digo-lhe várias vezes que até dá raiva vê-lo ser tão bom com apenas 19 anos. É um privilégio poder desfrutar dele.»

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