«Não há caso com Ronaldo» e «Proença não veio resolver nada»: o que disse Jesus
— Combinou o tempo de utilização de Cristiano Ronaldo e ontem ele recusou-se a treinar?
— Quero fazer uma introdução: o mais importante para mim é o objetivo daquilo que viemos fazer à Dinamarca. O respeito pelo adversário, um grande adversário, com a missão de conquistar a Liga das Nações e não tenho um jogador. Tenho 23. Podem pôr as questões que quiserem sobre qualquer jogador. Quanto ao Ronaldo, uma pergunta é pouco. Três é demais. Só respondo a duas perguntas sobre o Ronaldo. O principal tema de estar aqui é a Dinamarca e eu sou selecionador nacional. Respondendo à tua pergunta: É verdade que eu combinei com ele e não combinei só com ele. Criámos um plano com o Bruno Fernandes. E disse ao Cris que o jogo na Noruega e este jogo na Dinamarca ele não iria jogar. Porque eu trabalhei um ano com o Cris. Não o conheci há três meses na seleção. Trabalhei um ano com ele, conheço as condições físicas dele, completamente. E sei, porque já o fazia na Arábia, que de três em três dias raramente o Cris jogava. Além disso, o Cris nunca treina nos primeiros dois dias após o jogo. Eu combinei isso com ele. Quando tivemos a primeira conferência ele falou sobre isto, disse que é o que o míster quiser. Nunca se negou a nada e foi o que aconteceu. Só que eu sou um treinador que não vai para o banco a pensar que aos 60' vou tirar o Carlos Daniel. Não é assim que funciona. O jogo é que me diz o que vou fazer. Pensei que até tinha combinado com ele, mas se calhar até ao precisar dele nos últimos minutos. Mas o jogo ditou outras coisas e não o coloquei. É o ponto verdadeiro.
— Estive um ano a trabalhar com o Cris. Não há caso nenhum entre mim e ele. Não queiram fazer disto um caso onde não existe. Foi opção de treinador. Tinha um plano e eu disse. Isto para dizer que o estatuto é uma coisa. As regras são iguais para todos. O estatuto permite ao jogador, que o treinador, pelo passado da carreira deles, tenha algum cuidado nas decisões antes do jogo. Depois do jogo é a mesma coisa. Decido sempre em função do que é melhor para a equipa e com respeito pelos jogadores. Disse ao Bruno a mesma coisa. Ele queixou-se, vinha tocado do Manchester United, só que eu conheço o Bruno. Eu disse: 'Tu não és o Bruno que eu conheço, jogas mais do que jogaste...' Ele abriu-se e eu disse: 'No próximo não jogas. Jogas na Dianamrca se recuperares!. O que fiz com o Ronaldo, se não acontecer nada hoje, ele vai treinar aqui. O estatuto não dá direitos que os jogadores sejam diferenciados. O estatuto é o respeito pela carreira deles. Como faço com o Cris. Eu coloco sempre primeiro a questão, o plano, que é traçado com o jogador e quem decide sou eu. Eles sabem. Até os presidentes sabem. No clube manda o presidente, na equipa mando eu, em tudo o que eu estiver, mando eu.
— Ronaldo recusou-se a treinar?
— Ele não se recusou a treinar. O Francisco Conceição não treinou por estar lesionado, o Félix foi para descarregar a fadiga deste dois jogos. O Cris fez ginásio, mobilização no campo e depois foi fazer reforço para o hotel. Não se recusou e hoje vai treinar. E não se recusou treinar, isso era impossível. Vocês acham que algum jogador do nível de Seleção se recusa a treinar? Não é de Portugal, só. Só se se quiser ir embora. Se estiver com outras ideias… Não tenho problema em responder, mas o foco é a Dinamarca. Parece que viemos fazer um amigável… Portanto, esse é o foco principal, para mim, para os meus jogadores… É o mais importante. O que me estás a dizer… Não houve caso nenhum. Já expliquei. Tive tantos casos ao longo da minha carreira. Mas não houve caso! Não queiram fazer disto um caso. Qualquer jogador, quando aquece 20 ou 30 minutos, não há nenhum que fique contente. Quanto mais o Cris… Que tem estatuto. Se fosse o Pelé, o Maradona... Isso é o estatuto, mas os direitos são iguais. Depois decidi que não entrava. A reunião é isso. Vocês obrigaram-me a falar com o Cris de algo que não é um caso. Está a falar-se tanto disto que não estou a perceber. Não havia nada para falar. O presidente veio porque o presidente tem de estar aqui! Ele quis saber o que se passou. Mas depois de jantar, eu e o Cris já tínhamos resolvido o problema.
