Fernando Alonso: «Novas regras mataram os grandes circuitos da F1»
O bicampeão mundial de Fórmula 1, Fernando Alonso, continua a pressionar por melhores regulamentos, mostrando-se frustrado com as regras técnicas para 2026 que, segundo afirma, prejudicam a pilotagem e o espectáculo.
A principal queixa do piloto espanhol prende-se com os regulamentos de 2026, que privilegiam uma gestão de bateria contraintuitiva em detrimento da velocidade máxima em pontos nevrálgicos dos circuitos, desvirtuando a essência da pilotagem.
Alonso tem mantido conversas com o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, para manifestar a insatisfação e defender alterações, esclarecendo que a maior preocupação prende-se com a qualidade do espetáculo.
Em declarações em Baku, onde o piloto da Aston Martin começou por clarificar que a decisão de continuar na Fórmula 1 não depende apenas da competitividade da equipa, elencou uma série de considerações sobre a eletrificação das motorizações. «No próximo ano, já haverá uma mudança com o rácio 60-40 que irá melhorar as coisas. Mas talvez haja mais aspetos em que precisamos de pensar para continuar a melhorar. É assim que vejo as coisas».
Já existem planos para melhorias a partir de 2027, com uma divisão de 60-40 entre a potência de combustão e a energia elétrica. Estas alterações, que incluem um aumento do fluxo de combustível, visam reduzir a dependência da bateria, permitindo que os pilotos ataquem mais e conduzam de forma mais natural, sem terem de poupar energia em curvas de alta velocidade.
Alonso sente que a F1 atual vai contra o instinto dos pilotos. «Chega-se à Fórmula 1 e é preciso recuar um pouco no que se aprendeu nos últimos 20 anos de carreira. É preciso pilotar de uma forma diferente. Isto só acontece na Fórmula 1», lamentou. «Não há outra categoria no desporto motorizado onde seja preciso guiar devagar para ser rápido».
O ponto mais crítico para o espanhol é a forma como alguns dos circuitos mais icónicos foram neutralizados. «Estes regulamentos matam os grandes circuitos da Fórmula 1. Tivemos Silverstone, um circuito incrível. Já não é divertido. Tivemos Spa, que foi quase embaraçoso fazer a curva Eau Rouge, e em Suzuka a 130R. Houve alguns circuitos que foram mortos este ano», desabafou. «As minhas conversas com o Stefano [Domenicali, CEO da F1], o Mohammed ou as equipas em geral são sobre isto».