Rúben Dias voltou a falar após mais uma polémica a envolver Cristiano Ronaldo (Foto Liselotte Sabroe/EPA)
Rúben Dias voltou a falar após mais uma polémica a envolver Cristiano Ronaldo (Foto Liselotte Sabroe/EPA)
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A frustração momentânea de CR7, a braçadeira de capitão e o reencontro com Jesus: tudo o que disse Rúben Dias

Defesa-central fez a antevisão do encontro da Seleção Nacional diante da Dinamarca que teve Cristiano Ronaldo no centro das atenções

— Amanhã há jogo frente à Dinamarca, mas há por aqui também muitas pontas soltas em relação ao Cristiano Ronaldo e aos sucessivos casos envolvendo o capitão da Seleção Nacional. O Rúben, enquanto um dos capitães, como é que analisa tudo aquilo que tem acontecido nos últimos tempos?

— Da minha parte, e acho que da parte de todo o grupo, não há pontas soltas nenhumas e estamos prontos para o jogo de amanhã.

— Como um dos capitães, como é que viu o facto de o principal capitão não ter ido agradecer aos adeptos depois de uma vitória tão importante como a que vocês tiveram na Noruega? E se esta questão do estatuto que ele tem, ou que sempre teve, há mais de 10 anos na Seleção, se está a tornar mais um problema ou uma solução, ou algo benéfico para a equipa?

— Trata-se de um momento de frustração de 10, 15, 20 segundos, que em nada belisca o compromisso que ele tem tido durante mais de 20 anos com a nossa Seleção. No momento ele tem esses 5, 10 segundos de frustração, e passados 5 minutos estamos todos no balneário a celebrar juntos uma grande vitória, importante para todos nós.

— Mas não há o risco de beliscar a relação com os outros elementos do grupo. Conversaram sobre isso?

— Não, não acho de maneira nenhuma que haja qualquer risco. Disse o que tinha a dizer.

— Ainda pegando na questão do colega: pode garantir que não há nenhuma fricção neste momento na Seleção Nacional, no plantel de Portugal, por tudo isto que se passou nos últimos dois dias? O vosso comportamento para com o capitão e o do capitão para convosco é igual?

— Eu percebo a pergunta, mas a verdade é que — e vocês hoje vão ver no treino —, vão sentir alegria, vão-nos ver sorrir, vão-nos ver felizes. É um novo ciclo, estamos todos muito contentes e felizes por estar a mergulhar nesta nova aventura. Levamos duas vitórias e estamos entusiasmados com o que aí vem.

— Já são duas as intervenções que faz em antevisões que surgem depois de polémicas: a primeira em Palm Beach, com a situação da ida à praia ainda na era de Martínez, e agora esta com o Cristiano. Sente que pode ser o próximo capitão principal em breve na equipa?

— Uf! Já veremos com o tempo, o tempo assim o dirá. Mas, mais importante do que focar nessa questão, diria que a Seleção, pelo menos desde que eu cá estou, sempre funcionou com um sistema de internacionalizações e de acumulação de experiência e vivências de cada um. Até hoje assim funciona e, naturalmente, as coisas acontecem da maneira que têm de acontecer. Eu estou aqui hoje, tal como estive no passado, mais uma vez para defender a nossa Seleção e o nosso país.

— Depois do que aconteceu na Noruega com uma grande vitória, como é que está a equipa para este jogo neste estádio, sabendo pela experiência que de facto jogar aqui é sempre muito difícil?

— É um facto, aqui realmente os jogos não são fáceis. Eles têm uma equipa muito eficiente, completa e perigosa. Temos perfeita consciência disso por eventos recentes e por aquilo que é a história da seleção deles. Como tal, sabemos que só a nossa melhor versão é que nos pode fazer chegar aqui e vencer. É aí que está o nosso pensamento e queremos estar fortes amanhã, queremos desfrutar muito do jogo. No final do dia, é também a primeira vez que temos a oportunidade de fazer mais jogos de uma vez só pela Seleção e, para nós, é um enorme prazer jogar por esta camisola. Portanto, queremos fazê-lo com um sorriso na cara e queremos ganhar.

— Jorge Jesus tem falado muitas vezes sobre o vosso comportamento nestes dois primeiros jogos. Queria perguntar-lhe o que é que mudou do passado para agora na vossa forma de defender e como foi o reencontro com o 'mister'?

— Foi um reencontro positivo. Para começar pela primeira pergunta, mudou muita coisa. Acho que vai ser o primeiro grande passo para podermos alcançar aquilo que queremos. Como o mister diz muitas vezes, uma equipa está sempre muito mais perto de ganhar se defender bem. Eu — e acredito que todos nós — acreditamos muito nisso. Acho que se vai refletindo gradualmente em campo a influência do mister e a maneira como nós compramos a ideia. E eu, pessoalmente, e já em relação à segunda pergunta, como já trabalhei com o mister no passado, acho que o mais importante a dizer é que tudo é mais fácil quando as coisas fazem sentido.

