Ronaldo não pode (e não parece querer) voltar à Seleção
Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo
Cristiano Ronaldo, sobre a frase que validou para que o selecionador de Portugal lesse e não leu
Para quem esperou cinco dias entre abandonar o estágio da Seleção e vir explicar-se, esperava muito melhor. Esperava, pelo menos, argumentações e pedidos de desculpa que não deixassem o mundo inteiro a gozar com ele, a falar em «delírio», «comunicado bizarro» ou «C-Ego-7» em vez de C-R-7. Sobretudo depois de, pelo meio, tantos «amigos» terem andado mundo fora a testar explicações e a perceber que tudo o que tentavam apenas fazia pensar num miúdo mimado.
Compreendo que Ronaldo se tenha sentido enganado por Jesus. Não assisti às conversas entre eles, e acho peculiar que o selecionador aceitasse ler aqueles oito pontos delirantes em que o avançado do Al Nassr se equipara a Pelé e Maradona, mas não tenho grandes dúvidas de que JJ terá concordado em assumir na conferência que cometera um erro em deixar Cristiano a aquecer tanto tempo sem entrar. E na verdade fê-lo, mas aparentemente não com corda suficiente ao pescoço como Egas Moniz para satisfazer a dimensão do ego do capitão.
Mas o mais incrível é Ronaldo dizer que quer voltar e ao mesmo tempo queimar todas as pontes para o fazer. Já nem falo da «absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador» — basta a forma como parece colocar a condição de se sentir útil ligada a ser titular, ou a não aquecer sem entrar, para que Jesus não deva convocá-lo, mesmo que esteja disponível.