A conferência de antevisão do selecionador da República da Irlanda ao encontro frente a Israel, a contar para a Liga das Nações, terminou este sábado de forma caótica e prematura na Sérvia, com bate-boca entre jornslistas e responsáveis pela comunicação. A conversa foi abruptamente cancelada na sequência de perguntas feitas por jornalistas israelitas, prontamente desmentidas e classificadas como «totalmente falsas» pela federação irlandesa
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Conferência antes do Irlanda-Israel é interrompida e acaba em bate-boca (vídeo)

Conversa acabou abrupamente após acusações de racismo e acabou no balneário só com os jornalistas irlandeses

A conferência de antevisão do selecionador da República da Irlanda ao encontro frente a Israel, a contar para a Liga das Nações, terminou este sábado de forma caótica e prematura na Sérvia, com bate-boca entre jornalistas e responsáveis pela comunicação. A conversa foi abruptamente cancelada na sequência de perguntas feitas por jornalistas israelitas, prontamente desmentidas e classificadas como «totalmente falsas» pela federação irlandesa.

A tensão subiu de tom quando, após o selecionador irlandês Heimir Hallgrimsson ter respondido a questões sobre as críticas de jogadores israelitas à postura irlandesa no jogo anterior, o rumo das perguntas extravasou o âmbito desportivo. Sobre o clima tenso do primeiro jogo, o técnico islandês, de 59 anos, tinha frisado: «Não me vou alongar sobre as declarações feitas. Não me quero meter nisso. Quero que os jogadores permaneçam focados no futebol. Gerimos bem esse aspeto no primeiro jogo.»

No entanto, instantes depois, uma jornalista israelita questionou o técnico sobre um ataque ocorrido num voo da Flydubai que fazia a ligação entre os Emirados Árabes Unidos e Israel com 174 pessoas a bordo. O assessor de imprensa da federação irlandesa (FAI), Kieran Crowley, interveio no imediato, pedindo que as questões se concentrassem estritamente no futebol.

De seguida, um outro jornalista israelita assumiu o microfone e alegou que jogadores da Irlanda teriam chamado «macacos» a jogadores de Israel. A reação do responsável de comunicação da FAI foi perentória: «Isso é absolutamente falso», declarou Kieran Crowley, no momento em que outro funcionário da federação tentou, sem sucesso, retirar o microfone ao repórter.

O jornalista israelita contestou de imediato a intervenção: «Estou a fazer o meu trabalho. Não me pode tirar o microfone. Não me pode tocar. Não há mentira nenhuma, foi o que foi dito. Isto é uma conferência de imprensa, somos convidados aqui, podemos fazer perguntas.»

Perante a insistência do jornalista em continuar a intervir, Crowley repetiu várias vezes que era mentira e deu por terminada a conferência de imprensa geral e convocou apenas os órgãos de comunicação social escrita irlandeses para uma sessão reservada, procedimento autorizado pelos regulamentos da UEFA.

«Tudo aquilo por que esta equipa passou, as críticas, conseguirmos sobreviver como grupo depois deste jogo seria uma grande vitória para mim, para o grupo e para a FAI. Uma grande, grande vitória, se conseguirmos ultrapassar isto sem danos», dissera mais cedo o treinador. «O que mais me agradou foi a união e a forma como fizeram tudo uns pelos outros. Fizeram-no com respeito mútuo. Este laço de irmãos será mais forte do que outros. Todos os obstáculos que enfrentarmos no futuro serão menores», referiu.

O selecionador não quis comentar as afirmações de «vingança» feitas pelo capitão de Israel, Manor Solomon. «Quero manter os jogadores focados no futebol. No primeiro jogo, conseguimos fazê-lo bem. Israel terá a oportunidade de se desforrar dentro de campo, por isso temos de estar totalmente concentrados no que diz respeito ao futebol. Temos de manter o foco e não o perder. Há muitas emoções entre os irlandeses em relação a tudo isto, e isso também afeta os jogadores. Será sempre um desafio quando o ambiente à volta é tão intenso como está a ser», explicou.

O confronto entre as duas seleções tem sido marcado por um contexto fortemente politizado. Depois de debates internos na Irlanda sobre um eventual boicote, motivado pela guerra conduzida por Israel na Faixa de Gaza, a primeira mão disputou-se na Hungria perante bancadas praticamente desertas. Nesse encontro, que a Irlanda venceu por 3-0, os atletas irlandeses utilizaram fumos negros e os capitães não trocaram aperto de mão nem galhardetes. O reencontro deste domingo realiza-se novamente em terreno neutro, na Sérvia, devido ao facto de a federação irlandesa ter considerado demasiado delicada a realização da partida no seu próprio território.

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