Sporting - Sporting de Braga: vencer para evitar (mais) atrasos é a única perspetiva...de ambos
José Fonte, do SC Braga, e Viktor Gyokeres, do Sporting, marcam-se mutuamente em encontro pela Taça da Liga em futebol. Foto: Maciej Rogowski/Imago.

ANTEVISÃO Sporting - Sporting de Braga: vencer para evitar (mais) atrasos é a única perspetiva...de ambos

NACIONAL11.02.202408:00

Com a deslocação a Famalicão em falta, leões pretendem manter pressão sobre o (provisório) líder, o Benfica; arsenalistas desejam aproximar-se dos 'grandes' e deixar para trás o Vitória de Guimarães, que se encontra em sua perseguição

Este domingo, o Sporting pode voltar a sentir o gostinho da liderança, que provisoriamente perdeu em função de a sua deslocação ao Famalicão, que estava inicialmente marcada para o anterior fim de semana, não se ter realizado.

Caso derrote, este domingo, o SC Braga, o leão pode celebrar o regresso à liderança, restando perceber se o fará de uma forma efémera: recebe os minhotos pelas 18 horas enquanto o Benfica defronta o Vitória de Guimarães pelas 20.30 horas, pelo que terá forçosamente de aguardar pelo resultado dos encarnados para perceber se regressará ao topo da classificação...mesmo tendo um jogo por realizar. Porém, antes de mais, terá pela frente um adversário que recentemente o derrotou.

O SC Braga pode, por isso, não estar pelos ajustes tendo em conta as intenções sportinguistas - bastará recordar que o primeiro objetivo da época dos leões se perdeu precisamente por culpa dos minhotos, que prevaleceram com um triunfo por 1-0. O golo apontado por Abel Ruiz permitiu aos Guerreiros do Minho chegar à final da Taça da Liga e conquistar a competição após um jogo decisivo ante o Estoril que os canarinhos complicaram e estenderam até às grandes penalidades, mas o troféu de campeão de Inverno seguiria mesmo para Braga.

Antes, ainda em setembro, arsenalistas e verdes e brancos igualaram-se num encontro bem disputado pela primeira volta da Liga, mais concretamente pela 4.ª jornada da competição: Pedro Gonçalves adiantou o Sporting, mas Álvaro Djaló resgatou um ponto para o SC Braga já no último quarto de hora da partida.

Com isto, verifica-se que o Sporting ainda não conseguiu vencer o SC Braga, para duas diferentes competições, jogando fora de casa ou em terreno neutro (a final four da Taça da Liga disputou-se em Leiria. Existe, por isso, a curiosidade sobre se Alvalade poderá revelar-se um fator diferencial, como já sucedeu em vários momentos da presente temporada, destacando-se a receção ao FC Porto (triunfo por 2-0).

O SC Braga, por seu turno, poderá jogar com esse fator emocional que o favorece: os bracarenses parecem ser das poucas equipas com o antídoto para travar um Sporting motivado, que tem ocupado os lugares cimeiros e a impressionar com as suas prestações no presente campeonato e comprovar que não há duas sem três, vencendo ou, pelo menos, pontuando em Alvalade.

SPORTING

Voltar às vitórias na Liga depois de se ter visto impedido de o fazer por uma situação que extravasa o seu controlo é o objetivo do Sporting, que apenas perdeu um dos últimos onze encontros que disputou…e foi precisamente perante os bracarenses, na já mencionada meia final da Taça da Liga. Comparativamente com esse encontro, os leões pretendem repetir a exibição, que ilustrou domínio territorial e se materializou em inúmeras ocasiões de golo, mas evoluindo no capítulo da eficácia, acima de tudo, no momento ofensivo, finalizando as situações de que dispõe, mas também no aspeto defensivo, evitando que situações como o golo de Abel Ruiz, que decidiu o último confronto em Leiria, possam acontecer e colocar em risco o resultado para os comandados de Rúben Amorim, que pretenderão ultrapassar esse insucesso perante os seus adeptos numa casa que prevê repleta.

