Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus - fotos: IMAGO
Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus - fotos: IMAGO
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

Nem um 'like', nem um comentário: balneário da Seleção 'despreza' comunicado de Ronaldo

Nas redes sociais, o silêncio dos internacionais portugueses é ensurdecedor. O capitão soma milhões de interações pelo mundo fora, mas entre os colegas de equipa o vazio é um exposição do fosso que se instalou?

Nas redes sociais, onde cada interação é minuciosamente calculada e tantas vezes serve de barómetro do ambiente de grupo, o silêncio à volta de Cristiano Ronaldo pode valer mais do que mil palavras. O comunicado publicado pelo capitão nas suas contas de Instagram e Facebook — onde procura dar a sua versão dos factos após o turbulento afastamento do estágio da Seleção Nacional — gerou uma onda gigante de reações à escala global. No entanto, no círculo mais próximo do avançado, a resposta foi... um absoluto deserto.

Os números das plataformas impressionam e demonstram a escala planetária da marca CR7: só no Instagram, a publicação ultrapassou a barreira dos 18 milhões de likes e acumulou mais de 62 mil comentários; no Facebook, o registo fixa-se nos 1,5 milhões de reações e em idênticos 62 mil comentários.

Como o mundo está a ver a 'guerra fria' Ronaldo vs. Jesus:

Galeria de imagens 8 Fotos

Milhões de adeptos, figuras do desporto internacional e celebridades apressaram-se a deixar o seu apoio ao capitão português. Contudo, numa análise atenta à lista de interações, salta à vista um detalhe sintomático e impossível de ignorar: nem um único jogador da Seleção Nacional deixou um gosto ou uma palavra de conforto ao seu (ex?) líder.

Esta indiferença digital não é um episódio isolado, mas sim o reflexo de um padrão que se tem vindo a instalar nos últimos tempos. Enquanto no ecossistema do balneário das quinas é habitual ver os atletas a trocar comentários, 'emojis' e gostos cruzados nas suas respetivas publicações pessoais, as plataformas digitais de Cristiano Ronaldo transformaram-se numa espécie de ilha isolada.

Os companheiros de equipa optam por uma postura de distância e não-envolvimento, evitando qualquer gesto que possa ser interpretado como uma tomada de posição na guerra fria que opõe o capitão à estrutura da Federação Portuguesa de Futebol e ao selecionador Jorge Jesus.

A ausência de reação por parte do grupo de trabalho expõe um fosso evidente entre o estatuto individual de Ronaldo e a dinâmica coletiva da equipa. Se no relvado do Dragão a Seleção deu sinais claros de maturidade e emancipação sem a presença do camisola 7, fora dele os jogadores parecem alinhados numa estratégia implícita de neutralidade — ou mesmo de desapego —, deixando Cristiano encurralado na sua própria narrativa.

Na era do futebol moderno, onde o like pode ser interpretado como uma espécie de nova moeda do afeto e da solidariedade de balneário, o vazio deixado pelos internacionais portugueses no comunicado de Ronaldo pode significar que o capitão está, mais do que nunca, a jogar sozinho.

A iniciar sessão com Google...