Polémica na Finlândia: jogador abandona seleção mais cedo e origina queixa à FIFA
A Federação Finlandesa de Futebol vai apresentar uma queixa formal junto da FIFA contra o Queens Park Rangers (QPR). Em causa está a alegada pressão exercida pelo emblema londrino para que Glen Kamara abandonasse a concentração da seleção antes do término da janela internacional, impedindo o médio de alinhar na partida de terça-feira frente à Bielorrússia, relativa à Liga das Nações.
O jogador, que atuou no sábado diante da Albânia, viu o clube inglês intervir de forma direta para assegurar o seu regresso antecipado a Inglaterra. Em declarações sobre o caso, o secretário-geral da federação, Marco Casagrande, explicou que o organismo não aponta culpas ao atleta, mas sim à conduta do emblema que milita no Championship, que terá violado os regulamentos da FIFA concebidos precisamente para evitar que os futebolistas tenham de escolher entre clube e seleção.
«É verdadeiramente lamentável que ele seja colocado numa situação em que é forçado, na prática, a fazer uma escolha tão difícil devido à pressão do clube», frisou Casagrande, em declarações reproduzidas pela Imprensa finlandesa, acrescentando: «Kamara fica numa posição complicada. Lamentamos e compreendemos isso perfeitamente.»
De acordo com os regulamentos internacionais, qualquer futebolista convocado deve permanecer ao serviço da respetiva federação até ao final da janela de jogos, a menos que exista um acordo prévio para a sua libertação. Marco Casagrande garantiu que não houve qualquer entendimento nesse sentido: «As regras são muito claras e, na nossa perspetiva, não foram cumpridas neste caso.»
A ingerência do QPR traduziu-se inclusive na logística da viagem. Habitualmente, cabe à federação organizar as viagens dos internacionais, mas os londrinos trataram de marcar diretamente o voo de volta para Inglaterra.
«Recebi a informação praticamente quando a decisão já estava tomada. O Kamara informou que iria sair e já tinha o voo pronto para regressar ao clube», revelou o dirigente, que mais tarde abordou o tema com o diretor-geral do QPR, alertando para o caráter de exceção e a gravidade do cenário.
O caso poderá agora ter consequências desportivas imediatas. Ao abrigo das normas da FIFA, um jogador dispensado de forma irregular ou sem consentimento federativo fica impedido de representar o seu clube durante o período da convocatória e nos cinco dias posteriores ao fecho da janela.
Desta forma, Kamara arrisca falhar o próximo compromisso da formação londrina no campeonato, agendado para sexta-feira, diante do West Ham de Nuno Espírito Santo.