Médio do Manchester United espera que a polémica acabe a bem, porque o capitão é um «símbolo de Portugal» e afirmou que não há divisões na Seleção Nacional
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

As 'duras' de Jesus, o espaço de João Neves e Ronaldo como «ícone mundial»: tudo o que disse Bruno Fernandes

Rasgados elogios ao capitão da Seleção Nacional e a certeza de que «todas as casas devem resolver os seus assuntos de porta fechada»

-Que tem de fazer Portugal para agora sofrer um pouquinho menos frente à Noruega?

- Sofremos também pela qualidade da Noruega. Como o mister já referiu aqui várias vezes, é uma seleção com muita qualidade, com jogadores de grande nível e que causam dificuldades. Há que ver e dar valor ao trabalho defensivo que foi feito, porque foi bom. Provavelmente demos mais oportunidades do que queríamos à equipa adversária, mas, ao mesmo tempo, conseguimos ser muito eficazes na maneira como defendemos. Há sempre coisas a melhorar em todos os jogos e esse não foi diferente. O mais importante é sempre conseguir resultados e fora de casa é cada vez mais difícil. Foram três pontos muito importantes na nossa caminhada e espero que amanhã sejam mais três para podermos estar mais perto do nosso objetivo.

- No novo sistema que o selecionador está a introduzir na seleção, jogadores como o João Neves poderão ter menos espaço?

- Quem vai ter espaço ou não, cabe ao mister decidir e ainda bem que não me cabe a mim [sorrisos, porque existe muita qualidade nesta seleção e só saímos beneficiados com isso. É sinal de que temos um grupo de grande nível. Temos jogadores que podem jogar em posições diferentes e estar em campo ao mesmo tempo, como aconteceu no último jogo. O João Neves esteve em campo ao mesmo tempo que o Vitinha, o João Félix e eu. Somos jogadores que podemos ocupar posições muito similares e acho que isso é um ponto muito positivo. Estar no espaço da Seleção é algo extraordinário e não devia ser visto de forma negativa, independentemente de se jogar mais ou menos. Todos queremos jogar. Vimos dos nossos clubes como titulares e todos queremos representar o nosso país, começar os jogos e causar dores de cabeça ao mister para que as opções fiquem cada vez mais difíceis.

- Sendo um dos capitães, como tem visto o grupo a lidar com tudo o que se passou nos últimos dias?

-Todos nós sabemos gerir as nossas próprias situações. Temos uma situação neste momento na seleção que nada tem a ver com os jogadores. O papel mais importante que podemos ter é dar resultados em campo. Em relação ao Cris [Ronaldo], tive uma conversa com ele. Aquilo que lhe disse a ele é o que repito aqui: independentemente daquilo que aconteça, o Cris nunca deixará de ser o maior símbolo da nossa seleção, do nosso futebol e, com certeza, o maior símbolo do nosso país por tudo o que fez em Portugal e pelo mundo fora. Ele tem um lugar reservado nos melhores de todos os tempos e no coração de todos os portugueses. O mais importante agora é deixarmos de dividir as águas. Não existem divisões na seleção, a seleção é uma só e continuará a ser uma só, independentemente dos ruídos que venham de fora. Todas as casas devem resolver os seus assuntos de porta fechada e é assim que a seleção tem de funcionar. Tenho a certeza de que tudo acabará bem, tanto para um lado como para o outro. Estamos completamente fora do assunto. Estamos por dentro daquilo que vocês vão dizendo e do que vamos vendo, mas, honestamente, passamos muito tempo na sala dos jogadores a jogar cartas em vez de estar a ver televisão. Por isso, estamos muito fora desta polémica. O que peço, mais uma vez, é que o país não se divida, que não faça escolhas e que viva isto como um só. Que respeite e aceite todos os lados, mas lembrando que o Cris é e será sempre o maior ícone da nossa seleção, do nosso futebol e do futebol mundial, merecendo o respeito de todos os portugueses, independentemente de quem goste mais ou menos.

- No final do último jogo, o Jorge Jesus falou sobre uma conversa que teve consigo ao intervalo, sobre a influência que o Bruno Fernandes tem de ter no jogo da seleção pela posição específica em que joga. Que tipo de exigência é essa? 

- Depois da ‘dura’ que levei, fiz melhor! [risos]. Já conheço o mister, trabalhei com ele no Sporting e foi ele quem me trouxe para os grandes palcos em Portugal. Sei da exigência que é trabalhar com ele e das ‘duras’ que é preciso levar de vez em quando — algumas com razão, outras menos [sorriso]. A exigência que o mister tem para comigo e para com os restantes jogadores vem da crença que ele tem na nossa qualidade e naquilo que podemos dar à seleção. A minha primeira parte não foi tão bem conseguida como a segunda. Há pontos a melhorar, mesmo em relação à segunda parte. As palavras do mister ao intervalo serviram para eu melhorar no segundo tempo, o que acabou por ser positivo para mim, para os meus companheiros e para o resultado final.

- No final do jogo na Dinamarca, em Copenhaga, todos os seus colegas referiram o trabalho do novo selecionador. Sentem mais alegria  e que agora estão a jogar mais de acordo com aquilo que de facto querem jogar?

