Paulo Lopo: «Temos de vender para podermos sobreviver, fazemos um bom trabalho»
O Estrela da Amadora cumpre, esta quinta-feira, o seu 94.º aniversário e, para o celebrar, realizou a primeira Gala Tricolor, na qual os tricolores premiaram jogadores e treinadores de todos os seus escalões e juntou grande parte da família estrelista nos Recreios da Amadora.
Antes do arranque da cerimónia, o presidente do emblema da Reboleira, Paulo Lopo, confessou a sua satisfação pela realização do evento, por mais um aniversário do Estrela e pronunciou-se sobre as recentes vendas, efetuadas pelo clube no mercado de janeiro que ainda decorre.
«Temos de vender para podermos sobreviver e depois temos de lutar com as dificuldades que vender nos causa. Já no ano passado nos causou alguma [dificuldade], tivemos um janeiro muito forte financeiramente mas depois isso às vezes tem alguns dissabores do ponto de vista desportivo e espero que este ano não tenha. Estamos a tentar reforçar-nos de forma a que isso não aconteça, para que podermos ter uma época mais tranquila e deixemos o mister menos nervoso», transmitiu.
O líder amadorense justificou as transferências de Sidny Lopes Cabral, Oumar Ngom e Kikas como fundamentais para o equilíbrio do clube.
«Infelizmente temos de vender porque o clube tinha muitos anos de atraso, estivemos onze anos parados e isso criou o seu deficit no clube a nível das instalações e formação. Hoje somos um clube que tem de investir muito para recuperar o tempo perdido e para isso temos de vender, a minha obrigação com a equipa é encontrar soluções para que o técnico tenha sempre novos jogadores e desafios, e consigamos continuar a vender a este ritmo», expôs ainda, convicto sobre o modelo a seguir.
«Este foi um ano importante - comprámos o estádio, mas agora temos de reestruturá-lo, eventualmente fazer um novo ou fazer uma cobertura, portanto isto é um processo normal, são as dores de crescimento», admitiu Paulo Lopo, que mostrou ainda o seu orgulho pelo trabalho de detetar e vender, garantindo lucro e sustentabilidade ao Estrela, esperando continuar a fazê-lo no futuro.
«Essa é das coisas que mais me fascina, a descoberta dos jogadores, porque descobrimos alguns jogadores que aparentemente não estavam no radar de ninguém. Vamos também dar-lhes uma oportunidade de eles se afirmarem e mudamos um pouco a vida deles, é muito importante», assinala ainda.
«Fazemos um bom trabalho de scouting e acho que isso é visível, temos uma equipa de 12 pessoas, o que para a dimensão do clube é significativo. É uma aposta muito grande que fazemos, seguimos muitos mercados e talvez por isso consigamos descobrir jogadores com muita qualidade», constata, por fim, com um sorriso.