O momento do SC Braga, a dúvida Diogo Costa, e 'alfinetada' aos leões e a Suárez: o que disse Farioli
— O SC Braga está no topo 8 da Liga Europa e roubou pontos aos candidatos. Este quadro ‘pinta’ as dificuldades que o FC Porto vai ter nesta jornada?
— Disse quase tudo. Estão muito bem desde o início da época e desde a chegada do atual treinador. É uma equipa que tem estado muito bem no campeonato e na Liga Europa, com esse feito de atingir o ‘top-8’ e a qualificação para a próxima fase da Liga Europa. É um conjunto que marca muitos golos e a equipa na Liga com maior posse de bola. São muito dominadores, agressivos, por isso espero um jogo bastante semelhante ao que fizemos frente ao Estugarda. A maneira como se comportam é bastante clara, apesar de serem mais orientados para guardar a bola. Com toda a certeza que será um jogo aberto entre duas equipas que entrarão com o mesmo objetivo. Temos de recarregar baterias e jogar todas as cartas nesta partida.
É um conjunto que marca muitos golos e a equipa na Liga com maior posse de bola. São muito dominadores, agressivos, por isso espero um jogo bastante semelhante ao que fizemos frente ao Estugarda.
— Tem alguns jogadores no boletim clínico? Qual é o quadro para a partida com o SC Braga?
— No treino tivemos a equipa quase toda disponível. Todos estão a recuperar bem. O único que está sob avaliação do departamento médico é o Diogo Costa, devido à dor nas costas. Além disso, tem uma pequena inflamação na perna, no adutor. Vamos decidir no último momento, antes do jogo, para ver se se sente confortável para competir e ir a jogo. Os outros estão prontos para jogar, exceto os que estão com lesões a longo termo. Quanto ao Rodrigo [Mora], estará fora entre 10 a 15 dias.
O único que está sob avaliação do departamento médico é o Diogo Costa, devido à dor nas costas
— Tem gerido muito a condição física dos jogadores. O SC Braga tal como o FC Porto também faz essa gestão. Espera um adversário diferente?
— Não sei quem vão colocar no relvado e não posso controlar isso. Mas da nossa parte, temos a equipa pronta para competir a um bom nível. Dos 23 jogadores que estão prontos, vou escolher aqueles que acredito que vão aumentar a nossa chance de ganhar. Isso é mais importante. O SC Braga vem de um jogo internacional e jogou um dia mais cedo do que nós, mas parece-me evidente que será um jogo que vai exigir muito a nível físico. É uma equipa muito intensa e será também um jogo muito tático. Vai ser resolvido nos detalhes e na atenção total às pequenas coisas que podem mudar as dinâmicas.
O SC Braga vem de um jogo internacional e jogou um dia mais cedo do que nós, mas parece-me evidente que será um jogo que vai exigir muito a nível físico
— Espera ainda ter Luuk de Jong nesta campanha?
— Diria que é quase impossível, é bom termos consciência desta realidade. O Luuk fez poucos jogos e sentimos a falta dele desde o início de fevereiro. Nesta altura, no final de março, parece que o resto da equipa viveu bem com essa ausência. Com o Samu, são ausências pesadas. Falávamos do avançado número um e do número dois no início da época. O coletivo conseguiu gerir isto para não sentirmos tanto estas ausências. O Deniz [Gul] e o Terem [Moffi] começaram a ajudar-nos e ainda estamos em três competições que podemos vencer. Isso diz muito sobre o trabalho que estes rapazes fazem. Mas, infelizmente, penso que vai ser complicado ver o Luuk no relvado antes do final da época.
O Luuk fez poucos jogos e sentimos a falta dele desde o início de fevereiro. Nesta altura, no final de março, parece que o resto da equipa viveu bem com essa ausência. Com o Samu, são ausências pesadas. Falávamos do avançado número um e do número dois no início da época
— O FC Porto é o clube mais representado na seleção polaca. Como avalia este facto?
— Estamos muito contentes pelas chamadas do Bednarek e do Kiwior, que são habituais, mas também pela chamada do Pietuszewski. Há uns dias, tive uma chamada do diretor técnico da Polónia e estava curioso sobre a forma com o Oskar Pietuszewski se estava a comportar, porque a nível de desempenho em campo era tudo muito claro.
— Voltando ao SC Braga, terá sido das equipas mais corajosas no Dragão. Esse jogo ainda serve de referência para o FC Porto?
