Francisco Conceição resolveu o jogo com um grande golo. FOTO GRAFISLAB

Herói improvável

Manuel Machado analisa a vitória do FC Porto em Guimarães

1. Evolução e mediania
O jogo apresentava-se de resultado incerto pelo confronto de equipas em proximidade pontual e, também, pela particularidade de possuírem rendimento melhor do que o nível exibicional do futebol produzido que, até ao momento, em especial para os azuis e brancos, se revela pouco condizente do seu estatuto de histórico. É, no entanto, verdade que o Vitória depois de uma fase inicial em que pontuou contranatura tem evoluído, refletindo trabalho e ideia adequada da qualidade dos jogadores à disposição do seu treinador. O FC Porto, mantendo a tradicional garra e vontade de vencer, persiste num futebol mediano que sem comprometer até ao momento o objetivo está longe do padrão habitual.

2. Dispositos em confronto
Presente e também visível foi o confronto ao nível dos dispositivos táticos, com de Guimarães num falso 3x4x3, já que João Mendes ocupa uma posição híbrida (médio interior vs. extremo esquerdo), sendo que os azuis deixando cair o habitual 4x4x2 - viriam a recuperar a espaços no segundo tempo - optaram por um 4x3x3, denunciando intenção de preenchimento e controlo da zona intermediária, o que o jogo não confirmaria. A marcha do marcador ditaria as alterações, com destaque para os da Invicta, que, em desvantagem, forçaram, com a entrada de Taremi e Galeno, recuperando modelo mais utilizado e regressando, posteriormente, à postura inicial, já em vantagem, com a saída de Evanison, substituído de Grujic, na intenção duma maior consistência defensiva, o que se revelou acertado.

3. Prémio ao intervalo
Pressionando a primeira fase de construção dos visitantes e obrigando à saída em profundidade, com superior agressividade e eficácia nos duelos e quando em posse articulando de forma superior a passagem ao ataque rápido, com destaque para Jota e André Silva, o Vitória construiu mão-cheia de lances ofensivos, culminados com finalizações de qualidade que só o excelente desempenho de Diogo Costa, obstou à construção de um resultado que ao intervalo, poderia definir, por antecipação, o vencedor. Tudo isto por constraste com um FC Porto a acumular erros na sua linha média e defensiva, revelando ausência de ideias na fase de construção, pelo que a igualdade do interregno premiava, de forma clara, o pior dos conjuntos em campo.

4. Costa e Conceição
Sem que os da Cidade Berço revelassem relaxamento, a melhoria por força da adição de elementos de cariz mais ofensivos e também uma melhor diferente atitude dos portistas diluiu a superioridade vimaranense, transportando o jogo para uma fase de maior equilíbrio. No entanto, não desprezando o crescimento do conjunto azul e branco, a sua vitória, em minha opinião, resulta mais do excelente desempenho do seu guarda-redes mas, também, da prestação de alto nível de um Francisco Conceição irreverente, combativo e neste jogo herói improvável pela capacidade de primeiro assistir com eficácia e mais à frente, em lance individual de grande qualidade finalizar para o golo da vitória e consequente obtenção dos três pontos em disputa.