Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero

«Desculpem-me os outros, mas Sinner foi a grande referência para elevar Alcaraz»

Juan Carlos Ferrero revelou que, durante o período em que treinou Carlos Alcaraz, definiu Jannik Sinner como principal adversário a bater, usando o italiano como modelo de exigência para impulsionar a evolução do murciano dentro e fora do court

Juan Carlos Ferrero revelou que, durante os anos em que orientou Carlos Alcaraz, houve um nome que serviu constantemente como referência no trabalho diário: o italiano Jannik Sinner. Mais do que qualquer outro adversário, foi em função do nível e das características de Sinner que o treinador espanhol moldou a evolução do murciano, assumindo-o como o principal «alvo» competitivo a atingir.

Ferrero explicou que, «com todo o respeito pelos outros tenistas», Sinner era o jogador que mais influenciava o planeamento específico de treinos, funcionando como padrão de exigência para elevar o rendimento de Alcaraz. A rivalidade implícita entre ambos serviu, assim, como motor de desenvolvimento, tanto no plano técnico como estratégico».

Carlos Alcaraz e o ex-treinador Juan Carlos Ferrero

Falando no ‘Simpósio nacional de treinadores de ténis’, promovido pela Federação Portuguesa de Ténis, no Jamor, o espanhol destacou que a sua preocupação ia muito além dos resultados. «Perguntava-me muitas vezes como ele podia ser melhor como pessoa e jogador», referiu, sublinhando que a evolução contínua era essencial para evitar estagnação».

Ainda assim, Ferrero não escondeu que o maior desafio no acompanhamento de Alcaraz esteve fora do campo, devido às crescentes exigências mediáticas e comerciais. «Há tanto interesse e tantos compromissos com a imprensa, patrocinadores e fãs, que é difícil ter tempo de qualidade», explicou.

Entre os aspetos técnicos, o treinador destacou o serviço como a pancada mais trabalhada ao longo dos anos, num processo de aperfeiçoamento contínuo. Paralelamente, insistiu sempre na importância de manter o jogador «fresco, motivado e com ideias claras», sem perder os valores pessoais.

Vencedor de Roland Garros em 2003, Ferrero voltou também a sublinhar o papel fundamental da equipa que rodeia o atleta, defendendo que o sucesso passa por compreender a personalidade de cada jogador e adaptar o treino a essa realidade.

Já retirado desde 2012, o espanhol explicou que aceitou treinar Alcaraz por sentir falta de «viver o processo de ir do zero ao topo», algo que acabou por reviver ao lado do jovem talento. Na sua academia, continua a apostar num acompanhamento próximo e personalizado, alertando para erros comuns nos mais jovens, como a falta de leitura antecipada do jogo — aquilo a que chama «jogo invisível».

Por fim, o antigo número 1 mundial deixou uma mensagem aos treinadores: paciência e versatilidade são essenciais numa função que vai muito além da vertente técnica, exigindo também capacidades de gestão emocional e humana.