— Posso pegar na conferência de imprensa que fiz antes do jogo com o Estugarda e praticamente copiá-la. A vontade deles é ter a bola e circular no meio-campo adversário e combinando isso ao desejo que têm, à agressividade, ao envolvimento dos jogadores da frente, dos alas... São muito corajosos em todo o campo e é uma equipa que gosto muito pela forma como joga. E penso que teremos um jogo aberto entre duas equipas que colocarão em prática o seu futebol, claro que com pequenas diferenças.
— Requisitou algum jogador à equipa B em virtude da lesão do Mora? Isso obriga a dar mais tempo de jogo ao Gabri Veiga?
— A evolução do Gabri Veiga é muito importante, depois da lesão que sofreu contra o Vitória, para a Taça da Liga. Levou alguns dias a recuperar a forma, vinha do melhor jogo da época, contra o Nice. A lesão abrandou um pouco o ritmo, mas está a recuperar. Além do golo, teve duas ou três boas oportunidades. O impacto na equipa foi muito positivo, e podemos recuar aos outros jogos em que jogou noutra posição. É muito claro o nível de apreço que tenho pelo Gabri. Agora, sem o Rodrigo [Mora], espero que apenas para este jogo, é algo que temos de gerir de maneira diferente. O Tiago Silva, do FC Porto B, vem connosco.
É muito claro o nível de apreço que tenho pelo Gabri. Agora, sem o Rodrigo [Mora], espero que apenas para este jogo, é algo que temos de gerir de maneira diferente. O Tiago Silva, do FC Porto B, vem connosco.
— Em teoria este será o jogo mais complicado até ao final da campanha. O grupo sente isso e sente que ganhando abre caminho para ganhar o título?
— Quantos jogos faltam? E quantos pontos, sabem? O SC Braga é muito forte, mas a corrida ainda é longa. Como sempre, vamos passo a passo. Será importante, mas trata-se apenas de um jogo.
Não é o FC Porto a ser prejudicado aqui, é a Liga. Temos uma luta pelo título envolvida, a permanência e tudo mais. Na semana passada, levei com muitas críticas por ter dito que havia tratamento especial. Estamos a falar de factos claros
— Relativamente ao adiamento do jogo do Sporting com o Tondela: teme que o FC Porto possa vir a ser prejudicado?
— Não se trata de o FC Porto ser prejudicado, trata-se da Liga. Não jogamos sozinhos. Falamos de equipas que lutam pelo título e também pela permanência e tudo o que está ligado. Há duas semanas, quando fui muito educado e falei em 'tratamento especial', recebi muitas críticas de alguns colegas seus, até com um comunicado do outro lado. Aqui falamos de factos claros. Relativamente ao SC Braga, receberam o mesmo tratamento. Trata-se de prioridade. A primeira é proteger as equipas que jogam na Europa e isso é importante para o futebol português. É por isso que fico contente porque o SC Braga teve a oportunidade de descansar e isso até é uma desvantagem para nós, mas não ouviram uma palavra do meu lado sobre estarmos mais cansados do que eles. Por outro lado, se o calendário está cheio e adiamos um jogo sem saber quando vai ser remarcado, acho que é normal falar em tratamento especial. O exemplo da Premier League é totalmente diferente. Estamos a tentar, não sei como traduzir para inglês, mas em italiano é justificar o injustificável. Este tipo de tratamento… Talvez tenha chegado de paraquedas de outro país, mas há coisas muito claras. 15 minutos no VAR, esta situação, ainda estamos à espera da justificação sobre um jogador [Luis Suárez, Sporting]que fez um gesto em frente a uma câmara…. Podemos falar do que quiserem, mas são factos claros. Infelizmente, com o adiamento para uma data que não sabemos qual é, as pessoas esquecem-se, esquecem-se e esquecem-se. E, numa Liga onde tudo é tão apertado, para vencer a Liga, para conseguir a qualificação para a Europa e para evitar a permanência, acho que estes pequenos ajustes podem determinar o resultado. Com estas coisas, não vamos na direção de termos uma competição justa. Dar lições morais ou falar de ética não nos faz estar no topo da ética. Falei sobre tratamento especial e mantenho as minhas palavras. Duas semanas depois, todo o futebol português percebeu que as minhas palavras não estavam longe da realidade.
Talvez tenha chegado de paraquedas de outro país, mas há coisas muito claras. 15 minutos no VAR, esta situação, ainda estamos à espera da justificação sobre um jogador [Luis Suárez, Sporting] que fez um gesto em frente a uma câmara…