Exibição superlativa do emblema da Reboleira deixou os da casa mais perto da permanência - Foto: António Cotrim/LUSA
Exibição superlativa do emblema da Reboleira deixou os da casa mais perto da permanência - Foto: António Cotrim/LUSA

Rodrigo 'contratou' Marcus e Casa ficou num (tra)Pinho (crónica)

Ponta de lança bisou e empurrou tricolores para o regresso às vitórias. Extremo faturou e assistiu Doué. Primeira parte de luxo dos da Reboleira contrastou com o autêntico vazio de ideias da formação de Pina Manique

Talvez nem o mais fervoroso adepto do Estrela da Amadora ousaria dizer que a sua equipa chegaria ao intervalo do jogo com o Casa Pia a vencer por 3-0. Mas aconteceu. E de forma inteiramente justa, tanta foi a qualidade evidenciada pelos tricolores ao longo de toda a etapa inicial desde duelo de... vizinhos.

E se lhe dissermos que Álvaro Pacheco fez duas substituições ainda antes do descanso, então estaremos conversados quanto à inércia dos gansos nesse período. Porque, convenhamos, não é normal um treinador mexer em dose dupla na etapa inicial. Ou seja, este é apenas mais um dado que comprova que o treinador do emblema casapiano estava a ver o mesmo... que nós: a prestação da equipa deixou muito (mas mesmo muito) a desejar.

No entanto, e ainda que os referidos 45 minutos tivessem sido de total apagão dos forasteiros, não podemos, de todo, fazer dessa a tese. Porque o mérito esteve mesmo... do outro lado. Os da Reboleira entraram dispostos a colocar fim a um jejum que já durava há cinco encontros (dois empates e três derrotas) e Rodrigo Pinho deixou bem claro que queria faturar.

Depois de um remate para bela defesa de Patrick Sequeira (6') e de outro ao lado do poste (8'), o experiente ponta de lança marcou mesmo. Seba Pérez derrubou Ianis Stoica na área e o brasileiro, chamado à conversão do pontapé de penálti, abriu a contagem.

Perante um Casa Pia sem reação — apenas Abdu Conté assustou Renan Ribeiro, com um remate à malha lateral (30') —, o Estrela da Amadora continuou a carregar, pressionando alto e tendo qualidade de posse no meio-campo ofensivo, e foi sem surpresa que o marcador voltou a funcionar: erro de Khaly na saída de bola e Abraham Marcus, já depois de sentar o central angolano, a atirar para o 2-0.

Mas ainda havia tempo para mais um e fruto da sociedade dos dois grandes destaques dos visitados: Abraham Marcus assistiu e Rodrigo Pinho, de pé direito (!), bisou. A casa ficou num autêntico... (tra)Pinho.

Pensava-se que a história estava contada e que a seguir viria a gestão, mas a verdade é que os amadorenses continuaram a querer sempre mais e com um Abraham Marcus (que jogaço!) endiabrado houve mais um beneficiado: Eddy Doué, primo de Désiré Doué, estrela do PSG, estreou-se a marcar na Liga.

O Estrela chega aos 28 pontos e respira bem melhor, o Casa Pia continua com 24 e mantém-se na acérrima luta pela permanência.

O melhor em campo: Abraham Marcus (Estrela da Amadora
O extremo nigeriano esteve sempre ligado à corrente, envolvendo-se em quase todos os lances de ataque, fosse nas pré-assistências ou mesmo nos passes decisivos. Começou por apontar o 2-0, com astúcia e frieza, oferecendo, pouco depois, o 3-0 a Rodrigo Pinho. Não satisfeito, ainda serviu Eddy Doué em bandeja de ouro para o fim de festa perfeito na Reboleira. Que noite do 99!
A figura: Gaizka Larrazabal (Casa Pia)
É certo que teve imensos problemas no setor defensivo, mas entre duelos ganhos e perdidos houve algo que de que nunca abdicou: a raça que lhe é característica. Nunca se rendeu mesmo perante a apatia genaralizada e também tentou, como é, aliás, seu timbre, explorar o flanco direito para tentar os desequilíbrios no último terço ofensivo. Mas os companheiros estiveram sempre fora...

As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:

As notas dos jogadores do Casa Pia:

João Nuno (treinador do Estrela da Amadora):

Em primeiro lugar, queremos dedicar a vitória aos adeptos, têm sido fantásticos. Depois, dizer foi a nossa melhor exibição da época. Fizemos um grande jogo, todos cumpriram o plano. Temos de continuar e acredito numa boa parte final de época.

Álvaro Pacheco (treinador do Casa Pia):

Desde que cá estamos, foi claramente a pior prestação que tivemos. A responsabilidade é toda minha. O Estrela foi melhor do que nós e parabéns para eles. A equipa esteve sempre muito apática e desligada do jogo. Hoje não fomos casapianos.

Notícia atualizada às 23h19