Frederico Varandas, presidente do Sporting - Foto: Imago
Frederico Varandas, presidente do Sporting - Foto: Imago

No Sporting vence a competência

'O Mundo Sabe Que' é o espaço de opinião quinzenal de Nuno Saraiva, consultor e sócio do Sporting

1 O Sporting Clube de Portugal tem demonstrado, nos últimos anos, uma competência assinalável em duas áreas fundamentais para o sucesso desportivo: o scouting e a gestão da SAD. A identificação de talento fora dos radares mais óbvios tornou-se uma imagem de marca, com contratações cirúrgicas que revelam não apenas conhecimento profundo do mercado, mas também coragem estratégica.

Casos como os de Viktor Gyokeres (ex-Coventry), Morten Hjulmand (ex-Lecce), Maxi Araújo (ex-Plaza Colonia), Ousmane Diomande (ex-Midtjylland, após passagem pelo Mafra), Matheus Nunes (ex-Ericeirense com escala técnica no Estoril), Geny Catamo (ex-Amora) e até Zeno Debast (ex-Anderlecht) ilustram bem esta capacidade. Com exceção do capitão dinamarquês, todos chegaram provenientes de contextos menos mediáticos ou ligas periféricas, muitos deles de divisões secundárias ou com reduzida projeção internacional. Hoje, são (ou foram) peças-chave num plantel competitivo e valorizado.

Este sucesso não acontece por acaso. Frederico Varandas, presidente do clube, é um profundo conhecedor do fenómeno futebolístico, algo que se reflete na consistência das decisões que toma. A sua liderança tem permitido alinhar critérios desportivos com rigor financeiro, garantindo sustentabilidade sem comprometer a ambição.

A escolha criteriosa de treinadores é outro pilar essencial. Marcel Keizer conquistou dois títulos para o Sporting, duas finais contra o FC Porto de Conceição, numa fase de transição do clube depois dos acontecimentos traumáticos que se conhecem. Ruben Amorim afirmou-se como um dos técnicos mais competentes da sua geração, capaz de potenciar jogadores e consolidar uma identidade de jogo e conquistando seis títulos em quatro épocas. Rui Borges, por seu lado, surge como mais uma aposta de qualidade indiscutível, enquadrada num projeto que privilegia o mérito e a visão a longo prazo.

Importa ainda destacar o papel da Academia, que, após um período menos produtivo, voltou a assumir-se como uma referência. Jogadores como Geovany Quenda, João Simões, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Daniel Bragança, Flávio Gonçalves, Eduardo Felicíssimo, João Muniz, Samuel Justo ou Rafael Nel são exemplos claros de uma formação revitalizada, que continua a alimentar a equipa principal com talento de excelência.

Perante este conjunto de evidências, negar a competência instalada em Alvalade e Alcochete, como se tem pretendido fazer, é difícil de sustentar. Trata-se de um projeto sólido, coerente e sustentado em princípios de qualidade e seriedade. A prova mais evidente é a extraordinária campanha europeia que o Sporting Clube de Portugal tem feito na presente temporada. Acabou a fase liga da Champions em 7.º lugar, e chegou aos quartos de final da mais importante competição de clubes do Mundo. Ou seja, Sporting consolidou o seu estatuto, profetizado por José Alvalade, de clube «tão grande como os maiores da Europa».

Ignorar isso só pode resultar de distração ou de algo menos inocente como a má-fé de quem, vá lá saber-se as razões, promove a batota e não o fair play.

2 A campanha europeia do Sporting CP na época 2025/26 tem sido extraordinária e a consequência de um trabalho de extrema qualidade. As vitórias sobre o campeão europeu PSG, o Marselha, o Athletic Bilbao, o Club Brugge e a remontada histórica com o Bodo/Glimt — não sei se Francesco Farioli e André Villas-Boas se lembram de quem são estes vikings noruegueses — são a materialização, dúvidas houvesse, da competência indiscutível destes jogadores, de Rui Borges, da estrutura do futebol e, naturalmente, do timoneiro Frederico Varandas.

Sendo absolutamente realista, tenho de reconhecer a imensa dificuldade que vamos enfrentar em Londres. E, por isso, seja qual for o desfecho do segundo jogo contra o Arsenal, a verdade é esta: se os quartos determinarem a nossa queda, cairemos «de pé como as árvores», como proclamou a fabulosa atriz portuguesa Palmira Bastos, na peça As Árvores Morrem de Pé, do dramaturgo espanhol Alejandro Casona.