Raphinha continua a afirmar-se como um dos jogadores em melhor forma no futebol mundial - Foto: IMAGO
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

«Flick mudou-me»: de dispensável a capitão, Raphinha revela tudo

Internacional brasileiro explicou como uma chamada de Hansi Flick mudou o seu percurso no clube, onde agora renovou até 2030 e é uma das figuras da equipa

Houve um momento em que Raphinha acreditou que a história no Barcelona tinha chegado ao fim. Sentia-se pouco desejado, via o clube procurar alternativas para a sua posição e já tinha aceitado a ideia de deixar a Catalunha. Dois anos depois, a realidade não podia ser mais diferente: vai renovar contrato até 2030 — quando terá 33 anos —, é o capitão da equipa e transformou-se no inesperado homem-golo de Hansi Flick.

Aos 29 anos, Raphinha gostaria de terminar a carreira no Barcelona. E o clube também quer que o brasileiro fique até ao fim. Muito mudou desde 2024, quando o extremo já estava convencido de que teria de procurar outro destino.

«Na minha cabeça, sabia que ia sair. Isso já estava decidido, essa é a verdade. Estava no Brasil e o Flick ligou-me. Disse-me para ir falar com ele antes de tomar uma decisão final», recordou o internacional brasileiro, em entrevista ao The Guardian. «Disse-me que confiava em mim, que ia ser importante, que a forma de jogar da equipa seria boa para mim. Num momento como aquele, algumas pequenas palavras podem mudar-te. Senti muita confiança em mim. Deu-me confiança para jogar o meu futebol.»

Raphinha agarrou a oportunidade e nunca mais largou o lugar. A confiança de Flick foi correspondida dentro de campo e, entretanto, também os companheiros passaram a vê-lo de outra forma. O balneário elegeu-o como capitão, algo que o próprio não esperava.

«Quando vi que as pessoas tinham votado em mim, foi como se um interruptor tivesse sido ligado, uma mudança de mentalidade. As pessoas viam em mim algo que eu próprio não percebia que estava lá. Isso mudou-me. Nunca pensei que fosse gostar tanto de ser capitão do Barcelona. Sentes que és importante. É uma honra. Não é apenas usar a braçadeira.»

Raphinha com a braçadeira de capitão do Barça. Foto: IMAGO

«Falo menos do que a maioria dos capitães, mas sei que as pessoas estão a observar. Pensam: ‘Se este tipo está a correr como um animal, tenho de o seguir’. Se falares demasiado e depois não fizeres aquilo que tens de fazer, as pessoas não te vão ouvir.»

De extremo a goleador

A transformação também aconteceu dentro do campo. Com Robert Lewandowski, Ferrán Torres e Marcus Rashford fora do clube e sem conseguir contratar Julián Álvarez, o Barcelona ficou sem uma referência clara para o ataque. Flick experimentou o ex-Sporting e V. Guimarães como avançado-centro e encontrou uma solução que poucos esperavam.

«Houve um momento de necessidade. Não havia um número 9 para o jogo particular com o Basileia, por isso joguei lá.»

A experiência correu bem e tornou-se permanente. «Na pré-temporada fizemos alguns testes. O treinador gostou do que viu e, depois do Basileia, explicou-me um pouco da sua ideia. A adaptação aconteceu ao longo dos últimos dois anos, por me ter habituado a vir para dentro, mais perto da baliza.»

A resposta foi imediata. Raphinha marcou dois golos frente ao Elche, voltou a marcar contra o Athletic, bisou diante do Rayo, marcou em Valência, fez um hat-trick contra o Racing e voltou a repetir a dose frente ao Sevilha. Pelo meio, teve tempo para bisar diante do Feyenoord. Direita, esquerda e cabeça: o brasileiro passou a apresentar características de um verdadeiro número 9.

Ao fim de sete jornadas da LaLiga, leva 12 golos, aos quais soma mais dois na Liga dos Campeões. Nenhum jogador na história do Barcelona tinha começado uma temporada desta forma. E há uma curiosidade: Raphinha nunca tinha jogado como avançado-centro. «Mesmo quando era miúdo, eu não era um 9.»

O sonho de ficar e a Bola de Ouro... para Yamal

O novo estatuto também alterou a relação de Raphinha com o clube. A renovação até 2030 abriu a porta à possibilidade de terminar a carreira em Barcelona. «Gostaria de me retirar aqui», admite o brasileiro, que aos 33 anos garante estar longe de pensar em parar: «Estou numa forma física espetacular.»

O avançado olha ainda para a nova geração com um misto de surpresa e responsabilidade. Quatro jogadores do plantel principal nasceram em 2007. «Isso dói! Mostra que estou mais perto do fim do que de começar, quando tinha 18 ou 19 anos», brincou. Mas rejeita a ideia de assumir um papel de pai para Lamine Yamal: «Não, não. Irmão mais velho, isso é melhor.»

E é precisamente Yamal quem Raphinha coloca no topo da corrida à Bola de Ouro. «Para mim, ele tem de ganhar o prémio, sem dúvida. Mesmo que eu não fosse companheiro do Lamine, pelo que faz, pelos números, pelos títulos — e acho que os títulos são importantes — ele é o candidato.»

A iniciar sessão com Google...