Klopp ainda agora chegou e já está debaixo de fogo
O início de Jurgen Klopp ao leme da seleção da Alemanha não poderia ter sido mais atribulado. Com um empate diante dos Países Baixos (1-1) e uma derrota caseira frente à Grécia (0-1) nos seus dois primeiros encontros, o antigo técnico do Liverpool protagonizou o pior arranque de um selecionador na história da formação germânica.
Até à data, apenas Sepp Herberger, em 1937, e Helmut Schon, em 1965, não tinham conseguido vencer nos primeiros dois jogos oficiais, mas ambos registaram dois empates, superando o registo agora rubricado por Klopp no pontapé de saída da Liga das Nações 2026/27.
Confrontado com o momento delicado, o treinador alemão assumiu as responsabilidades e pediu paciência durante a conferência de imprensa: «Já sabia antes de vir para cá que o futebol alemão não se encontra atualmente no seu melhor momento e que Jurgen Klopp não ia chegar e resolver todos os problemas com um simples gesto de mão. Se alguém não sabia, agora já sabe. Os avanços nunca são suficientemente grandes e as coisas nunca acontecem com a rapidez desejada. Mas, com o tempo, num futuro próximo, chegará um momento em que qualquer adversário terá dificuldades em defrontar-nos.»
A crise de identidade da equipa nacional germânica não é recente e encontra paralelos na situação vivida por Itália, com a ressalva de que a Alemanha marcou presença nos últimos três Mundiais. O próprio Hansi Flick enfrentou duras críticas e orientou apenas 25 partidas à frente da seleção antes de reconstruir a carreira e formar uma equipa altamente dominadora em Barcelona.
No entanto, a contestação interna não tardou a surgir. Na televisão alemã, Bastian Schweinsteiger deixou duras críticas ao valor global do conjunto: «Já não somos uma equipa de primeira categoria. Agora somos apenas uma equipa medíocre. Já não contamos com jogadores que façam a diferença. Até a Grécia tem Karetsas, Tzolis e Pavlidis; para mim, esses são jogadores que fazem a diferença. Esperemos que Jürgen Klopp consiga formar uma equipa capaz de praticar o futebol de Klopp.»
Sem dramatismos excessivos, Klopp procurou colocar água na fervura: «Não há motivo para entrar em depressão e dizer: «Somos muito maus. Não o somos. Mas também não somos assim tão bons.»
O timoneiro apelou ainda à proteção do plantel e assumiu o escudo das críticas: «Se querem criticar alguém, critiquem-me a mim. Deixem que os novos jogadores se desenvolvam. Os jogadores consolidados são atletas de topo nos seus clubes e contam com o meu apoio. Critiquem-me a mim se quiserem, mas não aos rapazes. Não é preciso destruir tudo por completo. Fiquei surpreendido por algumas pessoas terem vaiado. O futuro será tão promissor quanto o construirmos. Vamos encará-lo com tudo o que temos e continuaremos por este caminho.»
Klopp terá agora pela frente duas oportunidades imediatas para inverter o rumo dos acontecimentos: a receção à Sérvia e a deslocação à Grécia.