Tentativa de corrupção no futebol distrital de Aveiro resulta em seis condenações
O Tribunal da Feira condenou seis indivíduos, incluindo três jogadores de futebol, um ex-dirigente da ADC Lobão, o filho do então presidente do mesmo clube e um empresário, por um crime de corrupção desportiva, noticiou a agência Lusa. Em causa esteve uma tentativa de aliciamento a jogadores da UD Mansores para que estes facilitassem a vitória do Lobão, o que garantiria o acesso à fase de subida ao Campeonato de Portugal.
A sentença, com data de 19 de dezembro, deu como provada a acusação do Ministério Público e levou à condenação dos seis arguidos por corrupção ativa agravada, todos eles com pena suspensa. O castigo mais pesado foi aplicado ao ex-dirigente da ADC Lobão, que foi sentenciado a ano e meio de prisão. Já o empresário foi condenado a um ano e cinco meses, enquanto os três jogadores e o filho do então presidente do clube receberam penas de um ano e quatro meses. A ADC Lobão, que também era arguida no processo, foi absolvida.
Os factos remontam à época 2022/2023, mais concretamente ao jogo da última jornada da primeira fase (Zona Norte) da primeira divisão distrital da Associação de Futebol de Aveiro, disputado a 5 de fevereiro de 2023, em Arouca. O tribunal considerou provado que, na semana anterior ao encontro, os arguidos abordaram cinco jogadores do Mansores, oferecendo a três deles valores entre 500 e 3.000 euros para que prejudicassem a própria equipa. Os outros dois futebolistas contactados recusaram de imediato a proposta.
Durante o julgamento, todos os arguidos confessaram integralmente os factos de que eram acusados. O ex-dirigente e o filho do presidente do clube esclareceram ainda ter agido por iniciativa própria, sem qualquer mandato ou ordem externa.
Recorde-se que a partida terminou com uma vitória do Lobão por 2-0, resultado que lhe permitiu alcançar o quarto lugar e, consequentemente, a última vaga para a fase de apuramento de campeão.
O caso tornou-se público poucos dias após o jogo, quando a UD Mansores apresentou uma participação na AFA por suspeita de corrupção. A denúncia deu origem a uma investigação da Polícia Judiciária que culminou na detenção do então diretor desportivo do Lobão. Na altura, o presidente do clube negou veementemente as acusações e chegou a oferecer uma recompensa a quem identificasse o autor da denúncia.