«As pessoas não conhecem o verdadeiro Lamine Yamal»
Luis de la Fuente fez uma retrospetiva de 13 anos ao serviço das seleções espanholas em entrevista ao The Athletic. Tudo começou com um contrato de três meses, em 2013: «Costumava tomar o pequeno almoço no mesmo café e um dia li no jornal que a Federação espanhola estava à procura de um selecionador sub-19. Noutras circunstâncias teria virado a página, mas nesse momento senti que tinha de ouvir a minha fé.»
A fé de De La Fuente compensou: treze anos depois, comanda a campeã do Mundo e da Europa em título. «Nasci para ser selecionador», frisou.
De la Fuente foi também o responsável por lançar Lamine Yamal, o estreante mais novo da história da seleção de Espanha com 16 anos, em setembro de 2023. A aposta exigiu «muito trabalho nos bastidores», dadas as raízes marroquinas do extremo, mas deu frutos, já que os dois conquistaram juntos o Europeu, em 2024, e o Mundial, este ano.
A estrela do Barcelona merece rasgados elogios do técnico de 65 anos: «As pessoas não conhecem o verdadeiro Lamine Yamal. É um jogador de equipa fantástico, um colega de equipa dedicado e um rapaz com quem é muito fácil conviver.»
A personalidade mais vincada de Yamal está longe de ser um problema: «Eu não entendo a conotação negativa da palavra ego. Todos temos. Desde que coloques essa ambição no objetivo coletivo, o ego é algo espetacular.»
Para De la Fuente, o Mundial 2026 tornou Yamal «melhor jogador, pessoa e colega de equipa, mesmo sem estar no seu pico de excelência». «Se os jogadores estão cá é porque encaixam na nossa filosofia de tornar o grupo numa família. Se não encaixas estás fora», frisou.
A mesma filosofia é utilizada para comentar a crise migratória que tem marcado Ceuta desde julho e que tem gerado diferentes posições no seio do futebol espanhol: «O futebol é uma ferramenta bastante útil na sociedade, mas se a política e futebol se misturam, algo de errado acontece. Devemos permanecer no nosso próprio espaço.»
«Não penso que seja justo que pessoas de fora como nós queiram dar uma lição a uma cidade como Ceuta nestas matérias, dado que, historicamente, viveram com várias culturas em absoluta e total normalidade», defendeu.
De La Fuente não fugiu ainda de um dos episódios mais polémicos em mais de três anos no comando técnico da seleção principal. O técnico de 65 anos refletiu sobre os aplausos a Luis Rubiales, então presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, dias depois do beijo a Jenni Hermoso na final do Mundial de futebol feminino, em agosto de 2023: «Na vida, aprendes com tudo. Às vezes percebes que estás em lugares em que não devias estar e podes agir de forma errada. A vida ensinou-me a focar exclusivamente no que posso controlar.»
O selecionador espanhol falou ainda da forma física notável que apresenta aos 65 anos... e dos pesos que levanta: «Podiam ser mais, mas nesta fase da vida não faz sentido ter lesões».