Carla Oliveira, jogadora de boccia (foto D.R.)
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Paralímpicos elogiam condições no alto rendimento: «Agora compensa ser atleta»

Quatro atletas paralímpicos portugueses medalhados elogiam evolução no desporto de alto rendimento no país

Quatro atletas paralímpicos portugueses com medalhas internacionais reconheceram, esta quarta-feira, em Rio Maior, a notável evolução das condições para o desporto de alto rendimento em Portugal, embora lamentem a persistente falta de reconhecimento mediático.

Durante o Fórum Europeu da ASPC (Association of Sport Performance Centres), Carla Oliveira (boccia), David Grachat (natação), Norberto Mourão (paracanoagem) e Diogo Cancela (natação) partilharam os percursos pessoais e manifestaram satisfação pelo facto das novas gerações de para-atletas encontrarem um panorama mais favorável.

Carla Oliveira, que já conquistou medalhas de ouro, prata e bronze em Europeus e Taças do Mundo, recordou as dificuldades do passado. «Sou do tempo em que quase pagava para ir a estágios e para competir [por Portugal]. Já não é a realidade de hoje. Compensa muito hoje em dia ser atleta», afirmou a atleta, que sofre de uma doença neuromuscular rara. A desportista sente que o caminho foi «muito moroso», mas fica «tranquila» ao ver que os mais novos «não entendem» as dificuldades de outrora, sinal de que as condições melhoraram.

Norberto Mourão, para-canoísta português (foto D.R.)

Também o paracanoísta Norberto Mourão, medalhado em Europeus, Mundiais e nos Jogos de Tóquio 2020, sublinhou como o investimento na preparação «fez toda a diferença». Após o seu clube ter encerrado as modalidades, Mourão mudou-se para o Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho entre 2017 e 2022. Esta decisão, apesar dos sacrifícios, permitiu uma «evolução tão grande» que o levou a «ambicionar novas oportunidades e alimentou a perspetiva de ir aos Jogos Paralímpicos».

No entanto, a transição para a vida pós-competição continua a ser um desafio. O antigo nadador David Grachat, hoje técnico no gabinete da Secretaria de Estado do Desporto, partilhou um testemunho emotivo sobre as dificuldades que enfrentou. «Deparei-me com uma realidade muito dura quando deixei de competir», contou, recordando como ficou desempregado durante a pandemia. «A transição da carreira desportiva para o mercado de trabalho foi dura. É um passo que ainda me assombra e ainda não fiz completamente este luto», confessou.

Diogo Cancela, para-nadador português (foto D.R.)

Um ponto comum a todos os atletas foi o apelo por maior visibilidade e reconhecimento, especialmente por parte da comunicação social. Diogo Cancela, medalha de bronze em Paris 2024, desafiou os jornalistas a darem mais atenção ao desporto adaptado. «Temos os mesmos resultados que um atleta normal, mas temos toda a história por trás, de superação», argumentou.

Carla Oliveira reforçou o pedido, exigindo um tratamento equitativo. «Queremos ser vistos como atletas que treinam, que trabalham. Sou bicampeã da Europa e poucas notícias existiram sobre isso. Eu sou mais do que uma cadeira de rodas», sublinhou, pedindo para não serem vistos «nem como coitadinhos, nem como super-heróis».

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