Benfica quer recuperar a ‘sua’ Taça, Aves SAD tenta o ‘impossível’
Roger Schmidt, treinador do Benfica (Foto: Atlantico Press/IMAGO)

ANTEVISÃO Benfica quer recuperar a ‘sua’ Taça, Aves SAD tenta o ‘impossível’

NACIONAL21.12.202308:00

Taça da Liga assume importância acrescida na Luz; águias têm o maior número de troféus, apesar de não a ganharem há oito anos; Jorge Costa tem menos de 30 por cento de derrotas frente aos encarnados

A conquista da Taça da Liga é um dos objetivos traçados para 2023/2024 pelo Benfica, que pretende voltar a ganhar um troféu que lhe escapa há oito anos, quando venceu o Marítimo por 6-2 na final disputada no Estádio Cidade de Coimbra, a 20 de maio de 2016.

O clube encarnado, eliminado na fase de grupos na temporada passada, após um empate a uma bola em Moreira de Cónegos, continua a ser aquele que mais ocasiões venceu em 16 edições (sete, mais três que o Sporting, com quatro) e pretende aumentar o espólio do museu Cosme Damião. 

Além disso, o contexto é decisivo para determinar o grau de importância das coisas: se em 2022/2023 a equipa de Roger Schmidt estava bem embalada para a conquista do campeonato e tinha garantida a qualificação para os oitavos de final da Liga dos Campeões, nesta época não está no topo da Liga (o Sporting é o atual primeiro classificado) e não seguiu em frente na Champions, tendo caído para a Liga Europa. Logo, celebrar em janeiro é visto como uma injeção de moral necessária para uma águia que tem feito um voo oscilante. 

Ainda sem conhecer o destino de Sporting e SC Braga na prova, o Benfica já sabe pelo menos que um dos rivais não estará presente na Final Four (FC Porto, vencedor na época passada, viu o Estoril roubar-lhe o bilhete), o que estatisticamente (e no plano teórico) reforça as possibilidades de êxito. 

É este o enquadramento para o jogo desta noite, na Luz, arbitrado por Carlos Macedo (Barcelos), frente ao Aves SAD, 2.º classificado da Liga 2, que procura uma qualificação inédita para a fase final e igualar o feito do Académico de Viseu como a derradeira equipa do segundo escalão a garantir a presença nos últimos quatro lugares — foi na temporada passada, sob o comando de Jorge Costa, hoje à frente dos avenses que se fundiram com o Vilafranquense e ganharam um novo nome. 

Plantel do Benfica que venceu a Taça da Liga pela última vez, em 2016. Resta apenas Gonçalo Guedes (Foto: Miguel Nunes/ASF)

A única vez que o Benfica defrontou o Aves para a Taça da Liga foi na fase de grupos da época 2010/2011. Goleou por 4-0 na Vila das Aves e o primeiro golo teve a autoria de Javi García, atual adjunto do treinador alemão.

Menos de 30 por cento de vitórias

O Benfica não tem um histórico muito favorável sempre que defronta equipas dirigidas por Jorge Costa. É certo que o treinador do Aves SAD não estará esta noite no banco devido à suspensão de que foi alvo após a expulsão na partida frente à equipa B das águias, em jogo da Liga 2, mas o antigo internacional português e, fundamentalmente, as suas ideias, estarão presentes na tentativa de fazer o maior dano possível ao favorito. 

Jorge Costa, treinador do Aves SAD, já venceu o Benfica na Luz (Foto: Paulo Costa Dias/ASF)

Os encarnados têm uma percentagem de vitórias inferior a 30 por cento (28,6%) em virtude de terem apenas conseguido ganhar a Jorge Costa por duas vezes em sete jogos: a 14 de janeiro de 2009 (4-1 ao Olhanense, para a Taça de Liga) e goleada por 5-0 à equipa algarvia a 24 de abril de 2010, para a Liga. 

Nas restantes partidas ocorreram quatro empates: 0-0 com o Farense a 21 de fevereiro de 2021 (Liga), 2-2 com o Olhanense a 12 de dezembro de 2009 (Liga), 0-0 com o SC Braga a 23 de setembro de 2007 (Liga) e novo empate a zero, na Luz, frente aos bracarenses, a 16 de abril de 2007 (Liga). 

A única derrota ocorreu na Luz, na 1.ª jornada da época 2010/2011: a Académica dirigida por Jorge Costa venceu por 2-1.

