Portugal foi à Lituânia conquistar o Mundo, em 2021
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Do sonho à eternidade: há cinco anos, Portugal subiu ao topo do Mundo

Depois de sobreviver à Espanha, ao Cazaquistão e a uns intermináveis dez minutos finais frente à Argentina, a Seleção conquistou na Lituânia o primeiro (e, até agora, único) título mundial da sua história

Há cinco anos, Portugal deixou de sonhar e passou a poder dizer, para sempre, que era campeão do mundo de futsal. A 3 de outubro de 2021, em Kaunas, a Seleção Nacional bateu a Argentina por 2-1 e conquistou o troféu que faltava. Mas até chegar à glória, houve sofrimento, reviravoltas, prolongamentos, penáltis e uma caminhada que pareceu, por várias vezes, querer fugir das mãos portuguesas.

Portugal chegou à Lituânia com o estatuto de campeão da Europa e uma ambição que já não era escondida: depois de conquistar o continente, faltava conquistar o mundo.

Jorge Braz guiou Portugal ao título mundial, para além de dois Europeus e uma Finalíssima

«Queríamos muito ganhar. Fomos falando entre nós durante a competição toda e, com o desenrolar da competição, com o aproximar da final, o sonho foi ficando cada vez mais possível. Fomos cada vez mais acreditando», conta Bruno Coelho, em declarações a A BOLA.

A fase de grupos começou com vitórias sobre Tailândia (4-1) e Ilhas Salomão (7-0), antes de um empate frente a Marrocos (3-3). Depois, acabou o espaço para deslizes. Nos oitavos de final, a Sérvia levou Portugal até ao prolongamento, mas a Seleção sobreviveu (4-3). E, nos quartos de final, apareceu um adversário que dispensava apresentações: a Espanha.

«Trememos um bocadinho com a Espanha. Levámos com uma bola no poste mesmo a acabar o tempo regulamentar e foi o momento mais difícil. Porque, de resto, mesmo no jogo equilibrado contra a Sérvia, nunca senti que o Mundial nos estivesse a fugir», relembra o antigo internacional luso.

Bruno Coelho com o troféu do Mundial

Portugal esteve a perder por 0-2. O caminho para as meias-finais parecia estar a fechar-se, mas aquela equipa tinha uma característica que viria a definir todo o Mundial: recusava-se a desistir. Reagiu, empatou e, no prolongamento, consumou uma reviravolta extraordinária. 4-2 à Espanha. O campeão europeu estava entre as quatro melhores seleções do mundo.

Mas ainda faltava passar pelo Cazaquistão. E foi aí que o coração português voltou a ser posto à prova. O jogo terminou empatado a 2-2 — graças a um tento de Bruno Coelho a acabar o prolongamento — e a decisão teve de ser encontrada nos penáltis. O silêncio, a tensão, a responsabilidade de cada remate. Portugal resistiu novamente e venceu por 4-3. Estava na final do Mundial pela primeira vez.

«A primeira imagem que me vem à cabeça quando penso nesse Mundial é a meia-final com o Cazaquistão, quando o Tiago Brito marcou o penálti da vitória. Que sofrimento bom com aquele momento. Olhar para os meus colegas, ver as lágrimas de felicidade. Foi um grande momento. Não tirando o sentimento de vitória de ter ganho o Mundial, sentimos mais, e foi como um aliviar de stress, termos ganho a meia-final, do que o jogo da final», admitiu Bruno Coelho.

Bruno Coelho marcou três golos na caminhada rumo ao título mundial, incluindo um muito importante frente ao Cazaquistão, a acabar o prolongamento, que levou o jogo para as grandes penalidades

No jogo em que todos queriam estar, a Argentina, campeã mundial em título, esperava a Seleção.

E, aí, Portugal não tremeu. Pany Varela marcou duas vezes e colocou a equipa das quinas numa posição privilegiada. Mas aquilo que parecia estar encaminhado transformou-se numa batalha de nervos. A Argentina reduziu e os últimos dez minutos transformaram-se numa eternidade. Cada ataque argentino fazia o coração disparar.

Pany Varela foi decisivo na final

Foram dez minutos de sofrimento puro. Até que chegou o apito final. Portugal era campeão do mundo. «Foi uma emoção muito grande, muito forte. Abracei o Jorge Braz, disse-lhe: «Mais uma!» Conseguimos mais um feito histórico. Abracei o João Matos, abracei o Ricardinha. Festejei com a bancada, festejei com toda a gente. Ganhar o Mundial pelo nosso país é atingir o ponto mais alto das nossas carreiras desportivas e foi um momento que vai ficar para a história. Foi o primeiro», disse o ala.

«Acredito que, num futuro muito próximo, consigamos chegar lá outra vez, porque temos uma seleção muito forte. Os jogadores estão bem trabalhados e preparados, os clubes estão a trabalhar cada vez melhor na formação. A própria Federação também está a trabalhar bastante bem na formação e estamos bem guardados para o futuro», considerou.

Sobre o que tornou aquele grupo de campeões tão especial, Bruno Coelho não teve dúvidas: «A forma de trabalhar, a dedicação e a entrega ao grupo. Também um bocado de querer recompensar todo o trabalho que foi feito pela Federação e pelo Braz. Foi dar o corpo por alguém que acreditou e que confiou sempre em nós. Era a nossa responsabilidade.»

Seleção festejou com Jorge Braz

Ricardinho, capitão e eleito melhor jogador do torneio, levantou o troféu no meio da festa portuguesa, naquele que seria o último grande torneio do mágico.

Ricardinho com o troféu

«Puder dizer que sou campeão do Mundo é giro. É o ponto mais alto da carreira de um atleta. O meu filho tem 11 anos e é gratificante ele saber que o pai foi campeão do Mundo e da Europa e ganhou estes títulos todos pela Seleção. Também é importnate passar a mensagem aos mais novos, e não só, que ambicionam ser algo mais no desporto. Dizer que é possível realizar os nossos objetivos e os nossos sonhos. Com trabalho, com dedicação, tudo é possível», concluiu.

Cinco anos depois, a conquista continua a ter algo de especial porque foi construída à imagem daquela equipa: quando parecia faltar espaço para respirar, Portugal encontrou forças para continuar. Quando parecia que o sonho estava a escapar, agarrou-o com as duas mãos.

Portugal subiu ao topo do Mundo em 2021

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