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Não chores por mim, Argentina: tudo sobre a festa de despedida de Messi

País vai parar na próxima madrugada para se despedir de um génio. 80 mil bilhetes esgotam em duas horas, equipamento e coreografia especiais. E muitas lágrimas

A Argentina não foi campeã do mundo, mas Buenos Aires prepara-se para viver um dia de festa, embora pincelada com carradas de nostalgia antecipada: na próxima madrugada (hora de Lisboa), no Estádio Monumental de Núñez, com capacidade para 80 mil pessoas, o povo despedir-se-á de Messi, a sua maior figura do século XXI e o único que conseguiu rivalizar, ao nível de popularidade, com Diego Armando Maradona.

Depois de o camisola 10 ter anunciado, no final de agosto, que se retirava da seleção por já «nada poder acrescentar» a uma equipa com a qual venceu um Mundial e chegou a mais duas finais de Campeonatos do Mundo, ficou determinado que haveria o momento certo para o ritual do adeus. Que chegou agora.

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O adversário será o Benim, modesta equipa africana que ocupa o 93.º lugar do ranking FIFA e que será a 64.ª equipa adversária do esquerdino ao nível de seleções.

Os bilhetes esgotaram no espaço de duas horas e a dois dias do jogo a circulação junto ao estádio está praticamente proibida. A equipa irá exibir um equipamento especial, decorada com um Sol de Maio da bandeira nacional e ramos de louro emoldurando o número 10, que pode conferir na galeria abaixo:

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O dorsal «não será usado nos próximos tempos» por ninguém, tal como afirmou o selecionador, Lionel Scaloni, após o jogo particular em casa, frente ao Burkina Faso (ou melhor, a versão sub-23, visto que os principais jogadores recusaram viajar).

«Vai ser difícil não chorar», disse o técnico campeão do mundo no Qatar em 2022. «Leo merece despedir-se exatamente como e quando quiser. Resta-nos apenas nostalgia por ele já não estar lá. O futebol continua, mas o que ele transmite num campo a colegas, adversários e adeptos é algo que nunca vi em mais ninguém. A seleção vai continuar, mas logicamente nunca mais será a mesma», sublinhou um sempre emotivo Scaloni.

Nas bancadas espera-se um mosaico gigante formando o número 10, no momento em que Messi entrar no relvado, acompanhado da família e de (quase) todos os campeões do mundo em 2022. Ali ser-lhe-á também entregue uma réplica, em tamanho real, da taça de campeão do mundo, um objeto que concentra todas as expectativas, alegrias e também tristeza por que passou, ao ponto de em 2016 ter anunciado o adeus prematuro à alviceleste, depois de perder a sua terceira final em dois anos (Mundial, Copa América e Copa América Centenário). «A seleção acabou para mim. Já são quatro finais e não é para mim. Tentei muito, era o que mais desejava, mas não deu. Para mim, a seleção terminou, a decisão está tomada», afirmou à data.

Mudou de ideias 47 dias depois, na sequência de uma pressão popular quase incontrolável. Para bem de todos os argentinos: porque seis anos depois atingiria um ponto muito mais alto que o Obelisco de Buenos Aires. A mesma cidade que, em representação de um país, irá soltar muitas lágrimas pelo adeus da suas cores a um dos mais geniais futebolistas da história do futebol.

A lógica dos números

191: As internacionalizações pela Argentina, 4.º no ranking absoluto, liderado por Cristiano Ronaldo, com 217 jogos por Portugal.

112: Os golos pela seleção argentina, melhor marcador de sempre, à frente do 2.º do ranking, Batistuta (54).

26: Os jogos em Campeonatos do Mundo, superando o recorde anterior do alemão Lothar Mattaus.

4: Títulos pela seleção principal: 1 Mundial, 2 Copas Américas, 1 Finalíssima. E ainda os Jogos Olímpicos de Pequim.

Momentos marcantes na seleção

ESTREIA AMARGA: Jogo particular frente à Hungria, aos 18 anos. Entra aos 63' e é expulso apenas 43 segundos depois, acusado de dar uma cotovelada a defender-se de um puxão de camisola.

1.º GOLO EM MUNDIAIS: Com apenas 18 anos e 357 dias, marca o último golo na goleada de 6-0 à Sérvia e Montenegro no Mundial da Alemanha, tornando-se o mais jovem argentino a faturar na prova.

OURO EM PEQUIM: Lidera uma equipa de enorme talento (ao lado de Riquelme, Aguero e Di María) na conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, batendo a Nigéria na final. O primeiro título por uma seleção que não ainda a principal. O início de tudo.

DERROTA NO MARACANÃ: Perde a final do Mundial, em 2014, frente à Alemanha, no Maracanã. A derota irá marcá-lo, a ponto de dois anos depois deixar momentaneamente a seleção.

IMPEDE O ESCÂNDALO: Um hat trick no Equador, em 2017, salva, no último jogo de qualificação, a Argentina de ficar de fora do Mundial-2018.

REDENÇÃO: Copa América, 2021: quebra o enguiço de 28 anos sem títulos seniores da Argentina ao vencer o Brasil por 1-0 no Maracanã, erguendo o seu primeiro grande troféu pela seleção principal.

GLÓRIA NO QATAR: Bisa numa final épica, frente à França (3-3 após prolongamento, 4-2 nos penáltis) e ergue a tão desejada taça de campeão do mundo, no Qatar.

BICAMPEÃO: Segunda Copa América, vencendo a Colômbia na final realizada nos EUA.

FINALISTA EM 2026: Perde o Mundial com a Espanha, mas assina, aos 39 anos, exibições assombrosas. Que o diga a Inglaterra.

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