Benfica-E. Amadora: a análise aos jogadores encarnados

Liga Benfica-E. Amadora: a análise aos jogadores encarnados

NACIONAL20.08.202301:15

Meia hora à Neres na noite do herói improvável

Brasileiro entrou e desbloqueou o jogo com a velocidade e imprevisibilidade de um artista que reclama papel principal; Tengstedt num golo à Gonçalo Ramos; Florentino é um polvo 

A FIGURA: David Neres (nota 8)

Entrada diabólica, vencendo todos os adversários que tinha pela frente, canícula incluída. Foi ele o desbloqueador do jogo com uma velocidade de execução acima dos colegas, criando os desequilíbrios em zona com grande densidade de pernas. O primeiro golo tem muito do talentoso extremo brasileiro pelo modo como transportou a bola pela relva, sempre mais rápido em posse do que o adversário sem bola, colocando o esférico no tempo e espaço certos para Tengstedt encostar com sucesso ao primeiro poste. Rafa agradeceu-lhe a imprevisibilidade no lance do 2-0, numa noite em que Neres reclamou mais uma vez um papel de artista principal.

Notas e análise aos jogadores do Benfica 

6 Samuel Soares - Surpreendentemente titular, procurou mostrar o que o difere de Vlachodimos: o à-vontade a jogar com os pés em situações de pressão e no controlo da profundidade. Conseguiu-o.  

5 Bah - Exibição discreta, muito à base da expectativa. Teve o golo na cabeça (32’) a passe de Kokçu, numa das poucas ocasiões em que procurou criar desequilíbrios ofensivos.

6 António Silva - Ronaldo Tavares é um avançado possante que usa bem o corpo mas o central teve a noção de como travá-lo: pouco jogo de antecipação e muita contenção. A fórmula deu certo.  

6 Otamendi - Utilizou as mesmas armas que o colega de dupla, mas acrescentando a leitura que só a experiência providencia. Por ali não houve grande perigo.    

5 Aursnes - Um lateral-esquerdo adaptado que nunca usou o pé esquerdo à exceção de alguns passes curtos. Na verdade, foi um médio interior que atuou recuado e ligeiramente mais encostado à linha, mas sem nunca procurar movimentos verticais. Ajudou a criar superioridade numérica em fase ofensiva e pouco mais.

6 João Neves - Jogando sempre em alta rotação, mas ainda sem ter o controlo absoluto dos  timings de Kokçu, esse sim a plataforma giratória da equipa. Autor de um remate inesperado (17’) que chegou a dar sensação de golo.

7 Kokçu - Não foi uma daquelas exibições portentosas que muitos esperam dele, mas deu para ver, em plena estreia oficial no Estádio da Luz, o que o turco tem de melhor: visão 360º, capacidade de pressão, várias soluções em espaços curtos e chegada à área adversária. Soberbo passe a rasgar deixou Bah em zona de golo (32’) e remate fora da área para grande defesa de Bruno Brígido (74’) foram dois lances que mostraram as capacidades do patrão do meio-campo.

7 Di María - Foram várias as situações em que, estando em desvantagem numérica, encontrava uma forma de contornar o obstáculo demográfico. Num drible, numa simulação, numa tabela, e sempre com a bússola calibrada para encontrar o colega no sítio certo. Esteve muito perto do golo após lance genial mas Bruno Brígido respondeu de forma soberba (41’), repetindo-se a cena aos 66’. Acusou o desgaste já nos minutos finais, mas na memória fica a enésima demonstração da relação especial que tem com a bola.  

7 Rafa - Roger Schmidt pediu-lhe mais uma vez para jogar entrelinhas e ajudar a desfazer as linhas cerradas do Estrela e de tanto furar lá conseguiu ser feliz, apontando mais um golo, mas só depois de a equipa já estar a ganhar por 1-0 (e ainda viu o poste roubar-lhe o bis). Tentou dar protagonismo ao estreante Arthur Cabral e criou as habituais linhas de passe na meia-esquerda, para onde deriva quando a equipa procura fazer um tricotado.  

5 João Mário - Um remate sobre a barra (33’) numa noite em nem sempre teve as melhores decisões.

5 Arthur Cabral - Ainda está na fase de exploração. Algumas combinações interessantes, mas só por uma vez conseguiu ficar de frente para a baliza (e Bruno Brígido impediu uma estreia em glória), já na segunda parte (78’). No mesmo minuto recebeu ordem de saída e para trás ficara a imagem de um jogador esforçado mas a pedir tempo e referências.    

7 Florentino - Alguns adeptos assobiaram quando perceberam que João Neves era o escolhido para a entrada do médio defensivo, mas diga-se em abono da verdade que Florentino deu metros à equipa. Com ele o Benfica pressionou mais e mais alto e foi num rápida recuperação de bola dele que nasceu o 1-0.    

6 Tengstedt - Um herói improvável. Golo na primeira vez que tocou na bola, entrada ao primeiro poste a fazer lembrar Gonçalo Ramos, respondendo ao cruzamento rasteiro de Neres - e ainda deixou Rafa em zona de golo, mas o português rematou ao poste. Mais um a pedir protagonismo.  

(sem nota) Chiquinho - Entrou para o prémio de jogo.