Camila Rebelo apurada para Jogos Olímpicos, Diogo Ribeiro chegou mesmo aos '47'

Falta 1 ano, 3 meses, 3 semanas e 2 dois dias para os XXXIII Jogos Olímpicos e Portugal já tem qualificados dois nadadores em três provas.

Em outra jornada de fortes emoções no Nacional Open na Piscina da Penteada, no Funchal, tal como na véspera nos 50 livres, ontem caíram os recordes masculinos e femininos nos 100 livres, com Diogo Ribeiro a tornar-se, novamente, na estrela maior ao realizar mínimos para os Jogos de Paris-2024, Mundial de Fukuoka-2023 e Euro sub-23.


Francisca Martins, com  56,25s, bateu o recorde luso dos 100 livres, enquanto de Palma de Maiorca, onde decorrem os Nacionais de Espanha Open, veio a notícia de que Camila Rebelo (Louzan) estará com Diogo nos Jogos franceses e nas restantes duas competições, após ter vencido os 200 costas com 2.09,84m. A anterior melhor marca, sua desde 2022, eram 2.10.41m.


Só que, para que o ambiente fosse ainda mais eletrizante na Madeira, desta feita Diogo realizou o feito… duas vezes. Aliás, implodio-o. As bancadas vibraram na final e o nadador do Benfica sentou-se na pista, abriu os braços e colocou a mão direita junto ao ouvido para as escutar. Loucura.


De manhã ficara chateado por se ter quedado nos 48,01. Melhorara o seu recorde nacional de 48,52s, obtido em agosto no Europeu absoluto de Roma-2022, e colocava-o de imediato nos Jogos além dos 50 livres. Porém, o único luso a já ter cumprido a distância abaixo dos 49s não estava satisfeito. Queria igualmente ser o primeiro abaixo dos 48s. Conseguiu-o!


Dando mais de um corpo de avanço a Miguel Nascimento (49,63), parou o cronómetro nos 47,98s. Recorde! Mínimos! E, neste momento, segunda melhor marca mundial em 2023! Apenas superada pelo chinês Wang Haoyu (47,89), também de 18 anos. Uff!


«A felicidade é enorme. Queria os 47s há algum tempo e quem me conhece sabe que desejava tê-lo feito no Mundial júnior [onde, em setembro, foi tricampeão]. Tê-lo confirmado agora é espetacular e bom indicador para Fukuoka e para os Jogos», referiu Diogo, que considera que esta é uma marca que «faz sonhar com medalhas nos Mundiais».


«Da eliminatória para a final a única coisa que alterei foi a chegada, os últimos 10m sem respirar e em braçada de 50m com braço esticado. Fez a diferença para a tarde», revelou. «Mas acho que consigo puxar mais. Não só nos 100 livres como nas outras provas. Sinto-me bem. Agora tenho os 100 [hoje] e os 50 mariposa [amanhã]. Nesta última [na qual é recordista mundial junior] não há mínimo olímpico, é para melhorar o tempo, mas nos 100 gostava também de superar o tempo», concluiu.
Note-se que, neste momento, Diogo já está qualificado para Paris-2024 em duas provas com mínimo A. Se também lá chegar nos 100 mariposa, concretizará, novamente, algo único na natação portuguesa.


« Neste momento o fundamental é estar a nadar bem, tecnicamente como com muita força. Este ambiente na Madeira é especial eles sentem mais a natação. E este apoio, este barulho, é fantástico», concluiu.

Camila e o sonho
Antes de deixar Espanha para voltar a Portugal a fim de, amanhã, nadar os 200 costas na Madeira, Camila Rebelo confessou a A BOLA que «a felicidade está no máximo». «Estou supercontente. Acho que ainda não consegui colocar bem os pés na terra».


«Queria fazer este apuramento o mais cedo possível para poder trabalhar com tempo até aos Jogos e está feito. Se domingo é para melhorar? Vamos ver… Mas agora quero o título», responde rindo-se.


«Este é um sonho que tenho desde que comecei a nadar. No entanto, só que se tornou mais real a partir do momento em, no ano passado, fiz 2.11m. Foi aí que me apercebi: é possível», vai contando a costista do Louzan que, tal como Ribeiro, já estava qualificada para o Mundial de Fukuoka.


E aos Jogos é para ir só nos 200 costas ou gostava de  apostar noutra prova? «É uma pergunta difícil. Se me perguntar se gostava também de ir aos 100 costas, digo que sim. Mas isso ainda está um pouco longe. Tenho de baixar 6 décimas, que aos 100 é um pouco. Mas nada é impossível…», deixa no ar.