Há uma fatura dos Jogos Olímpicos de 310 milhões de euros e alguém tem de pagar
A organização dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão, enfrenta um défice financeiro de 310 milhões de euros, um rombo causado pelo aumento dos custos e pela quebra nas receitas. O Comité Olímpico Internacional (COI) já descartou qualquer apoio financeiro extra, sublinhando que a responsabilidade é exclusiva do comité organizador local.
O projeto, inicialmente apresentado como um evento sustentável e de custo zero, viu o seu orçamento disparar de 1,4 mil milhões de euros para 1,7 mil milhões. O défice é o resultado de mais de 230 milhões de euros em custos adicionais, muitos ligados a atrasos na construção de infraestruturas como a Arena Santa Giulia, e de uma quebra de cerca de 80 milhões de euros em receitas de patrocínios, direitos de transmissão e bilhética.
The IOC has ruled out covering the financial shortfall of Milano Cortina 2026, leaving organisers to absorb the deficit.
— insidethegames (@insidethegames) April 26, 2026
Rising costs and lower revenues have pushed the Games’ budget into the red.
📷: Getty Imageshttps://t.co/faao2ypDEv pic.twitter.com/MSTlaqIe2Q
Apesar do sucesso desportivo da Itália, que conquistou 30 medalhas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o cenário financeiro é sombrio. A responsabilidade pela cobertura do défice recai sobre os acionistas da Fondazione Milano Cortina 2026: o Estado italiano, as regiões do Veneto e da Lombardia, as províncias autónomas de Trento e Bolzano e os municípios de Milão e Cortina.
El COI no ayudará financieramente a la organización de los #JuegosOlímpicos de Milán/Cortina en su déficit económico. El déficit de €310 millones será pagado entre el Estado y las regiones implicadas, desentendiéndose el COI de cualquier ayuda pic.twitter.com/JYodhGEeU3
— Historias de los Juegos (@HistoriasdlosJJ) April 27, 2026
Numa tentativa de obter apoio, representantes da fundação deslocaram-se a Lausana, mas a resposta do COI foi taxativa. «Já contribuímos significativamente, mais do que o acordado», afirmou um porta-voz do COI, citado pela imprensa italiana. «A responsabilidade pelo orçamento operacional dos Jogos é do comité organizador de Milano Cortina 2026».
O COI recorda que já se comprometeu com um total de 925 milhões de dólares no âmbito do Contrato da Cidade Anfitriã, valor que inclui 625 milhões de euros em dinheiro e serviços adicionais. A organização insiste que o movimento olímpico já ofereceu um apoio sem precedentes, mas o resultado final é o colapso do modelo de «custo zero», que dependia de receitas comerciais que não se materializaram.
De acordo com o Inside the games, a pressão sobre a Fondazione Milano Cortina 2026 aumenta também devido a dívidas por pagar. O Comité Olímpico Nacional Italiano (CONI) e o Comité Paralímpico Italiano (CIP) reclamam formalmente o pagamento de 53 milhões de euros. Deste montante, 48 milhões são exigidos pelo CONI por direitos comerciais e 5,4 milhões pelo CIP por marketing paralímpico. A fundação já admitiu não ter fundos para saldar estas dívidas.
Luciano Buonfiglio, presidente do CONI, e Marco Giunio De Sanctis, presidente do CIP, foram claros numa intervenção em Roma. «O CONI é o credor e a Fondazione Milano Cortina 2026 (MiCo) é a devedora», declarou Buonfiglio, avisando que os garantes, incluindo o Estado, serão chamados a pagar se a dívida não for liquidada até 31 de dezembro.
A disputa remonta a um acordo de 2019, no qual o CONI e o CIP suspenderam as suas atividades de marketing para dar exclusividade ao comité organizador, em troca de uma parte das receitas que nunca chegou. «A MiCo não tem recursos para saldar esta dívida», confirmou De Sanctis, acrescentando que o governo prometeu intervir, embora sem um prazo definido.
O futuro do financiamento para as equipas olímpicas e paralímpicas de Itália está envolto em incerteza, com uma verba governamental de 14 milhões de euros em risco. Este montante é habitualmente destinado ao apoio das equipas e aos prémios por medalhas.
Pela primeira vez, estes bónus foram isentos de impostos. Os valores para os atletas olímpicos foram de 180 000 euros para o ouro, 90 000 euros para a prata e 60 000 euros para o bronze. Já no desporto paralímpico, os prémios foram de 100 000 euros, 55 000 euros e 35 000 euros para ouro, prata e bronze, respetivamente.
Artigos Relacionados: