Como melhorar a saúde mental no desporto
Falamos cada vez mais de saúde mental no desporto. A lista de atletas e treinadores que abordam publicamente o tema cresce de forma consistente. Uns expõem histórias pessoais profundas, outros descrevem o impacto do contexto competitivo nos vários agentes. Torna-se difícil ignorar os testemunhos de Simone Biles, Michael Phelps, Rafael Nadal, Serena Williams, Marcus Rashford, Danny Rose, Steve Kerr, Lewis Hamilton ou Jurgen Klopp.
O contexto atual é objetivamente mais exigente e propício: ciclos competitivos mais intensos, escrutínio permanente e, na maioria das vezes, sem equilíbrio, redes sociais sem filtro e um mediatismo que amplifica o erro e personaliza o ataque. E o problema não se limita a episódios de pura ignorância, mas estende-se à pressão diária de todos, à cultura do resultado imediato e à desvalorização do processo.
As entidades que regulam competições têm desenvolvido programas formais de apoio psicológico, como o COI, a UEFA, a FIFA ou associações de atletas. Observa-se uma evolução de campanhas pontuais para estratégias estruturadas. Ainda assim, a perceção é a de reagir a crises, e não de prevenir de forma sistemática. Melhorar implica prevenir como assumir a literacia emocional para todos (e coloquem mesmo todos aqui), protocolos de apoio, assumir que a psicologia no treino e no dia a dia de um treinador, por exemplo, deve ser algo regular, e avaliação contínua do clima organizacional, onde se cobra exigência, mas as condições muitas vezes estão completamente desalinhadas.
Por fim, há um ponto crítico que tem sido frequentemente negligenciado: a saúde mental das estruturas. Diretores, treinadores adjuntos, analistas, equipas médicas e staff administrativo vivem sob pressão e absorvem as tensões dos resultados, dos sistemas e de regras desajustadas. Se a organização não estiver emocionalmente estável, qualquer intervenção junto dos atletas perderá eficácia, por efeitos diretos ou colaterais. A performance sustentável exige coerência vertical: liderança eficiente e equilibrada, cultura organizacional robusta e responsabilidade partilhada.
Falar é, e tem sido, um avanço muito importante. Estruturar, medir e prevenir é o próximo passo.