— Mas prometeu a Ronaldo que ia jogar 30 minutos com a Noruega?
— Falei com ele. Posso prometer o que eu quiser. Sou treinador. Isto é muito confuso para a tua cabeça… Eu sou treinador, disse ao jogador que não era para jogar, mas levo-te para o banco. Como vi o jogo à minha maneira, não entrou. Nunca vai haver um jogador que vá mudar as minhas ideias. Nunca, zero.
— Vai fazer mudanças na equipa?
— Já conversei com os jogadores. Vou fazer alterações. Fiz três ou quatro alterações entre os dois jogos. É obrigatória nesta competição. Quatro jogos em onze dias, praticamente de três em três dias, tens de mexer nos jogadores que te dão mais indicações de fadiga. São indicações após o jogo e os dias de recuperação é que nos vão dar essas indicações. Três ou quatro jogadores vão entrar de novo no jogo.
— Este foi um desafio à sua autoridade?
— O maior desafio que tive foi quando comecei a minha carreira, a trabalhar com jogadores num nível inferior. Difícil é trabakhar com nível médio onde se julgam que são bgrandes ogadores. Com grandes jogadores, é fácil. É tudo mais fácil, já estive em algumas equipas. São grandes jogadores, é mais fácil trabalhar.
— Em relação a alterações, poderão passar por Bruno Fernandes, João Félix e Francisco Conceição?
— O Félix ainda não treinou. Vou ver como ele está. Ele foi um dos jogadores que fez todo o tempo de jogo, está muito carregado nos dois soleares. É um músculo enganador, parece que está bom e não está. Estou à espera do treino e depois vou ver. Se estiver bom, vai jogar. Pode sempre haver alguma percentagem de jogar e depois não joga no Dragão… Também tenho de tomar decisões. O Francisco Conceição, o menino, vai estar fora.
— Porque prometeu que Ronaldo jogaria se depois não reuniu as condições de cumprir a promessa? E o que falou com Pedro Proença?
— Volto a falar do estatuto. O que é o estatuto? É uma carreira. O Cris tem estatuto e há outros que têm e nunca atingiram níveis tão altos. Eu mantenho a mesma ideia. No ano passado, num jogo do Al Nassr, meias-finais da Champions League asiática 2, o Mané, tem estatuto. Eu acho que ele tem estatuto pelo passado dele. Disse: “Mané, hoje não vais jogar”. Claro que ele não aceitou bem. É isso que faz o estatuto. O estatuto não tem regras diferentes dos outros. É igual! Ele não ia para o jogo, se eu precisar de ti, vais jogar 20 ou 30 minutos. E assim foi. Mandei-o aquecer aos 45 minutos, ainda não sabia... Aqui é que eu fiz mal. Devia tê-lo mandado aquecer 15 ou 20 minutos mais tarde. O Proença: o presidente falou comigo hoje de manhã e com o Cris, é o papel de um presidente. Quando há ruídos.
— A Dinamarca pede mais Cristiano ou Gonçalo Ramos?
— Se tudo acontecer normalmente, o Gonçalo é que vai jogar.
— Qual o plano para Bruno Fernandes? E Ronaldo pode entrar?
— Vou responder pela última vez… Não sei o que vai acontecer no jogo. Se precisar do Cristiano entra, se não precisar não entra. Vocês sabem o que eu estou a dizer. O Bruno Fernandes, vocês sabem que ele já foi meu jogador. Fez três posições comigo: segundo médio, segundo avançado e um extremo meio mascarado a jogar por dentro. Eu sei que ele faz estas três posições relativamente bem. Sei que a posição que ele melhor faz será como segundo avançado. Mas também sei que há várias formas de jogadores com um extremo/médio. Há jogadores com certas características para os quais os treinadores olham de forma diferente. O Bruno é um médio na mesma, mas, quando não tivermos bola, tem de defender mais longe da baliza adversária, mas o posicionamento dele é de dentro para fora.
— Como tem treinado as bolas paradas da Seleção?
— Eu sei que essa pergunta traz outra coisa atrás. No pouco tempo que tivemos para treinar, há momentos que ainda não treinei. Bola parada ofensiva, não há tempo para fazer. Vocês façam o que faziam, foi o que lhes disse. Defensivamente já temos trabalhado muito em termos de posicionamento. Ofensivamente ainda não trabalhei. Eles é que decidem o que já faziam.