Festejo de William Gomes - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
Festejo de William Gomes - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

Hulk no topo, William Gomes a caminho: já marca como os mitos do dragão

Francesco Farioli trocou-lhe a ala e o brasileiro respondeu com golos - marca de 140 em 140 minutos. Melhor, só mesmo Hulk. Ainda sem ser titular, já está entre os melhores da era moderna dos azuis e brancos

Num universo de extremos que marcaram época no FC Porto, William Gomes surge como um caso tão inesperado quanto revelador. A análise às médias de golos por minuto nas melhores temporadas de alguns dos maiores desequilibradores portistas mostra que o brasileiro, ainda sem estatuto de titular absoluto, já se posiciona num patamar comparável ao de figuras consagradas.

Nesse crescimento de William Gomes que A BOLA aprofunda, há dedo decisivo de Farioli. Na formação do São Paulo e no salto para os profissionais, até chegar ao FC Porto no mercado de inverno de 2025, foi quase sempre na ala esquerda que criou raízes. O italiano explora-o à direita, e com isso mais golos (é o rapaz dos golos bonitos) e mais assistências vão dando colorido à primeira época completa do brasileiro.

O próprio jogador confirmou isso na entrevista que deu à Globoesporte: «É uma posição em que sempre tive vontade de jogar. Fiz praticamente toda a formação pelo lado esquerdo, com alguns jogos pela direita, mas a maior parte do tempo a atuar pela esquerda. Mesmo assim, sempre quis jogar pelo lado direito. Com a chegada do técnico Farioli e depois da lesão do Pepê [em agosto], fui para a direita e adaptei-me bem. Conversei com ele [Farioli] e disse que me sentia mais confortável ali. É uma posição em que me sinto bem, a atuar pelo lado direito do campo. Claro que também consigo jogar pela esquerda, sinto-me bem ali, mas a minha preferência é pela direita, porque acredito que tenho mais criatividade nesse lado.»

Apesar de somar apenas 1.673 minutos na atual época, William soma 12 golos, necessitando de apenas 140 minutos para marcar. É um registo que o coloca à frente de nomes de peso como Luis Díaz na temporada de 2021/22 (142 minutos por golo), James Rodríguez em 2011/12 (186), ou até Brahimi em 2014/15 (219). Mais surpreendente ainda é perceber que William supera também vários extremos que foram titulares indiscutíveis nos dragões durante anos, como Galeno (230 minutos por golo em 2023/24), Corona (287 em 2015/16) ou Quaresma (310 em 2007/08).

Rápido e eficaz
Apesar de somar apenas 1.673 minutos na atual época, William soma 12 golos, necessitando de apenas 140 minutos para marcar. É um registo que o coloca à frente de nomes de peso como Luis Díaz na temporada de 2021/22 (142 minutos por golo), James Rodríguez em 2011/12 (186), ou até Brahimi em 2014/15 (219)

No entanto, o que mais impressiona é a proximidade de William face aos dois casos excecionais: Hulk, que em 2010/11 atingiu a estratosférica média de 126 minutos por golo, e Luis Díaz, já mencionado, que se tornou num dos extremos mais letais da Europa antes de rumar ao Liverpool. William não chega ainda ao impacto devastador desses picos individuais — Hulk continua isolado no topo — mas encontra‑se já no grupo imediatamente seguinte, algo notável tendo em conta o contexto: é o único entre todos os nomes analisados que não é titular absoluto nas respetivas temporadas.

Enquanto os restantes beneficiaram de continuidade e estatuto dentro da equipa, William Gomes construiu o seu rácio goleador a partir de aparições espaçadas, lutando por espaço numa rotação que, por norma, favorece jogadores mais experientes, como Pepê. Este quadro, longe de o prejudicar, dá ainda mais peso ao seu rendimento. Onde outros precisaram de sequências longas para estabilizar impacto, William conseguiu eficácia imediata, muitas vezes entrando em campo com o desafio de mudar jogos.

O camisola 7 do FC Porto vem de um ciclo de três jogos a marcar (Moreirense, Estugarda e SC Braga), sendo, nesta altura, o jogador da Liga com mais golos a sair do banco — quatro.

Se mantiver esta tendência e conquistar um lugar fixo no onze, o extremo de 20 anos tem margem para aproximar — ou até ultrapassar — marcas que pertencem a algumas das maiores referências ofensivas do FC Porto no século XXI. Por agora, os números não deixam dúvidas: já está, estatisticamente, entre os extremos mais produtivos da história recente dos dragões… e ainda nem começou verdadeiramente.