Depois de a falta de policiamento, motivada pelos protestos das forças policiais, ter adiado o encontro ante o Famalicão para data ainda por conhecer, o emblema de Alvalade reagiu com autoridade e não se deixou surpreender na partida respeitante aos quartos de final da Taça de Portugal derrotando o UD Leiria com margem amplamente confortável (3-0). Como se o impasse em Vila Nova de Famalicão tivesse representado uma folga que em nada parece ter afetado a estrutura leonina, que parece bem oleada na Liga. No que ao campeonato diz respeito, o Sporting não perde há mais de dois meses, quando não evitou uma queda em Guimarães perante o Vitória, num encontro emocionante que contou com o leão em vantagem, alternância no marcador…e três pontos que escaparam.

Antes do triunfo sobre o UD Leiria, realizado esta quarta-feira, Rúben Amorim garantiu que o (momentâneo) atraso não pressiona nem condiciona o leão, incentivando-o ao invés para atacar a liderança com a perspetiva de acentuar a diferença quando a deslocação a Famalicão (um dia…) se efetivar. 

No entanto, certo será que a primeira vez do emblema leonino nesta condição de segundo classificado terá lugar precisamente este domingo, num encontro de grau de exigência próximo do máximo, e a reação a esta adversidade só agora se conhecerá, a pouco mais de duas horas do (agora) líder Benfica realizar a sua partida em Guimarães, onde não há muito tempo o leão tombou. Face às dificuldades que os dois rivais minhotos colocarão a águias e leões, a hipótese de escorregadela parece exequível…

Voltam os pesos pesados

Apesar de o onze apresentado em Leiria, pela Taça, apresentar um leão poderoso, foi possível colocar algum descanso a alguns pesos pesados que, agora, naturalmente voltarão a ocupar os seus respetivos lugares. A começar pela baliza, onde Antonio Adán ocupará o lugar que lhe tem pertencido nas últimas três épocas e meia, rendendo Franco Israel, que cumpriu o objetivo de rodar e manter a baliza inviolada. Agora, aguardará por nova oportunidade.

Além de Adán, há porta aberta para o retorno de Gonçalo Inácio, outro titular indiscutível que teve também direito a poupança no Dr. Magalhães Pessoa, vendo o seu lugar na esquerda na linha de três centrais preenchido por Matheus Reis e apenas entrou aos 72 minutos para manter os índices competitivos nos píncaros para atacar a receção ao SC Braga com a competência e qualidade que tem evidenciado ao longo de toda a temporada, juntando-se a Coates e Eduardo Quaresma, que tão bem tem rendido o ausente Ousmane Diomande.

Diomande continua, de facto, a ser a principal ausência no lado verde e branco, integrado na seleção da Costa do Marfim que, também este domingo e, pouco após o embate de Alvalade se realizar, disputa a final da Taça das Nações Africanas frente à Nigéria, juntando o primeiro título ao seu currículo. Pouco antes, enquanto aguardam o seu retorno, os sportinguistas verão Quaresma substituí-lo, sem lamentações – não restam dúvidas de que o leão ganhou, aqui, mais uma opção e a defesa sportinguista será um setor bem composto de opções quando o africano regressar, dentro de poucos dias.

Em oposição à já conhecida ausência, um regresso muito esperado à titularidade: Hidemasa Morita já regressou da Taça Asiática, onde o seu Japão foi desilusão, e não acusou nem desgaste nem jet lag, tendo cumprido 19 minutos em Leiria para demonstrar a Amorim que poderá mesmo contar com ele, pelo que a reedição da dupla de meio-campo nipónico-dinamarquesa que tão bons resultados tem rendido em Alvalade, entre Morita e Morten Hjulmand, será uma mera formalidade para uma partida de cartaz como será a receção aos bracarenses.

Equipa provável (3x4x3): Adán, Eduardo Quaresma, Coates e Gonçalo Inácio; Ricardo Esgaio, Hjulmand, Morita e Nuno Santos; Francisco Trincão, Pedro Gonçalves e Viktor Gyokeres.

