Antigo internacional neerlandês vai para a prisão, as desculpas não pegaram...
O ex-futebolista profissional Romeo Castelen, de 42 anos, foi condenado a um ano de prisão. O motivo é a lavagem de milhões de euros, relacionada com a sua passagem por um clube de futebol chinês.
O neerlandês, foi detido no aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, com quase 150 mil euros em dinheiro. Além da pena de prisão, o tribunal aplicou-lhe uma avultada multa.
O tribunal da cidade de Zwolle condenou o médio que passou em clubes como pelo Den Haaf, Feyenoord e Hamburgo, juntamente com o seu cúmplice, um olheiro de futebol, a um ano de prisão, sendo seis meses de pena suspensa. A dupla terá ainda de devolver o dinheiro obtido por esta via, que, segundo as informações disponíveis, ascende a cerca de dois milhões de euros.
No entanto, Castelen pode considerar-se com sorte por não passar mais tempo na prisão. A procuradoria tinha pedido, no mês passado, quando começou o julgamento, uma pena de três anos de prisão efetiva.
O Serviço de Investigação Financeira (FIOD) investigava o caso há bastante tempo. Tudo começou em novembro de 2019, quando o natural do Suriname foi detido no aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, com quase 150 mil euros em dinheiro. Na altura, preparava-se para embarcar para um voo com destino a Xangai, mas a bagagem foi sinalizada por cães da polícia. No meio de uma pilha de roupa, tinha escondidas várias notas de 100, 200 e 500 euros.
Desculpa do casino e do relógio
O antigo internacional neerlandês (10 jogos), nascido em Paramaribo, alegou que tinha o dinheiro para comprar um relógio em Hong Kong. «Pensei que bastava declarar em Hong Kong, preenchendo um formulário no avião», justificou Romeo Castelen no mês passado, durante a audiência em tribunal. Segundo ele, esta avultada quantia «foi ganha no casino».
A investigação, contudo, revelou que o antigo médio era a figura central de um vasto esquema de lavagem de dinheiro, que envolvia o seu penúltimo empregador, o clube chinês Zhejiang Yiteng. Este tinha criado um esquema sofisticado, no qual Castelen desempenhava um papel crucial. Grandes somas em dinheiro eram repetidamente contrabandeadas dos Países Baixos para a China e Hong Kong. Ainda não se sabe a origem criminosa deste dinheiro.
O dinheiro era subsequentemente pago em numerário por dirigentes chineses do clube ao jogador e ao cúmplice, legalizando-o. Alegadamente, Castelen teria recebido um bónus de 200 mil euros pela manutenção do clube e por serviços de observação, embora a dupla não tivesse participado nessas atividades. Ainda não se sabe se irá recorrer da sentença.
Romeo Castelen teve uma carreira futebolística de sucesso. Além do Feyenoord, jogou na Alemanha, Rússia, Austrália e, finalmente, na China, onde recebia um salário elevado. Durante a passagem pela formação de Roterdão, representou a seleção nacional em dez ocasiões.