António Maior marcou 14 golos num jogo de formação. Na época seguinte, estava no Benfica
António Maior marcou 14 golos num jogo de formação. Na época seguinte, estava no Benfica

Jogou no Benfica e hoje é o 'Haaland de Barrancos': «O golo já nasceu dentro de mim»

António Maior não consegue parar de marcar. Chegou primeiro aos 100 golos do que aos 100 jogos pelo clube barranquenho. Passou pela formação das águias e, atualmente, joga na 2.ª distrital da AF Beja. Faz 24 anos esta quinta-feira

Em barranquenho, a palavra maior leva António atrás: diz-se António Maior.

Há precisamente 24 anos, a 22 de janeiro de 2002, em Santo Aleixo da Restauração (Moura), nasceu quem se tornaria no maior de uma terra ali a 20 quilómetros: Barrancos.

António Maior celebra 24 anos esta quinta-feira. A cumprir a quinta temporada pelo Barrancos das distritais de Beja - mas com passagens, pelo meio, pelo Serpa e Moura do Campeonato de Portugal -, o avançado (que tanto joga a extremo como a ponta de lança) atingiu, no início deste mês, o marco de 100 jogos pelo clube alentejano.

O craque assinalou a centena de partidas em grande, com... um hat trick. Foi também nesse dia que festejou o 103.º, o 104.º e o 105.º 'tentos' pelo clube. O que indica que esta máquina de fazer chegou primeiro aos 100 golos do que aos 100 jogos ao serviço do Barrancos.

António Maior soma 106 golos em 101 jogos pelo Barrancos - Foto: Associação de Futebol de Beja
António Maior soma 106 golos em 101 jogos pelo Barrancos - Foto: Associação de Futebol de Beja

«Uma vez marquei 14 golos num jogo»

Em entrevista à A BOLA, António Maior contou como, em 2020 (com 18 anos), chegou àquele sítio, hoje tão especial: «Tinha um amigo mais velho que jogava lá e convidou-me. Fui sem conhecer ninguém, ainda não era sénior.»

O jovem rapidamente deu nas vistas, apontando 38 golos, em 40 jogos, nas duas primeiras épocas, na 2.ª divisão distrital de Beja. Tamanho destaque fê-lo voar para o Serpa. Em ano e meio, fez cinco golos em 27 jogos. Depois teve uma lesão complicada no joelho e decidiu voltar à casa de partida (em outubro de 2023), novamente, em busca de felicidade: «Tive de ser operado e, após a operação, não foi fácil integrar-me outra vez no Campeonato de Portugal e então decidi voltar ao Barrancos.»

António Maior regressou ao Barrancos, depois de ter tido uma lesão grave no joelho - Foto: DR

Na segunda passagem, António registou mais golos (29) do que jogos (26) e voltou a merecer uma oportunidade no Campeonato de Portugal, dessa vez, ao serviço do Moura. Só que… «as coisas não estavam a correr bem e, então, para não ficar parado, sem jogar», decidiu voltar novamente ao Barrancos, em novembro de 2024, onde permanece até hoje.

Desde o derradeiro regresso, o número 27 da formação barranquenha já marcou uns incríveis 39 golos em 35 jogos. A relação de António com a baliza poderá ser um caso de estudo: «Desde que comecei a jogar futebol tem sido sempre assim. Acho que aquilo o que é o golo já nasceu dentro de mim.»

António Maior leva 18 golos em 15 jogos, esta temporada - Foto: DR

«É assim desde a formação. Uma vez marquei 14 golos num jogo. Foi contra Sobral da Adiça, creio eu», revelou.

Esteve no Benfica e «destacava-se pela velocidade e finalização»

Foi nessa época dos «14 golos num jogo» que, recordou António Maior, despertou a atenção de um olheiro do Benfica. A partir dali, bastou o aval dos pais e aquele menino cheio de sonhos seguiu para o Seixal: «Houve um olheiro que esteve aqui a ver jogos de formação, na minha terra, no ano dos 14 golos (risos). Depois, abordou os meus pais. Os meus pais falaram comigo e eu fui.»

«Joguei com o Samuel Soares, António Silva, Tomás Araújo e disputava o lugar com o Fábio Silva, Henrique Pereira e Filipe Cruz», lembrou António, que esteve duas épocas e meia (de 2014/15 a 2016/17) na formação do clube encarnado.

No Benfica, António Maior atuava habitualmente como extremo - Foto: DR

Bruno Freitas foi o primeiro treinador de António no Seixal e contou, à A BOLA, como é que era aquele pequeno craque: «Treinei-o nos sub-13, quando foi morar para o Seixal. Era um jogador que se destacava sobretudo pela pela velocidade. Era um menino rápido e tinha facilidade nas situações de finalização. Normalmente conseguia resolvê-las bem, tendo acabado por marcar bastantes golos.»

«A velocidade e a capacidade de finalização eram as duas principais características do António», sublinhou o técnico, admitindo ter-lhe antevisto um futuro noutros patamares no mundo do futebol.

António Maior distinguido em torneio, nos sub-13 do Benfica - Foto: DR

António teve saudades de casa e abdicou do sonho

António acabou por sair do Benfica a meio da temporada 2016/17, nos sub-15, quando era treinado por Luís Nascimento. Teve saudades de casa: «Saí por motivos que nunca esperei sair, que foi por estar longe da minha família. Era muito novo e não foi fácil...»

O mister Bruno Freiras, hoje empresário de jogadores de futebol, reconheceu que o seu ex-alteta ainda vai a tempo de dar o salto: «Pela qualidade que o António tinha… Achava, sinceramente. e acho - porque quando se tem aquela qualidade ela não desaparece - que o António ainda terá competências para estar em patamares competitivos mais altos.»

«Não tenho carinho por mais nenhum clube»

Quis o destino que António Maior fosse parar à carismática vila de Barrancos, onde hoje é verdadeiramente feliz: «Neste momento, para mim, não há clube que supere o Barrancos. Não sou de lá, não nasci lá, mas neste momento não tenho carinho por mais nenhum clube sem ser o Barrancos.»

António Maior tem sido aposta a extremo esquerdo, esta temporada - Foto: Associação de Futebol de Beja

«O objetivo é subir para a primeira distrital de Beja. Já há muito tempo que queremos isso», assume o avançado. Neste momento, o Barrancos encaminha-se para lograr aquilo a que se propõe, estando no segundo lugar da Série A do campeonato, com 40 pontos em 15 jogos, só atrás do Bairro da Conceição, que leva 41. A posição atual é suficiente para a passagem à fase de apuramento de campeão, disputada, com os dois melhores classificados das restantes duas séries.

Ao nosso jornal, o presidente do emblema barranquenho, Hugo Santos, enalteceu o «grande coletivo», com destaque para o melhor marcador do equipa, António Maior, que o dirigente descreveu como um «tremendo jogador».