— Neste grupo calhou a Portugal ter de defrontar três equipas muito físicas e poderosas. Pergunto se, na perspetiva do jogador e no que o mister vos passa, a abordagem seria diferente se fossem, por exemplo, equipas mais técnicas que pudessem chegar de uma forma mais aberta, e se isso também influencia o vosso doseamento de esforço?

— Diria que a abordagem é a que tem de ser perante aquilo que encontramos, como é óbvio. Acho que não é uma questão de mudarmos a maneira como jogamos, nem agora nem nunca. É mais uma questão de termos consciência de contra quem vamos jogar e conhecer bem os perigos que cada equipa nos pode criar. A partir daí, é saber em que momentos é realmente crucial estarmos fortes e consistentes. Para além disso, é sermos quem somos, demonstrar a qualidade que temos e a maneira como jogamos. Sendo um novo ciclo e uma nova ideia, nesta fase inicial o objetivo é comprar essa ideia o mais cedo e da maneira mais eficiente possível. Mas sim, há sempre uma adaptação e, de facto, este é um grupo físico e forte, mas que só nos deixa entusiasmados com o desafio. É um momento especial e importantíssimo para nós crescermos, especialmente neste novo ciclo.

— O Rúben tem um lance na primeira parte com a Noruega em que faz um corte incrível quando o Haaland já quase festejava o golo. Com a experiência e idade que tem, e já andando nisto há muito tempo, que efeito é que esse tipo de lance ainda hoje tem num jogador num jogo daqueles? Explique-me um pouco como foi esse lance e que efeito teve na sua exibição no resto do jogo...

— Em relação ao efeito, acho que estás a ir por um caminho mais filosófico. Dir-te-ia simplesmente que é o meu trabalho, é para isso que lá estou e ponto final. Em relação ao lance em si, é uma situação que nasce de uma imprevisibilidade: um cruzamento que o Diogo Costa não consegue fechar ou resolver tão bem e, a partir daí, é tentar estar disponível e posicionado da melhor maneira possível para ajudar e resolver o lance.

— Vem da mentalidade de um jogador ganhador...

— Claro que sim, vem da mentalidade de um jogador ganhador, tal como eu e os meus colegas. Nós estamos aqui para ganhar no final do dia, estamos aqui para desfrutar e temos muito prazer em representar esta camisola. Normalmente, quando um jogador português chega a este nível, é porque é um ganhador, e estes momentos definem-nos.

— Estamos a falar bastante da experiência do Rúben neste grupo, sendo também um dos capitães. Como é que o Rúben e jogadores como o Bernardo e o Bruno Fernandes, que já conhecem o Cristiano há mais tempo, olham para um caso como este que aconteceu na Noruega, com o Cristiano a sair sem agradecer aos adeptos? Aconteceu também, por exemplo, no Mundial 2022 com a questão de ele ser suplente. Vocês, com essa experiência de conviver há mais tempo com ele, falam sobre estes casos? Como olham para isso enquanto elementos mais experientes do grupo?

— Sinceramente, e acho que falo por mim, pelo Bernardo e pelo Bruno, acho que nenhum de nós dá tanta importância quanto tu deste agora nesta pergunta. São momentos que acontecem, e acontecem com ele como acontecem com qualquer outro. Digam-me um jogador que nunca teve um problema com um treinador, uma situação mais complicada, um atrito ou um momento de frustração — mais até consigo mesmo por não ter feito um golo ou por não ter conseguido impedir um golo. São coisas naturais do futebol e da vida de cada um de nós. Como tal, é importante saber relativizar cada uma dessas situações e seguir em frente com o mesmo entusiasmo.

— A minha questão está relacionada com o Manchester City. Sei que estamos na Seleção, mas aquilo que o clube está a passar neste momento pode transferir-se de alguma forma para a Seleção, uma vez que é uma situação muito difícil que pode acarretar um castigo? Como é que tem acompanhado o que está a acontecer e preocupa-o de alguma maneira que o City possa ser castigado?

— Eu percebo perfeitamente a pergunta, mas peço também que percebas que não vou comentar nada que não esteja relacionado com a Seleção Nacional.

— Como olha para jogadores como Joachim Andersen e Rasmus Hojlund [ou Madsen]?

— Mais do que me fixar neles dois, porque são jogadores de muito bom nível, eles fazem parte daquilo que é a seleção da Dinamarca: uma seleção completa, que sabe jogar muito bem, perigosa e que já nos criou dificuldades no passado. Como tal, temos o maior respeito por aquilo que eles representam. Estamos aqui hoje com a perfeita noção de que só se jogarmos o nosso melhor futebol é que podemos ganhar o jogo.

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