Rui Borges elogia adversário, que se segue na liderança da Liga

Anestesiado, época fora do normal do rival e St. Juste riscado: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting fez a antevisão do jogo com o Casa Pia, abordou o mercado de transferências e deixou claro que St. Juste está riscado

- O Sporting vai defrontar um Casa Pia que tem vivido momentos conturbados e vai estrear Álvaro Pacheco no comando técnico, é algo que torna este jogo mais complicado?

- Perigoso, não. Torna é mais difícil, na parte estratégica do jogo. O mister Álvaro [Pacheco] já jogou em vários sistemas, é sempre difícil dizer de que forma o Casa Pia se vai apresentar. Não nos podemos focar muito nisso, mas no que podemos fazer e controlar, em pequenas coisas, perceber que é uma equipa muito competitiva, intensa e forte nos duelos, com jogadores fortes no ataque rápido. Vai-nos criar esse problema, e vamos ter de o resolver, dentro das nossas dinâmicas, sem fugir ao que temos apresentado, desde o início da época, dando seguimento ao que tem sido o nosso crescimento. Aqui e ali, nos últimos jogos, nem tanto, por tudo o que nos tem acontecido com ausências. É natural que a equipa perca alguma intensidade dinâmicas, como é lógico. Não temos muito tempo de treino. Tivemos, agora, porque, infelizmente, não conseguimos passar à final da Allianz Cup. Perde-se muitas coisas que, às vezes, não se dá conta. 

- Face à onda de lesões e até castigos, numa altura em que as soluções escassceiam, pondera chamar St. Juste?

- Não faz parte da equipa principal do Sporting.

- Há possibilidade de Debast voltar à competição no jogo de amanhã? Que comentário lhe merece a conquisto do V. . Guimarães na Allianz Cup, um clube que já representou?

- Dar os parabéns por aquilo que foi a sua conquista, pelo que significa para a estrutura, mereceram, fizeram por isso. Mais do que merecido. Debast? Treinou hoje, em termos do que é a disponibilidade física ou atlética está lá, teve uma paragem mais prolongada. Mangas também, com menos tempo de paragem, vão estar limitados no tempo de jogo porque não têm capacidade para dar resposta aos 90 minutos. Possivelmente podem estar no banco para ir a jogo.

- Como sentiu os jogadores nesta semana de trabalho depois de um empate (Gil Vicente para a Liga) e uma derrota (V. Guimarães na meia-final da Allianz Cup?

- A semana foi muito boa, tirando a parte de perceber por que foi boa, no sentido em que não conseguimos estar presentes numa final que queríamos. Foi boa, em parte, porque tiveram algum descanso, que era mesmo obrigatório e necessário. Deu para treinarmos um pouco mais, a intensidade foi espetacular, a entrega foi espetacular, a alegria foi espetacular... Foi uma semana muito boa. Fiquei feliz, não só pela resposta da equipa, porque sabia que tem uma mentalidade muito forte e ambiciosa, mas por sentir a competitividade do treino. Necessitava de sentir isso, não pela derrota em si, mas sim por tudo o que nos estava a acontecer ao nível de lesões. Pela primeira vez, senti um pouco, e acho que era notório pela minha expressão, que estava um bocado abatido por ter tanta gente fora, mas rapidamente o grupo faz com que metamos um sorriso e comecemos a acreditar. Não somos de ferro, e sinto um pouco mais o que nos vai acontecendo, com as lesões, mas a equipa deu uma resposta fantástica. Acredito que, amanhã, daremos uma resposta muito boa, no jogo.

- Morita e Matheus Reis estão em final de contrato e esta é a altura em que o Sporting ainda pode fazer algum encaixe financeiro com estas saídas. Fecha-lhes a porta porque precisa deles? Teve essa conversa com a Administração?

- São dois jogadores com os quais contamos e que não vão sair no mercado.

- O que se passa com Nuno Santos, qual o motivo para a demora a regressar à competição?

- Não se passa nada. Trata-se do processo da lesão e de perceber que tem de passar por etapas. Toda a gente sabia que a lesão ia ser um pouco mais demorada ao nível da recuperação. O facto de ele falar, é a forma dele, e ainda bem que assim o é. A mentalidade dele é fora do normal. Anteontem estava a falar com ele e dizia-me 'Mister, esqueça, para o Athletic Bilbao já pode contar comigo'. É a mentalidade, e ainda bem que assim o é, porque motiva-se a si próprio. Não é fácil, só um guerreiro e alguém com uma resiliência fora do normal é que conseguiria ficar de fora durante tanto tempo e manter esta mentalidade vencedora, de querer ajudar, de sofrer com os colegas, chateá-los... Está tudo normal, está no seu processo de reabilitação. Tem demorado, é certo, mas tem havido crescimento no sentido de estar mais perto do regresso. Não consigo dizer tempos ou momentos, mas uma coisa é certa. Vai voltar rapidamente, porque tem uma mentalidade vencedora fora do normal, e precisamos dele. Mesmo de fora, é um jogador importante, porque mantém o grupo ligado. A exigência dele é máxima, até para com os colegas.

