A pressa é inimiga da renovação
As conversas entre Rui Borges e o Sporting nunca se adivinharam difíceis, na verdade, mas a reviravolta europeia aumentou o foco sobre o tema e esse épico apuramento para os quartos de final da Liga dos Campeões serviu para valorizar o técnico.
Para quem vê de fora, a goleada leonina ao Bodo/Glimt deu mais exposição a Rui Borges — no sentido positivo da palavra — do que os dois títulos conquistados na época passada. Não quer isto dizer que o treinador tenha agora meia Europa atrás dos seus serviços, ou que o presidente Frederico Varandas tenha mudado a abordagem ao dossiê, mas o sucesso europeu do Sporting terá, pelo menos, acelerado a necessidade de marcar reuniões entre as duas partes.
Bem vistas as coisas, Rui Borges terá garantido a renovação de contrato já no passado dia 17 de março. A extensão do vínculo já parecia o cenário mais provável, mas a goleada à equipa norueguesa eliminou as dúvidas. E talvez tenha obrigado o Sporting a abrir um bocadinho mais os cordões à bolsa, mas isso dificilmente seria razão para chatice.
Sem necessidade de puxar dos galões, o mirandelense fez por merecer tal prémio, mesmo sem sabermos se acaba a época com (mais) três troféus ou com zero. Estar nessas lutas já diz algo sobre o técnico que conquistou a dobradinha na época passada, mas viu o mérito relativizado por quem ficou agarrado aos feitos de Ruben Amorim e decidiu ignorar as dificuldades sentidas por João Pereira, que até já andava de leão ao peito, a ser preparado para a missão.
Não sei dizer se Rui Borges é treinador para substituir Pep Guardiola no Manchester City, mas sei que foi capaz de domar um leão desconfiado, esperando pelos momentos certos para ensinar novos truques. Há quem goste mais e quem goste menos, seguramente, mas ninguém (intelectualmente honesto) é capaz de dizer que a equipa verde e branca anda em piloto automático desde novembro de 2024.
O acordo entre Sporting e Rui Borges parece um passo natural, e isso é o mais relevante, mas o sentido de oportunidade é também pertinente. Pese embora a posição desfavorável na Liga, os leões avançam em direção ao sol com a juba levantada. Assinar agora um novo contrato talvez fizesse reduzir o ruído no imediato, mas não seria a primeira vez que a pressa dava mau resultado. Se existe realmente sintonia, então é só deixar rolar o tempo. Quem tem rumo dispensa improvisos.