Ex-treinador na Premier League pede descida de divisão do Man. City: «Todos sabiam»
O impacto da decisão sobre as infrações financeiras cometidas pelo Manchester City continua a agitar o futebol inglês. Desta vez foi Jesse Marsch, antigo treinador do Leeds e atual selecionador do Canadá, a vir a público apontar o dedo aos citizens, assegurando que as irregularidades do clube eram do conhecimento geral nos bastidores da Premier League.
O Man. City foi considerado culpado por uma comissão independente em 114 das 115 acusações de violação dos regulamentos financeiros, arriscando mesmo uma eventual despromoção de escalão. Em causa está a utilização de um esquema de financiamento encapotado entre 2009 e 2018, que serviu para ocultar cerca de mil milhões de euros em fundos secretos, através de acordos simulados para camuflar o real passivo do clube. A estrutura do clube mantém a alegação de inocência e avançou com recurso.
Em declarações ao jornal The Guardian, Jesse Marsch não poupou nas críticas e defendeu um castigo exemplar para o emblema de Manchester. «Acho que o Manchester City devia ser punido severamente. Acho que deviam descer de divisão e, já agora, toda a gente sabia disso. Toda a gente sabia», atirou o técnico norte-americano.
Marsch orientou o Leeds na época 2022/23, ano em que a equipa desceu de divisão, enquanto a formação comandada por Pep Guardiola conquistou o triplete: a Premier League, a UEFA Champions League e a Taça de Inglaterra. O treinador recordou em particular o mercado de transferências desse verão.
«Nesse verão [de 2022], nós e o Manchester City fomos as únicas equipas a dizer que tínhamos tido lucro. No nosso caso demos mesmo lucro, porque vendemos o Raphinha [por €58 M ao Barcelona] e vendemos o Kalvin Phillips [por €49 M ao City]. Ficámos com uma grande margem do que comprámos. Na altura, financeiramente não estávamos em posição de não poupar. Os nossos proprietários não tinham bolsos fundos. Já quando o Manchester City disse isso, fiquei literalmente do género: 'Estão a brincar comigo? Isto é alguma piada?'», questionou.
O antigo treinador do Leeds abordou ainda a chegada de Erling Haaland aos citizens: «Quando disseram que o tinham contratado por 60 milhões de euros, foi tipo: 'Sim, claro, com certeza!'. Portanto, eu sabia que havia incoerências, mas o que é que se pode fazer? A pessoa só levanta os braços e diz: 'Isto é o futebol'.»