O Benfica

As águias procuram pela primeira vez uma série de três vitórias consecutivas em todas as provas, algo que só alcançaram em setembro, com quatro triunfos seguidos, todos para a Liga. Mas a conjugação de resultados traz algum conforto a Roger Schmidt (basta um empate ou até mesmo uma derrota pela margem mínima), que pode dar oportunidade a alguns jogadores menos utilizados. No eixo central, por exemplo, o germânico pode já testar a dupla António Silva/Tomás Araújo para Famalicão (Otamendi viu o quinto amarelo em Braga e falha a deslocação ao Minho), no meio-campo pode dar descanso a João Neves para entrar Florentino e homens como Gonçalo Guedes e Arthur Cabral aspiraram a um maior tempo de utilização, provavelmente até a titulares, para descanso algumas peças importantes.

No único encontro realizado nesta competição, o Benfica foi a Arouca vencer por 2-0, num jogo em que Roger Schmidt usou três centrais.  

Onze provável: Trubin; Aursnes, António Silva, Tomás Araújo e Morato; Florentino e Kokçu; Di María, Gonçalo Guedes e João Mário; Arthur Cabral

A figura: Di María. É um cliente habitual neste espaço. Mesmo aos 35 anos mantêm uma condição física que lhe vai permitindo jogar com uma frequência que não existiu, por exemplo, na época passada, com a camisola da Juventus. Nem sempre é o melhor da equipa, mas quando é preciso uma ação fora da caixa, é ele quem apresenta a solução disruptiva. 

O que disse Roger Schmidt, treinador do Benfica: «Queremos chegar à Final Four. É uma competição diferente, ainda só jogámos um jogo [na competição] e a situação é muito clara, se ganharmos, qualificamo-nos, é o nosso objetivo. Sabemos que [o Aves SAD] é uma boa equipa, as equipas promovidas da segunda liga são muito boas. Estas equipas têm sempre qualidade e, neste caso, têm muitos jogadores experientes, pelo que ainda podem qualificar-se. Temos de estar a um bom nível, ter disciplina, e acreditamos que podemos ganhar este jogo.»

O Aves SAD

Tem como objetivo principal a subida à Liga e está bem encaminhado, uma vez que ocupa a segunda posição da tabela da Liga 2, apenas a um ponto do líder Santa Clara e seis pontos a mais que o quarto lugar (o terceiro posto dá direito a disputar o play-off de subida com o 16.º lugar da Liga). Teve, porém, um percalço com que certamente não contaria: saída da Taça de Portugal pela porta pequena, com derrota frente ao Dumiense, do Campeonato de Portugal (os minhotos foram entretanto eliminados pelo Sporting), um dos quatro desaires nesta época (três deles seguidos, frente a Oliveirense, Santa Clara e Nacional). A formação dirigida por Jorge Costa vem, no entanto, de três vitórias consecutivas, diante de Benfica B, FC Porto B e Paços de Ferreira. 

Na Taça da Liga fez três jogos: eliminou o Chaves na 1.ª eliminatória (5-3 no desempate por penáltis após 1-1), enviou para casa o Vizela (1-0) e na fase de grupos fez um jogo: derrota por 1-2 com o Arouca. O facto de ter marcado um golo nesse jogo permite aos avenses dependerem de si próprios para seguir em frente, mesmo que isso implique um triunfo sobre o Benfica, em plena Luz, por dois golos de diferença. 

Onze provável: Pedro Trigueira; Léo Alaba, Clayton Sampaio, Anthony Correia, Fernando Fonseca; Idrissa Dioh, Jonatan Lucca; Benny, Luís Silva e Vasco Lopes; Nenê

A figura: Nenê. Um caso extraordinário de longevidade. Aos 40 anos continua a ser um goleador com letra maiúscula. Assinou, até agora, dez golos em 2023/2024. Para se ter melhor noção: esta dezena de golos representa quase 50 por cento do que a equipa fez (21 no total). O ponta de lança brasileiro já defrontou o Benfica por cinco ocasiões e marcou um golo (derrota por 1-3, ao serviço do Nacional, no Funchal). Data? 2 de maio de 2009. São muitos anos de mira apontada às balizas.

O que disse Marco Leite, treinador adjunto do Aves SAD (Jorge Costa está suspenso): «Vamos à Luz sabendo de antemão que é um jogo difícil. Vamos defrontar uma grande equipa, num estádio sempre com muita gente, e não há muito a dizer sobre o adversário, que tem muito mediatismo e toda a gente conhece. Os nossos argumentos técnicos estão todos cá. A nossa equipa está sempre na máxima força, confiamos em todos. O que posso dizer é que não vamos prestar subserviência ao Benfica. Vamos respeitar o Benfica, mas vamos lutar pela eliminatória, que está em aberto e tudo pode acontecer.»