- Perdeu Rodrigo Ribeiro, um promissor avançado.

- Apenas acedemos a uma vontade própria dele. Tive oportunidade de falar com o Rodrigo de forma mais individual. Os miúdos querem dar muitos passos à frente, e, depois, ficam abafados e desaparecem. E ele apareceu precocemente, ao nível da qualidade individual, com uma expetativa altíssima. Teve essa capacidade, esta época, de aceitar a nossa ideia. Era jogador da equipa principal a fazer jogos na equipa B. Teve seis meses fantásticos, cresceu imenso, é um miúdo que admiro muito. Não queríamos que saísse, mas aceitámos a vontade dele. Acha que é uma oportunidade muito boa e que teve esse crescimento. Desejo-lhe toda a sorte do mundo, porque é um miúdo do qual gosto muito e admiro muito. Espero que tenha um futuro risonho pela frente. A saída de um é a oportunidade de outros, há miúdos nos sub-23 e na equipa B. O Nel tem feito um grande campeonato, é a oportunidade deles. Temos muitos miúdos connosco e têm dado resposta. Acredito muito neles.

- Luís Guilherme chegou sensivelmente há uma semana, está pronto para ser titular amanhã? Qual o ponto de situação clínica de Pedro Gonçalves e Ioannidis? Há mais alguma lesão nova no plantel?

- O Diomande veio aleijado da seleção [jogou a CAN pela Costa do Marfim]. Está fora do jogo. Já disse ao doutor que já estou dormente, não sinto nada, podem picar-me à vontade [risos]. Em relação ao Pote e ao Fotis, estão fora do jogo, para já. O Pote está num processo final de reabilitação, não sei dizer ao certo se estará pronto para o PSG. Acredito, sim, que, pelo menos, já estará disponível para o Arouca. O Fotis é muito no dia a dia, para perceber quando estará disponível.

- Morita está a cem por cento para render o castigado Hjulmand? E Daniel Bragança para somar minutos após longa paragem?

- Está o Morita, está o Gi [Kochorashvili], está o Dani... Estão todos a cem por cento. O Dani é diferente porque teve uma paragem longa, tal como o Zeno [Debast], que pode estar para jogo, mas está limitado a muito pouco tempo, porque vai-se abafar rápido. O Dani também está nesse processo, para crescer em termos físicos. Tem melhorado, foi importante para ele esta semana de treinos e está a cem por cento. Fico feliz por poder contar com ele, porque é um jogador muito importante para o grupo, dentro e fora, e acrescenta muita qualidade às nossas dinâmicas.

- A lesão de Diomande é preocupante? E Geny Catamo, que representou Moçambique, como regressou da CAN?

- O Geny veio bem, graças a Deus [risos], está para jogo. O Ousmane... É algo que não controlo, veio da seleção, não há nada a fazer. Não sei o tempo de paragem, e não me preocupa, porque, como já disse, estou dormente. Já penso só na malta que tenho e em fazer um bom jogo para ganhar, é nisso que estou focado. Deixo, também, uma palavra de incentivo e carinho aos nossos adeptos que vão ser ainda mais importantes no apoio à equipa. Todos são importantes e é importante acreditarem tanto quanto nós que, independentemente do que nos possa acontecer no caminho, vamos tentar ser o máximo competitivos, representar da melhor forma o Sporting e ganhar, para fazer uma segunda volta melhor do que a primeira.

- No que entende ser uma boa época, sendo que o Sporting ainda está envolvido em três frentes, nomeadamente Liga, Taça de Portugal e UEFA Champions League?

- Se fosse para a parte estatística estávamos a fazer uma boa época, mas não chega para estarmos em primeiro, o FC Porto está a fazer uma época fora do normal, tem mérito. Estamos dentro de uma boa época, mas não chega para sermos novamente campeões, não vai chegar o que fizemos nos últimos dois anos. Fizemos 42 pontos, temos de fazer mais na segunda volta porque não chegou para estarmos em primeiro. Temos de ter isso bem cientes, o nosso objetivo será fazer melhor e temos de o fazer. Temos uma eliminatória com o Aves SAD para jogar em nossa casa [Taça de Portugal]. Vamos lutar ao máximo por esses dois objetivos e fazer o melhor possível na Liga dos Campeões.