Verstappen reforça descontentamento com as regras: «Gostava de me divertir mais»
Max Verstappen, piloto da Red Bull, voltou a manifestar desagrado com os novos regulamentos da Fórmula 1, juntando-se a um coro de queixas de vários pilotos. O tetracampeão mundial reiterou o aviso de que poderá abandonar a modalidade se deixar de se divertir, algo que parece estar a acontecer no presente.
O desdém do neerlandês já tinha sido evidente após a primeira corrida da temporada, em Melbourne, na semana passada, devido ao impacto das novas regras na condução. A insatisfação geral levou a que uma reunião de pilotos para discutir os regulamentos, inicialmente agendada para depois do GP do Japão, no final do mês, fosse antecipada para este fim de semana, após a corrida em Xangai.
Na antevisão do Grande Prémio da China, deste fim de semana, Verstappen ridicularizou o comportamento dos monolugares, comparando-o novamente ao videojogo Mario Kart, uma referência que se tem tornado comum entre os pilotos. Questionado sobre se o simulador poderia ajudar a aprimorar as novas técnicas de gestão de energia, agora cruciais, Verstappen ironizou: «Encontrei uma solução mais barata. Troquei o simulador pela minha Nintendo Switch e tenho praticado um pouco de Mario Kart. Encontrar os cogumelos está a correr bastante bem. A carapaça azul é um pouco mais difícil, mas estou a trabalhar nisso. O foguete? Ainda não cheguei lá», brincou.
A gestão de energia é necessária porque os novos motores têm uma divisão de potência de quase 50-50 entre combustão interna e energia elétrica. Para manter e utilizar a energia elétrica, os pilotos não podem atacar ao máximo, tendo de abrandar para recuperar potência e fazer as curvas a uma velocidade ótima para recarregar, em vez de irem ao limite da aderência. Verstappen já tinha classificado estas técnicas como «anti-corrida».
Desde que conquistou os quatro títulos, o piloto neerlandês, uma das maiores atrações da F1, tem sido claro: só continuará enquanto se divertir. «Na verdade, não quero sair. Gostava de me divertir um pouco mais, sem dúvida, mas também estou a fazer outras coisas que são muito divertidas», afirmou, fazendo referência a outras competições de automobilismo: «Vou correr no Nordschleife. Espero nos próximos anos poder fazer Spa, talvez Le Mans. Por isso, estou a combinar coisas para encontrar outras atividades que também considero muito divertidas.»
O piloto de 28 anos admitiu o conflito que sente. «É um pouco contraditório, porque não gosto muito de conduzir o carro, mas gosto de trabalhar com todas as pessoas da equipa e também do departamento de motores», prosseguiu Verstappen, que, apesar do descontentamento, afirmou que, após discussões com a Fórmula 1 e a Federação Internacional de Automobilismo, acredita que se está «a trabalhar em direção a alguma coisa que melhore tudo».
O mal-estar é tal que se acredita que poderão ser considerados ajustes imediatos após a reunião em Xangai. Na quinta-feira, vários pilotos alertaram para o risco de um acidente grave no arranque de uma corrida se as regras não forem alteradas, devido à grande diferença de aceleração entre as unidades motrizes das equipas. Liam Lawson, da Racing Bulls, revelou que se preparou para um impacto no GP da Austrália, quando o seu carro teve dificuldades no arranque e viu o Alpine de Franco Colapinto a aproximar-se rapidamente. Sergio Pérez, piloto da Cadillac, foi mais direto: «É apenas uma questão de tempo até acontecer um grande acidente. É difícil de arrancar nestes motores. Pode ser muito, muito perigoso, porque as velocidades que se atingem em dois ou três segundos são extremas.»