Jorge Fonseca: «Sofri muitas lesões, já tinha saudade do pódio»
Passados oito meses após ter competido pela última vez no Campeonato do Mundo de Budapeste-2025 e 22 desde que subira ao pódio para receber o bronze no Grand Slam do Cazaquistão-2024, Jorge Fonseca (-100 kg) marcou o regresso ao Circuito Mundial ao ser bronze no Grand Prix da Áustria. O duas vezes campeão do mundo, de 33 anos, conversou com A BOLA sobre o calvário de lesões que passou nos últimos tempos e como, apesar de desejar estar nos Jogos de Los Angeles-2028, para já só pensa em não voltar a magoar-se e recuperar a forma que lhe pode fazer crescer a ambição.
- Já sentia muitas saudades de estar a combater, subir a um pódio e ganhar uma medalha?
- Sim, já tinha saudade de voltar a competir. Passei por um processo um bocado difícil, em que sofri muitas lesões e agora regressar depois de tudo esse período complicado foi bom. Para mim, estar a competir e receber aquela medalha foi um momento épico porque, como referi, passei por bastantes lesões e não sabia lidar com elas.
- Estes oito meses em que não competiu desde o Mundial de Budapeste, foi então apenas devido às várias lesões que sofreu, é isso?
- Sim, sim... Sofri lesões num joelho, no peito... mas houve sobretudo duas mais graves que me deixaram muito tempo ausente do judo.
- E este regresso é com que objetivo, para chegar aos Jogos de Los Angeles-2028? Mantém essa ambição?
- Continuo com objetivo de ir aos Jogos Olímpicos, mas, por enquanto, a intenção é apenas começar a competir. Estive demasiado tempo parado por estar magoado. Por enquanto só quero curtir, competir e estar bem. Poder combater sem limitações. Daí que, para já, ainda não pense em objetivos sem ser o de continuar neste ritmo, ganhando nível para vir a conseguir disputar grandes medalhas internacionais.
- Mas, por enquanto, nem colocou nenhum a curto prazo, como estar no Campeonato da Europa da Geórgia, em abril?
- Não, ainda não penso no Europeu. Dentro de 15 dias vai haver um Grand Slam [Tbilisi, 20-22 março] e o desejo é que consiga fazer o máximo de combates para poder ganhar forma e aí sim, conseguir chegar ao Europeu. Mas, por enquanto, não é uma coisa na qual esteja a pensar. Como fiquei oito meses parado, ainda não alcancei um grande ritmo competitivo, daí que o objetivo seja conseguir essa boa forma.
- E no domingo, durante a prova, sentiu que lhe faltava ainda o quê?
- Que faltavam os oito meses que tive parado. Faltava mais tempo para treinar judo, porque só comecei a fazer judo há dois meses. Razão também de ainda não me encontrar num nível mais elevado.
- No entanto, o nível de resistência até esteve bem. Não foi daquelas provas em que terminava os combates bastante desgastado.
- Sim, estive, Como só andei a fazer fisioterapia durante muito tempo, aproveitei para trabalhar mais resistência, mas o judo em si, só comecei há dois meses.
- E já notou a existência de muitas caras novas para este ciclo olímpico?
- Eh pá, nem reparei muito… [risos] Só queria fazer o meu trabalho, concentrar-me no objetivo e procurar avançar o máximo possível.
- E o que é que, na prova, gostou em si a combater?
- A minha resistência, que está a evoluir bastante. Senti que conseguia aguentar os combates todos, mas ainda tenho muito para trabalhar para voltar a ter uma boa resistência.
- Apesar de não querer colocar já a fasquia nos Jogos Olímpicos, este regresso é para tentar chegar àquilo que lhe permitiu ser duas vezes campeão do mundo e medalhado nos Jogos? Para competir só lhe interessa que seja assim?
- Quero competir para chegar ao nível que tinha. Espero não vir a ter mais lesões para conseguir trabalhar e alcançar a capacidade que tive. Saí que a minha preocupação, neste momento, seja apenas estar bem e lutar bem. Sem lesões. Depois as medalhas... essas virão com o avançar do tempo. Irão acontecer provas boas, provas mas… mas, consoante o que trabalhar e como estiver a competir, as coisas vão aparecendo.
- Notei que no pódio era o que estava mais sorridente, apesar de ter sido bronze.
- Na verdade, não estava muito sorridente, obrigaram-nos a rir. Pediram para que sorrisse um bocado porque estava com cara de chateado. Mas também percebi que não podia estragar a fotografia e então comecei a sorrir.
- E há alguma coisa que ambicione a curto prazo, além de ganhar esse nível de forma competitiva?
- Não… nada. Para ser sincero, neste momento só peço para não ter lesões e voltar a conseguir treinar e competir como desejo para estar ao nível das competições em que irei participar. Passei muito tempo fora do judo e isso para mim foi demasiado mau. A melhor medalha que posso conseguir é superar o tempo que tive fora dos tapetes, porque foi demasiado e as lesões são das piores coisas que existem.
- Mas já tinha saudades de dar um beijinho na medalha?
- Já tinha saudade, mas principalmente de competir. Agora será uma coisa de cada vez. Quero estar bem e voltar a ter uma boa forma física, que é o mais importante.
- E como foi estar ali a combater neste regresso sem o Pedro Soares [selecionador masculino e treinador de Jorge no Sporting]?
- Também tenho o Marco [Morais, selecionador feminino que acompanhou a equipa à Áustria], que é o outro técnico da seleção e um excelente treinador. O Pedro fez o trabalho dele de casa, mas sei que também estava ali a puxar e a apoiar-me. Mas tinha lá o Marco, que é quase igual, não muda quase nada.