Lesionados: Ivan Fresneda e Jeremiah St. Juste.

Figura: Pedro Gonçalves

O consensual Gyokeres será, por certo, a figura da temporada para o leão. Ainda assim, no que ao Sporting de Braga diz respeito, Pedro Gonçalves é o homem a temer para Artur Jorge e seus pupilos – foi ele quem encontrou o caminho das redes bracarenses na primeira volta e também nos…seis anteriores confrontos, marcando um golo em cada uma destas partidas e contribuindo ativamente para os bons resultados que têm pautado os embates com os arsenalistas. Até quando tal não sucede, é Pote quem tem por hábito finalizar – marcou também na derrota em casa (2-1) em 2021 e a partida mais recente, na Taça da Liga, constituiu uma exceção – se há alguém com mira constantemente apontada ao SC Braga, é o criativo português dos leões…

A antevisão de Rúben Amorim:

Tudo o que disse Rúben Amorim, na antevisão ao SC Braga.

SC BRAGA

Os guerreiros do Minho chegam a Alvalade bem embalados, sem derrotas nas últimas cinco partidas disputadas, uma delas frente a este mesmo Sporting e com a conquista de um troféu pelo meio. Agora, encontrará um teste ao seu poderio, desafiando a capacidade dos leões no seu covil…

Pontuar em Alvalade representaria para os minhotos a prova de que são capazes de pontuar no reduto de um grande, façanha que não conseguiram alcançar nas últimas deslocações desse tipo, concluídas com derrotas na Luz, frente ao Benfica, que resultou no afastamento da Taça de Portugal (3-2) e no Dragão, ante o FC Porto (2-0). Curiosamente, os últimos dois desaires registados pelo SC Braga, que desde então apenas sorri.

É precisamente contra os grandes que tem residido a fragilidade do SC Braga na Liga – para o campeonato, o emblema arsenalista apenas perdeu, nos últimos largos meses, frente a Benfica e FC Porto. Antes, só num já longínquo mês de setembro, ante o Farense, numa exibição muito desequilibrada na qual sofreu três golos em casa dos algarvios e começou, aí, a atrasar-se na corrida aos lugares cimeiros.

Fora os confrontos com candidatos ao título, os bracarenses não têm deixado os seus créditos por mãos alheias – derrotaram, no passado fim de semana, o Moreirense com um tangencial mas importante 1-0 depois de uma surpreendente igualdade (1-1) perante o Desportivo de Chaves também na Cidade dos Arcebispos, bem menos saborosa que o mesmo resultado obtido frente ao Estoril, apenas quatro dias antes, que valeu uma conquista e festa rija no Minho.

Com o líder da classificação, o Benfica, a já distantes 11 pontos, começa a parecer uma garantia que não será ainda este o tão ambicionado ano da afirmação bracarense com a conquista de um título nacional sobre a qual o seu presidente, António Salvador, já por tantas vezes se pronunciou. Mas mesmo os lugares que se seguem, segundo e até o terceiro, já estão à distância de nove (Sporting, vice-líder) e cinco pontos (FC Porto, terceiro colocado), respetivamente e atrás vem logo o rival Vitória de Guimarães, a somente um ponto.

Fica a dúvida sobre como irá Artur Jorge gerir a carga física do seu meio-campo, agora que Ali Al Musrati já não mora em Braga, após ter sido negociado para o Besiktas através de um empréstimo, com opção de compra obrigatória de 12 milhões de euros que se efetivará na próxima época. Num jogo deste calibre, um meio-campo fresco física e animicamente será essencial.

O sucesso da prestação de Vítor Carvalho será fulcral para um eventual êxito dos bracarenses em Alvalade – o brasileiro tem sido escolha primordial no centro do terreno e, sem Al Musrati como concorrente, parece ter a sua predominância ainda mais evidente. Mas terá, certamente, quem entre na rotação e o possa render em caso de desgaste ou, quem sabe, um amarelo que possa condicionar a sua ação. As dúvidas dissipar-se-ão no decorrer do desafio.