- Já passei por uma mudança de treinador aqui, de Fernando Santos para Roberto Martínez, e a pergunta foi exatamente a mesma. Dizia-se que o ambiente estava mais positivo e mais leve depois da mudança. Todos os treinadores têm as suas maneiras de trabalhar e são diferentes: uns vão mais ao encontro de um determinado jogador do que outro, uns jogam mais com um treinador, outros com outro. O que posso falar é daqui para a frente. Tenho uma gratidão enorme tanto pelo Fernando Santos, que foi o primeiro a chamar-me, como pelo Roberto Martínez, que me deu a possibilidade de jogar muitas vezes, assim como pelo mister que está aqui ao meu lado. Já conhecia as suas ideias, mas o facto mais importante é que as ideias estão a ser assimiladas muito rapidamente. Tivemos uma resposta célere àquilo que o mister nos pediu, principalmente no trabalho defensivo. A linha defensiva, à qual o mister dá uma atenção muito especial, assim como a forma como pressionamos, tem sido fundamental para a nossa maneira de defender. Temos visto os resultados disso. Há melhorias a fazer — haverá sempre em todos os jogos —, mas os jogadores adaptaram-se muito bem, estamos a jogar bem e a equipa está a ganhar. Quando se ganha é sempre mais fácil dizer que as ideias estão bem assimiladas; assim que chegar a primeira derrota, haverá quem diga que as ideias do mister não são as certas ou que os jogadores não as estão a assimilar. O mais importante é ganhar jogos, assimilar ao máximo as ideias do treinador e passá-las para dentro do campo.

- Frente ao País de Gales jogou como um falso extremo, ocupando uma zona interior na meia-esquerda, mas no segundo jogo alinhou mais como 10 ou segundo avançado. Quais são as diferenças entre estas duas posições?

- Acabam por ser duas posições muito similares perante aquilo que o mister pede. A nível defensivo, jogar descaído pela esquerda obriga-me a pressionar mais vezes por fora, a acompanhar o lateral nos movimentos de profundidade e a fechar por dentro quando a bola está do outro lado, ajudando os médios para que não haja superioridade numérica no meio. Jogando na posição em que alinhei neste último jogo, o papel passa mais por ajudar o avançado nos primeiros momentos de pressão e, num bloco mais baixo, fazer parte de um trio de médios para fechar o meio-campo. A nível ofensivo, pela esquerda tento ocupar espaços interiores para dar espaço à profundidade e velocidade dos nossos laterais, como o Nuno Mendes, e ao mesmo tempo aproximar-me dos homens do meio-campo, do segundo avançado e do ponta de lança para criar combinações, como aconteceram no jogo na Dinamarca. Essas dinâmicas são importantes para mim, mas o fundamental é a equipa ter as ideias bem definidas e conseguir fazer diferente em jogos diferentes para não se tornar previsível. Temos sido capazes de fazer isso.

- Acha que se tem dado mais valor a factos externos aos jogos e não se tem dado o devido valor ao facto de, à terceira jornada, a seleção ter tantos pontos como os outros adversários todos juntos?

- É um processo natural. Vou ser muito sincero: sei ao que se quer referir, mas nós estamos muito habituados a isso. Eu joguei com o Cris no clube e a maior parte de nós já joga com ele há muito tempo na seleção, por isso conhecemos a atenção mediática que ele atrai. Isso não nos retira o foco. Sabemos que estamos a fazer as coisas bem como equipa — o Cris incluído, porque faz parte do grupo e esteve no primeiro jogo. Estamos na direção certa e mais perto do nosso objetivo. O principal dentro do nosso grupo é saber deixar de lado o ruído e focar no que é mais importante, que é o que sabemos fazer dentro do campo. Fora dele, não nos cabe gerir isso; cabe-nos apenas gerir as nossas emoções quando entramos em jogo.

- Em relação ao último jogo, há a ideia de que os jogadores da Noruega poderão querer desforrar-se da dura entrada que Bernardo SIlva teve em Odegaard. Que sente sobre isso?

- Não tenho nada a declarar sobre isso. Eu, o Bernardo Silva e o Martin [Odegaard] jogamos na Premier League, que é provavelmente um dos campeonatos mais duros do mundo em termos de agressividade, por isso não estou preocupado com isso. Queremos ganhar o jogo, jogar bom futebol e fazer aquilo de que sabemos que somos capazes.

- Como compara esta geração de estrelas portuguesas com a geração anterior que conquistou títulos?

- Cada geração é distinta e tem as suas próprias qualidades. A qualidade dos jogadores portugueses sempre existiu ao longo do tempo. Não é possível comparar o que se fazia no passado com o que fazemos hoje, nem prever o futuro. O mais importante para nós na seleção nacional é continuar a crescer e tirar o máximo proveito de todo este talento, para que cada um seja a sua melhor versão e continue a dar orgulho ao país.

- Conhece muito bem o Ole Gunnar Solskjaer do tempo do Manchester United. Falaram sobre este jogo? recorda-se dessa fase no clube?

- Ole foi alguém muito importante para mim. Ele deu-me a oportunidade de jogar por um dos maiores clubes do mundo e fiquei muito satisfeito pelo tempo em que trabalhámos juntos. Não falámos sobre este jogo em concreto — às vezes trocamos mensagens sobre futebol —, mas espero que no final do jogo de amanhã ele me possa mandar uma mensagem de parabéns que seja boa para mim e não tão boa para ele!

- No último jogo, houve um vídeo que mostrou o festejo de um jogador dinamarquês a imitar o Cristiano Ronaldo. O que achou dessa situação?

- Não vi esse vídeo. Sei que ele [Rasmus Hojlund] é um grande fã do Cristiano Ronaldo, que é um dos grandes ídolos da carreira dele. Ele fez esse mesmo festejo com o Cristiano em campo. O Cristiano é uma figura icónica no mundo inteiro e é normal ver este tipo de celebrações e imitações hoje e nos próximos 30, 50 ou 70 anos. Fico muito orgulhoso por ver o impacto que o Cristiano continua a ter.

A iniciar sessão com Google...