'Democracia' de Jorge Jesus já chegou a 84% dos eleitos
A qualidade das opções que a Seleção portuguesa tem à disposição é reconhecida a nível internacional e, neste início de ciclo, Jorge Jesus já mostrou que pretende aproveitar ao máximo os recursos que tem em mãos. Os números não deixam grande margem para dúvidas: o novo técnico nacional convocou 25 jogadores para os primeiros quatro jogos ao leme das Quinas e, nos primeiros três, frente a País de Gales, Noruega e Dinamarca, utilizou 21. Uma espécie de democracia de minutos promovida pelo sucessor de Roberto Martínez, que já tocou nada menos do que 84% dos eleitos.
Até ver, as exceções são Rui Silva, Samuel Soares, Gonçalo Inácio e Fábio Silva, mas não é difícil perceber o que leva a que estes quatro convocados ainda não tenham entrado em campo sob a orientação de JJ. Diogo Costa é senhor absoluto da baliza da Seleção, pelo que os guarda-redes de Sporting e Benfica terão de aguardar... pacientemente. Uma lógica semelhante aplica-se no eixo da defesa. «Quando tenho de fazer mudanças num curto espaço de tempo, se não for por lesão, normalmente não mexo atrás», explicou Jesus, ainda na antecâmara do duelo com os noruegueses. Nesta altura, Rúben Dias e Renato Veiga estão na dianteira. E Tomás Araújo foi utilizado na Dinamarca.
Mais à frente, Fábio Silva viu o bom momento que atravessa no Borussia Dortmund ser premiado com a chamada aos compromissos da Liga das Nações, mas o atacante, de 24 anos, acabou por ser preterido da ficha de jogo em Alvalade e Oslo. Em Copenhaga esteve no banco. Mais uma vez, compreensível: na hierarquia de pontas de lança, Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos ocupavam as duas primeiras posições, embora a mobilidade de Fábio possa funcionar como trunfo para o futuro, até porque CR7 saiu. O jogador formado no FC Porto está habilitado a fazer as vezes de segundo avançado — Félix é indiscutível nesse papel — ou até a partir de uma ala, embora o modelo de jogo promovido pelo selecionador não abra tanto espaço à colocação do dianteiro nos corredores.
Importa também referir que, dos 21 atletas já lançados por Jorge Jesus, 11 repetiram titularidades: Diogo Costa, João Cancelo, Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes, Pedro Neto, João Félix, Rúben Neves, Vitinha, Bruno Fernandes e Gonçalo Ramos.
Entre o primeiro desafio e o segundo, Rúben Neves, Vitinha, Bruno Fernandes e Ronaldo saltaram fora do onze, abrindo a porta às entradas de João Palhinha, João Neves, Francisco Conceição e Gonçalo Ramos. Do segundo para o terceiro, JJ fez sair Palhinha, Francisco Conceição, João Neves e João Félix, entrando Rúben Neves, Rafael Leão, Vitinha e Bruno Fernandes.
De resto, no somatório dos três jogos, apenas dois dos utilizados estiveram em campo menos de 10 minutos: Bernardo Silva, lançado aos 87 minutos no jogo com a Noruega; Tomás Araújo que rendeu Bruno Fernandes aos 90+1', frente à Dinamarca. A democracia de JJ está, pois, bem viva e mesmo alguns dos que ainda não calçaram, como Gonçalo Inácio e Fábio Silva, sonham com essa possibilidade. Rui Silva e Samuel Soares, em princípio, não sairão do banco.