Junto de Vítor Carvalho, estará por certo João Moutinho. Quem julgava que, aos 37 anos, rumava ao Minho para começar a encostar após uma carreira de duas décadas sempre ao mais alto nível, enganou-se bem: ainda joga a alta rotação e irá ser responsável por gerir ritmos, atrasando ou acelerando o jogo bracarense como a situação o aconselhar, mesmo que aguardando uma multidão ruidosa que o irá apupar sem hesitações, como sucede desde que, em 2010, trocou o Sporting por um dos seus grandes rivais, o FC Porto.

Juntamente com Vítor Carvalho e Moutinho, também o lugar de Rodrigo Zalazar estará garantido. O uruguaio tem sido um dos nomes proeminentes da equipa, em especial nos jogos de grau de dificuldade mais elevado: quase levava a equipa a algo mais na eliminatória da Taça, ante o Benfica, e este mesmo leão também se recorda bem da sua capacidade no último embate, pela Taça da Liga…

Ausente, por certo, estará o ainda principal goleador da equipa, o congolês Simon Banza, que ainda este sábado disputou – e perdeu – o encontro de atribuição do terceiro lugar na Taça das Nações Africanas, frente à África do Sul. Mas enquanto não há Banza, os abonos de família têm sido Ricardo Horta, Abel Ruiz, entre outros.

Equipa provável (4x2x3x1): Matheus Magalhães, Victor Gomez, José Fonte, Paulo Oliveira e Cristian Borja; Vítor Carvalho e João Moutinho; Pizzi, Rodrigo Zalazar e Ricardo Horta; Abel Ruiz.

Lesionado: Bruma.

Figura: Matheus Magalhães

Foram acima referidos os pontos fortes da equipa bracarense, presentes no meio-campo e ataque. No entanto, face à capacidade ofensiva que se prevê no adversário, a partir de Gyokeres, goleador leonino, e Pedro Gonçalves, uma espécie de inimigo número 1 dos minhotos, o principal ponto que pode definir a barreira ténue entre o sucesso e o insucesso em Alvalade será o guardião. E Matheus tem já um forte conhecimento no que a defrontar os verdes e brancos diz respeito, e com os resultados esperados: ainda há menos de um mês, defrontou a armada sportinguista e saiu a sorrir, sem qualquer golo sofrido…

A antevisão de Artur Jorge:

A antevisão de Artur Jorge ao embate do SC Braga ante o Sporting, em Alvalade.

Está, por isso, lançado um encontro que deixará qualquer que seja o derrotado numa posição comprometedora: nem Sporting nem SC Braga podem dar-se ao luxo de perder, sob pena de ver os objetivos mais complicados.

Numa perspetiva de insucesso, os leões podem ver o Benfica distanciar-se na frente, podendo até perder a possibilidade de resgatar a liderança quando acertar o calendário, visitando o Famalicão, mas também registar a aproximação do FC Porto caso os dragões vençam, no dia seguinte, em Arouca. E até mesmo um desaire perante o SC Braga permitiria aos minhotos colocarem-se a seis pontos dos leões…

Um cenário que muito agradaria a Artur Jorge e seus pares, mais ainda porque as distâncias para os três grandes são já consideráveis e os arsenalistas já sentem o bafo do Vitória de Guimarães no seu encalço. Ingredientes de parte a parte que tornarão este desafio algo impossível de perder de vista.

Nos bancos, dois treinadores que bem conhecem o opositor: Rúben Amorim já treinou do outro lado – foi em Braga que se revelou, levando Frederico Varandas a investir na sua cláusula de rescisão – e conhece bem a sensação de derrotar o antigo clube. Já Artur Jorge ainda tem bem presente o último sucesso frente aos verdes e brancos e quererá, certamente, repeti-lo.

Quem sairá por cima no encontro de cartaz da jornada que é, em simultâneo, um verdadeiro all in na mesa de póquer de ambos os competidores?